sábado, 17 de dezembro de 2011

Pai Nosso VIII



Ao findar essa série de comentários sobre a oração que denominamos como Pai Nosso, quero ainda fazer esse último comentário.

Quando comecei essa série, não me passava pela mente tudo que acabei por escrever. O fato é que, sinto-me extremamente feliz em ter aprendido tantas coisas com o estudo dessa oração.

Nesse último comentário, quero trazer o que Deus me possibilitou enxergar meditando sobre todos os comentários que fiz sobre a oração.

A semana em que se comemora o “dia das crianças” eu passei na fazenda. Em uma manhã, bem cedo, quando o sol ainda não tinha começado a clarear o dia, minha mente, sem que eu tivesse controle sobre ela, começou a trabalhar e foi nessa hora que me veio o que passo a escrever.

Quando o Senhor Jesus se prontificou a ensinar seus discípulos a orar, quero crer que ele tinha em mente algo muito mais importante, para eles e para nós, do que simplesmente o que as palavras, que compõem a oração, expressam.

Veja bem: quando dizemos que Deus é nosso Pai, que está nos céus e que seu nome seja santificado, não estamos dizendo só o que as palavras significam na sua etimologia.

Quando pedimos para que seu reino seja instalado em nós e que seja feita sua vontade na terra como é no céu, que nos dê o pão de cada dia e somente para aquele dia, que nossas faltas sejam perdoadas, que nos livre das tentações e do mal, não estamos pedindo só o que as palavras estão dizendo por seus simples significados.

O que estou querendo dizer é que, quando o Senhor Jesus ensinou a seus discípulos essa oração, havia muito mais do que as palavras podem expressar.

Naquela manhã pude ver, um pouco mais além, da mera letra, vi um pouco do que está nas entrelinhas da oração.

Pude ver que o orador, tem que possuir um coração transformado pela atuação do Espírito Santo, fazendo com que ele se submeta à soberania de Deus que está nos céus, reconhecendo que seu nome é santo e que sua vontade é feita no céu e na terra independente de o pedir.

Que o coração do orador viva na total dependência de Deus crendo que, não só o pão, mas que todas as suas necessidades diárias serão supridas, que o Senhor Jesus é seu pastor e nada lhe faltará.

Que o coração do orador se submeta à atuação do Espírito Santo habilitando-o a amar o próximo e perdoando-o quando este o ofender, para que possa, depois, pedir perdão para suas ofensas cometidas contra Deus.

Que o coração do orador reconheça que não tem condições de resistir à tentação, por menor que seja, e suplique a Deus que o livre delas e de todo mal.

Sim! Creio que existe muito mais do que as meras palavras dessa oração, que o conteúdo transcende a grafia das palavras.

Portanto, todas as vezes que fizermos essa oração, estejamos convictos desses ensinamentos preciosos e que Deus, que é nosso Pai, nos abençoe.

Amém.

sábado, 19 de novembro de 2011

Pai Nosso VII



...Continuação

“... pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!


Quando comecei a estudar a oração do “Pai Nosso” me deparei com essa frase finalizando a oração. Me incomodava muito essa frese, pois queria entender porque o Senhor Jesus havia terminado a oração modelo com ela!

Como entender “pois teu é o reino” finalizando a oração se no início temos “venha o teu reino”? Há alguns anos conheci um desenho que tínhamos que olhá-lo de uma forma diferente para que a imagem se formasse, às vezes em alto relevo e às vezes em baixo relevo, como se fosse em 3D. Me lembro que algumas pessoas não conseguiam ver o desenho e ficavam se esforçando para conseguir e quanto mais se esforçavam mais difícil ficava.

Creio que isso aconteceu comigo tentando entender o desfecho dessa oração. Muitas vezes cheguei acordar de madrugada, sem motivo aparente, e nesses momentos vinha à minha mente essa frase. Houve noite em que eu tive que fazer exercício mental para parar de pensar nela e poder voltar a dormir. Numa dessas madrugadas, Deus me deu a graça de entender, pelo menos de uma forma que me satisfaz, a frase em questão.

Fiquei, e ainda hoje, estou muito feliz com isso, todo esse tempo aí na minha frente, tão simples, claro como dia e não conseguia ver o que consigo ver!

Creio que o Senhor Jesus terminou a oração com essa frase para que, com ela, pudéssemos declarar mais uma vez a nossa total incapacidade de praticar, por nós mesmos, as ações anteriormente ditas ou seja: pedimos para que Deus nos faça digno de seu nome que é santo, pedimos para que sua vontade seja feita e não a nossa, o pão de cada dia, pois não somos capazes de o conseguir por nós mesmos.

Fazendo uso de uma regrinha de português quero deixar claro o que eu pude então aprender com essa frase. Vou substituir a palavra “pois” pela palavra “porque” e mudar o local da frase na oração para que fique assim: “...porque teu é o reino, o poder e a glória não nos induza à tentação e nos livre do mal. Amém.”

Terminando assim a oração estou reafirmando todas as verdades anteriormente ditas, que sou totalmente incapaz e que em minha vida dependo inteiramente do cuidado de Deus tanto na minha vida material e principalmente na vida espiritual.

Quando troquei a palavra “pois” pela palavra “porque” vi que faz todo sentido terminar a oração com essa frase, pois só a quem pertence o reino, tem todo o poder e é merecedor de toda glória pode atender aos pedidos contidos na oração.

Esta é a última frase da oração a ser comentada, não o último comentário dessa serei, contudo devo admitir que estou muito feliz pois sinto que cresci no conhecimento de Deus e sua vontade para minha vida .....

sábado, 22 de outubro de 2011

Pai Nosso VI


...Continuação

“e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal”

Quero começar esse texto fazendo um questionamento.

Você já se perguntou por que o Senhor Jesus ensinou a pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentação, em vez de pedir que nos livre da tentação? Não seria mais fácil para nós ficarmos livres da tentação? Assim não cairíamos nela!

Sei que muitos vão se chocar com o que vou escrever nesse comentário, porém não posso deixar de ser sincero comigo mesmo e com o que creio.

A primeira frase, “e não nos deixes cair em tentação”, admite outra tradução e que segundo meu ponto de vista vem clarear mais o assunto.

Quando conversando sobre como entender o que lemos na Bíblia, tenho o costume de dizer que precisamos parar de ler a Bíblia, dou um tempinho para ver as reações das pessoas e logo termino a frase dizendo que precisamos estudar a Bíblia, o que convenhamos, é muito diferente.

É o caso específico da frase “e não nos deixes cair em tentação”. Consultando alguns comentários bíblicos pude ver e aprender que a expressão é melhor traduzida tal qual está na versão Revista Corrigida (RC) que traz a tradução assim: “e não nos induza à tentação”.

Confesso que tomei um susto quando, estudando para escrever esse artigo, me deparei com o que acabo de escrever acima e quero crer que muitos também vão se assustar. Dando continuidade aos meus estudos pude ver que a tradução RC entra em consonância com outros textos bíblicos.

Vou mencionar alguns: O Senhor Jesus, depois de batizado, foi levado pelo Espírito Santo para o deserto para ser tentado. O Apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios em sua segunda carta diz que ninguém é tentado além de suas forças. No Antigo Testamento, no livro do Deuteronômio, Deus alerta a seu povo dizendo que colocaria falsos profetas no seu meio para testá-los.

Portanto quando lemos “não nos induza à tentação”, creio ser mais fidedigno à intenção do Senhor Jesus quando disse essa frase, por mais estranho que nos possa parecer.

Outro aspecto que temos que levar em consideração, é que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, portanto a nossa tentação não está excluída de todas as coisas. Como então a tentação coopera para nosso bem? Poderia alguém questionar.

Entre outras coisas, a tentação na forma de tribulação, por exemplo, coopera para nosso bem, produzindo em nós a perseverança e esta, por sua vez, produz experiência, que produz esperança, promovendo em nós crescimento espiritual.

Com a intenção de ajudar-nos a entender melhor essa questão, imagine um pai, em uma calçada movimentada, ensinado a seu filho a dar seus primeiros passos nessas condições. Ele, deliberadamente, o segura pela mão, e o conduz para que aprenda a andar sobre pisos irregulares, a se desviar de buracos e das pessoas, porem quando chegam ao momento de atravessar a rua, o pai, zelosamente, toma seu filho ao colo pois sabe que seu ele ainda não está preparado para tal.

Portanto ao orarmos pedindo que “não nos deixe cair em tentação; mas nos livre do mal” é muito mais do que o que as meras letras expressam.

Continua…

sábado, 24 de setembro de 2011

Pai Nosso V



... Continuação

“Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”

Chegamos a uma frase que muitos, inclusive eu, têm muita dificuldade de dizê-la quando estão fazendo a oração, pois exige de quem a diz, um comportamento igual ao do Pai e aí está a nossa dificuldade!

Pedimos uma coisa ao Pai condicionada a um comportamento nosso. Confesso que por alguns anos, quando fazia essa oração, na hora de pronunciar essa frase eu me calava e continuava após ela ser dita pelos demais. Hoje quando oro, e chega a hora de pronunciar tal frase, ainda tenho dificuldade em pronunciá-la.

Creio que a primeira coisa há ser comentada deve ser a palavra “perdão”.

O que vem a ser perdão? Tenho ouvido, desde minha infância, que perdoar é esquecer, é nunca mais se lembrar da ofensa sofrida. Se realmente for esse o significado de perdoar, confesso ter ainda muitas ofensas que não perdoei. Também tenho ouvido a seguinte expressão: “Eu perdoou mas não esqueço”, contudo, a maioria das pessoas que dizem assim, percebemos que se lhes fosse possível estrangularia a quem lhe ofendeu.

Há cerca de uns 4 a 5 anos atrás, fiquei sabendo que estaria em minha cidade e pregando em uma de nossas igrejas o Rev. Heber Campos. Nesse dia pude ouvir uma explicação que veio de encontro à minhas inquietações sobre o que é perdoar.

O Rev. Heber disse que perdoar é lembrar-se da ofensa e não ter vontade de revidar, é lembrar-se da ofensa e ter compaixão do ofensor. Diante de tal definição, fiquei pensando como é muito mais difícil perdoar desse jeito do que apenas esquecer a ofensa, pois para esquecer, basta esperar o tempo passar, pois o tempo apaga quase tudo. Porém, lembrar da ofensa e não ter o desejo de revidar exige de nós algo que não é próprio do ser humano.

Sendo assim, creio que a frase da oração onde pedimos perdão tal qual perdoamos, adquire uma importância ainda maior, pois exige de nós um comportamento ativo e não passivo de apenas esperar o tempo passar fazendo com que esqueçamos as ofensas por nós sofridas.

Não é sem motivo que essa petição seja comentada, por Jesus, logo a pós terminar de ensinar a oração. Veja que o Senhor Jesus diz que, se nós não perdoarmos a quem nos tem ofendido tão pouco o Pai nos perdoará.

Portanto, creio ser muito importante termos em mente que mesmo nos abstendo de fazer essa oração ou mesmo não pronunciando tal frase, o perdão de nossas ofensas é condicional ao nosso perdão a quem nos tem ofendido.

Estou convicto de que o caminho não pode ser o de pular a frase ou o de não fazer a oração, pelo contrário, devemos sim fazer mais e mais essa oração e suplicar ao Pai que nos capacite a perdoar tal qual ele nos perdoa.

Continua...

sábado, 20 de agosto de 2011

Pai Nosso IV


...Continuação


“O pão nosso de cada dia nos dá hoje”


Aqui está uma petição muito difícil de ser feita, por todos nós, tal como ela é em sua essência.

Diz um ditado popular que “o bom julgador por si julga os outros”, portanto quando escrevo, não estou me excluindo dos comentários, mas escrevo primeiramente para mim mesmo.

Tenho muita dificuldade em viver com o pão de cada dia! Às vezes fico pensando como agiria se lá estivesse, quando da travessia do deserto pelo povo judeu, saindo do Egito para a terra prometida, recebendo de Deus o pão necessário para o dia. Acho que seria um daqueles que recolheram uma porção a mais de pão.

Quando o Senhor Jesus nos diz que devemos pedir o pão de cada dia, ele está nos ensinando muito mais do que apenas pedir pão, ele está nos ensinando que devemos viver na total dependência do Pai e não na nossa, tal qual muitos de nós vive. Agimos como se fossemos capazes de, por nós mesmos, prover nosso sustento.

O Senhor Jesus, ensinou a seus discípulos, em várias oportunidades, esse princípio. Uma delas está registrada pelo Evangelista Mateus no capítulo 6. O Senhor Jesus diz que não deveríamos viver ansiosos nem por alimento nem por vestuário. E como sempre fez, o Senhor Jesus faz uso de várias comparações para explicar seu ensino. Falando do alimento, ele diz que a vida é mais importante e não o alimento, que o corpo é mais importante e não o vestuário, que nunca faltou alimento para as aves do céu que não plantam, não colhem nem ajuntam em celeiros. Falando de vestuário ele diz que as flores do campo têm suas vestimentas dadas pelo Pai e que nem Salomão, sendo o homem mais rico do mundo nunca se vestiu como elas.

No Evangelho segundo escreveu Lucas no capítulo 12, o Senhor Jesus mostra a seus discípulos que ter mais que o pão de cada dia não nos garante vida tranqüila, pois não sabemos a hora que seremos chamados, que o ter para muitos dias não traz segurança e estabilidade, pois a qualquer momento tudo pode desaparecer, basta um fenômeno da natureza.

Ao orarmos, pedindo ao Pai para que ele nos dê o “pão de cada dia”, estamos dizendo a ele que somente dele vem o nosso sustento, que dele dependemos para nos alimentar, que não somos capazes de prover o nosso sustento pelo nosso próprio esforço.

Como podemos deixar de orar todos os dias essa oração? Será que a oração que fazemos é melhor que a que o Senhor Jesus nos ensinou? Será que a nossa é mais correta?

Veja: todo dia dependemos de alimentar nosso corpo, e de quem vem nosso alimento? É impressionante nossa atitude diante de nossas “necessidades”! Quando estamos enfrentando algum problema, oramos ao Pai a todo instante, oramos quando nos levantamos, oramos andando pela rua, oramos no trabalho, pedimos a outros para orar por nós... se houvesse jeito oraríamos até dormindo, repetimos a mesma oração várias vezes sem o menor constrangimento, porém não agimos de igual forma com a oração que o Senhor Jesus deixou de modelo para nós.

Devemos, pois orar ao Pai pedindo o “pão de cada dia”, tendo verdadeiramente no coração a real dependência do Pai para nosso sustento e estejamos certos de que ele sabe do que verdadeiramente precisamos e que ele não nos deixará faltar nada.

Continua...

sábado, 23 de julho de 2011

Pai Nosso - lIl


...Continuação



“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”


Dando continuidade aos comentários sobre a oração que o Senhor Jesus nos ensinou, chegamos à frase acima. Ao meditar e estudar sobre ela, confesso que tive mais dificuldade, em elaborar meus pensamentos, do que nos outros artigos, pois vejo nessa frase um pedido que não estamos com disposição para que seja, realmente, cumprido em nossa vida.

Não me recordo de alguém em situação difícil, como por exemplo, com uma doença grave, uma dificuldade financeira ou uma situação na qual se deseje ardentemente que seja revertida, orar fazendo tal pedido. Sempre oramos a Deus pedindo que ele resolva a situação conforme nosso desejo, nosso propósito, de acordo com aquilo que planejamos para nossa vida.

Normalmente quando oramos, a fim de fazermos um pedido a Deus, somos tentados a dizer a Deus que, quem sabe o que é melhor para nossa vida somos nós e não ele. É evidente que não dizemos claramente, com todas as palavras, tal como me expressei anteriormente. Mas o fazemos com vãs sutilezas e nesse particular somos doutores!

Infelizmente, a idéia que tem sido disseminada no meio evangélico é totalmente contrária ao ensino contido nessa frase! Há, lideres evangélicos que estão ensinando em suas igrejas, que o crente tem que reivindicar seus direitos a Deus, que só sofre quem quer, que passa dificuldade financeira quem não determina a prosperidade, que todo e qualquer desejo é alcançado com uma corrente de oração.

O Senhor Jesus, não só nos deu essa oração como exemplo, mas também o exemplo de submissão á vontade do Pai.

Falando aos discípulos quando do episódio da mulher samaritana, o Senhor Jesus disse que fazer a vontade do Pai era mais importante que comer. Em outra oportunidade, repreendendo uma multidão que andava procurando por ele com a intenção de obter bênçãos temporais, tal como ocorre hoje em dia, o Senhor Jesus diz que ele desceu do céu não para fazer a sua vontade e sim a daquele que o havia enviado. O maior exemplo de sua submissão foi quando já estava sofrendo as dores de sua crucificação, ele disse a seu Pai que se fosse possível, ele não queria passar por aquelas dores, mas que estava pronto para cumprir a sua vontade. Já pensou se o Senhor Jesus, nessa hora, fizesse uma oração como fazemos hoje as nossas?

É evidente que a vontade de Deus é feita tanto nos céus como na terra, independe de nosso pedido! Então porque o pedimos?

Quando faço tal pedido, estou dizendo a Deus que estou me submetendo à sua vontade, mesmo que ela seja contraria à minha, mesmo que eu venha sofrer, na carne, quando ele cumpre sua vontade na minha vida; o que devemos admitir ser muito difícil para nós.

O salmista Davi nos dá a receita para que nossos pedidos sejam compatíveis com a vontade Deus, no Salmo 37 versículo 4 quando diz: “Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”

Agrada-te do Senhor não é agradar ao Senhor e sim ter um coração grato ao Senhor por aquilo que ele tem feito por nós e em nós, independente da nossa vontade. Só assim estaremos sendo sinceros quando dizemos na oração: “ Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

domingo, 19 de junho de 2011

Pai Nosso - lI




...Continuação


“Venha o teu reino”


Ao orarmos dizendo, “Venha o teu reino”, muitos de nós não faz a mínima idéia do que está pedindo. Eu, até começar essa série de comentários não tinha o entendimento que hoje tenho do que estou pedindo.

Quando peço a Deus para que seu reino seja estabelecido, não estou pedindo o que as palavras literalmente expressam, pois o reino de Deus já foi estabelecido, segundo registra o Evangelho de Mateus capítulo 12 versículo 28. Quando, na oração, eu peço que o reino de Deus seja estabelecido, estou pedindo para que Deus transforme meu viver de forma tal, que eu tenha uma vida digna de seu reino.

Em nosso viver temos tido um comportamento indigno de sermos servos do reino de Deus. Estamos a todo instante tentando estabelecer nosso próprio reino. Em nosso viver diário temos demonstrado que não estamos querendo que o reino de Deus seja estabelecido em nós.

O reino de Deus é muito diferente do reino que queremos. Para que o reino de Deus seja estabelecido em nós, temos que abrir mão de muitas coisas, o que na maioria das vezes não estamos dispostos a fazer. Gostamos de coisas que não deveríamos gostar, temos prazer em outras que não deveríamos ter, fazemos o que não deveríamos fazer, enfim, para que o reino de Deus seja estabelecido é preciso que haja uma transformação em nosso viver.

Estamos de tal maneira presos a esse mundo, presos à suas atrações que não percebemos que o reino de Deus não é tal como nós queremos e imaginamos.

O Senhor Jesus respondendo a Pilatos segundo registra o Evangelho de Lucas no capítulo 18 versículo 36 disse que seu reino não é desse mundo, em outras palavras o Senhor Jesus está dizendo que seu reino não era o que os judeus estavam pensando ou mesmo querendo e sim era um reino espiritual. Nós, tal qual os judeus nos dias de Jesus, estamos vivendo de maneira como se o reino de Deus fosse terreno. O Apostolo Paulo, escrevendo a Timóteo em sua segunda carta capítulo 2 versículo 4 diz: "Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou”.

Pois bem, ao orarmos dizendo “venha o teu reino” tenhamos em mente que devemos fazer o que o Senhor Jesus nos diz no livro segundo registra o Apóstolo Mateus capítulo 11 versículos 29 e 30: tomar o seu jugo por que ele é suave e leve.

Jugo é um equipamento rural, que hoje tem nome de canga, em que as pessoas, antigamente, usavam para colocar nos pescoços dos bois para que eles puxassem o arado a fim de arar a terra preparando-a para o plantio.

É uma figura muito bonita essa usada pelo Senhor Jesus. Quando havia a necessidade de ensinar um boi ainda novo a trabalhar na lida do campo, sempre se colocava um boi experiente atrelado ao novo para que esse aprendesse com o experiente a trabalhar, e nesse aprendizado o novo sofre muito, pois tem que aprender a hora certa de fazer força e como fazer força, virar para a direita e para a esquerda, parar, recuar em fim aprender a executar as ordens do carreiro ( nome dado à pessoa que trabalhava com de bois de tração).

Ao tomarmos o jugo do Senhor Jesus estamos dizendo que aceitamos ser conduzidos por ele e que pertencemos a ele.

“Venha o teu reino” é fazer com que sejamos súditos fiéis ao Rei do reino dos céus.


Continua...

sábado, 21 de maio de 2011

Pai Nosso - l


...Continuação

Dando continuidade ao comentário sobre a oração que o Senhor Jesus nos ensinou, chegamos à frase que diz: “Santificado seja o teu nome”

O que o Senhor Jesus quis nos ensinar, quando disse na oração: “Santificado seja teu o nome”?

Como já disse em outras oportunidades, acho muito interessante como o entendimento do conteúdo bíblico acontece conosco! É o caso dessa frase da oração. Quantas vezes já pronunciei essa frase, sem perceber a extensão de seu conteúdo! Porém, quando parei para estudar e refletir sobre ela, pude aprender o que ainda não havia , até então, aprendido no ensino contido nessa frese.

Quando o Senhor Jesus, ensinando a seus discípulos e a nós a orar pedindo: “Santificado seja o teu nome”, ele não estava dizendo que deveríamos pedir a Deus que atendesse nosso pedido e tornasse o seu nome santo, o que bem pode parecer quando fazemos tal pedido.

O nome de Deus é santo independente de nosso pedido. É obvio, que Deus não depende de nosso pedido para que seu nome seja santo. O que então estamos pedindo quando na oração dizemos: “Santificado seja o teu nome”?

Quando oramos e pedimos dizendo: “Santificado seja o teu nome” estamos pedindo a Deus que seja misericordioso para conosco e nos capacite a viver de modo digno de seu nome, que é santo.

Se há uma coisa temos negligenciado em nosso viver, é viver de modo digno do nome santo de Deus.

Nos dez mandamentos encontramos: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão”. Muitos pensam que tomar o nome de Deus em vão é o pronunciar o nome de Deus de maneira vã, porém o tomar o nome de Deus em vão, não é só pronunciar é também viver de maneira que não expresse a santidade de seu nome.

Ao orar pedindo “Santificado seja teu nome”, é preciso que se tenha a consciência de que esse pedido há de ser cumprido em nosso viver, que o cumprimento desse pedido implica em uma transformação geral do nosso viver, quer no comportamento, quer no pensar, quer na conversação, pois como expressar a santidade do nome de Deus com uma vida em que trocamos a santidade do nome de Deus em banalidades, em futilidades, em desonestidades e até em imoralidades?

Como expressar a santidade do nome de Deus quando nossa crença não expressa que Deus é santo? Será que dando ordem a Deus, determinando, fazendo de Deus um ser subalterno a desejos, como ocorre hoje em dia é demonstração de crer em um Deus santo, que é Pai e que mora nos céus?

Tais atitudes, demonstram a crença num deus como o mágico da lâmpada de Aladim, que está à disposição para atender os mais diversos e banais pedidos, é só esfregar a lâmpada que o gênio sai e para atender os pedidos.

Quando pois orarmos, a Deus, pedindo “Santificado seja o teu nome”, estamos pedindo que ele nos transforme e que tenhamos uma vida que expresse a santidade do nome de Deus.

Continua....

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pai Nosso


Durante o carnaval nossas igrejas promovem retiros espirituais. Neste ano, a Igreja Presbiteriana da Ilha dos Araújos trouxe o Rev. Ageu, diretor do Seminário Presbiteriano JMC ( José Manoel da Conceição ). A última reunião foi feita no templo devido à grande quantidade de chuva, impossibilitando a permanência no local onde ocorria o retiro. Minha filha, que é membro dessa igreja, me chamou para ir a essa última reunião, pois ela havia gostado do Rev. Ageu, e eu aceitei. Não foi o estudo feito pelo pregador que me chamou a atenção e sim uma frase dita não pelo Rev. Ageu, e sim pelo pastor da igreja, Rev. Fôlton, quando no final da reunião nos convidou para fazermos a oração que o Senhor Jesus nos ensinou. Desse dia em diante fiz o propósito de fazê-la todos os dias.


Como nós seres humanos somos levados a agir sempre aos extremos, nós evangélicos deixamos de falar sobre Maria, a mãe do Senhor Jesus, por causa da santificação que a Igreja Católica atribuiu a ela e de igual forma deixamos de lado essa maravilhosa oração, que o Senhor Jesus nos ensinou, por causa da aparência de reza e não oração.


Quando oramos dizemos: Pai nosso que estás nos céus.


O Senhor Jesus começa a oração nos ensinando que devemos nos relacionar com Deus, o chamando de Pai. Por que chamá-lo de Pai? Encontramos a resposta no Evangelho de João capítulo 1 versículos 12 e 13, onde o Apostolo afirma que todo aquele que recebe a Jesus em seu coração, Deus o transforma em seu filho e isso não pela vontade do homem mas única e exclusivamente pela vontade de Deus.


É interessante a didática do Senhor Jesus fazendo uso de uma palavra, que nos é conhecida pela própria experiência de vida, para nos ensinar como nos relacionar com Deus. Quando o Senhor Jesus nos diz que devemos chamar Deus de Pai, Ele está dizendo, que devemos ter um relacionamento paterno-filial tal qual descrito em sua Santa Palavra


Portanto, ao dizermos a primeira palavra da oração, Pai, estamos expressando uma verdade de valor incalculável para nós.


Quando pronunciamos “que estás nos céus” devemos ter a consciência de que não temos um pai qualquer, de que não somos uma “produção independente” como já acontece freqüentemente hoje em dia. Quando pronunciamos “que estás nos céus”, estamos dizendo que nosso Pai é Deus e que sua morada é o céu e, como somos filhos também nós, um dia, vamos para essa morada.


No Evangelho escrito pelo Apóstolo João no capítulo 14 versículo 2 o próprio Senhor Jesus é quem nos diz que no céu, lugar da habitação do Pai, há muitas moradas e que lá também é lugar da nossa morada, pois Ele ia nos preparar lugar.


Que grande bênção é, pois orarmos dizendo “Pai nosso que estás nos céus”.


Devo admitir que os motivos que tem sido apresentados para que não façamos com freqüência essa oração estão equivocados e que precisam urgentemente ser abandonados por nós.


Continua.....

sábado, 19 de março de 2011

Pecadinho ou Pecadão


Efésios 4:25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.


Somos inclinados a pensar que existe pecadinho e pecadão, quando na realidade a Palavra de Deus nos ensina que pecado é pecado e não há medida de seu tamanho para que possamos classificá-lo como pecadinho ou pecadão, conforme Tg.2:10.


Na história do povo de Deus, vemos que o povo sempre se desviou dos caminhos que Deus traçou para que andassem por eles. Esses desvios não aconteciam de forma abrupta assim como fazemos quando estamos dirigindo um carro, quando chegamos a um cruzamento quer de rodovias quer de ruas, virando para direita ou para esquerda. Esses desvios aconteciam de forma lenta, imperceptível, diria até que com aparência de se estar fazendo o correto.


O comportamento do crente diante da tentação tem se mostrado dúbio. Quando ele está diante de uma tentação para que ele cometa um pecado classificado como pecadão, ele na maioria das vezes se afasta para não cair na tentação, porem quando ele está diante de uma tentação para que ele cometa um pecado classificado como pecadinho, ele, na maioria das vezes acaba por cometer o pecado sem a menor preocupação.


Hoje o povo de Deus continua procedendo como no passado: tem se desviado dos caminhos de Deus da mesma forma. Não temos percebido que o pecado está se infiltrando no nosso meio de maneira sorrateira para que não lutemos contra ele.


Um dos pecados mais comuns, se é que podemos classificá-lo assim, é a mentira, o engano, a dissimulação. A todo instante de nossa vida somos levados, por nossa ganância, a cometer esse pecado e até mesmo tentamos nos enganar, justificando para nós mesmos nossa atitude, arrumando uma “boa” razão para procedermos erroneamente. Quando digo que tentamos, é por que creio não ser possível alguém enganar a se próprio, lá no íntimo sabemos que estamos fazendo algo errado.


Na carta de Tiago no capítulo 3 versículo 2 encontramos que “...Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo”. É interessante observarmos que Tiago tem a preocupação em alertar aos cristãos de que o pecado é decorrente de não dominar a cobiça que é a geradora de os seus pecados.


Ao nos deixar dominar pela cobiça, pecamos e o que é pior, induzimos outros a pecar. Creio que estamos agindo como uma criança que sem conhecimento brinca com uma cobra venenosa até que é picada e venha sofrer o dano do veneno inoculado em seu corpo.
Termino com outra advertência de Tiago capítulo 3 versículo 8 “...a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero”.


Supliquemos a Deus a bênção de a cada dia desenvolvermos um domínio maior sobre nossa cobiça.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Incoerência


Estou terminando de ler um livro que tem como título “O legado da alegria soberana”(outubro de 2010). Esse livro foi escrito por John Piper e traduzido pelo Rev. Augustus Nicodemus.

Nesse livro o autor narra como Agostinho, Lutero e Calvino tiveram suas vidas transformadas pelo Espírito Santo habilitando-os a entender a soberania de Deus.
Ao ler esse livro não conciliei meus pensamentos a não ser depois de tomar a decisão de escrever o que pude absorver na leitura desse livro. O que eu vou escrever não tem outro objetivo, a não ser o de trazer à nossa mente, a reflexão de nossa conduta de cristão reformado.

Ainda não decidi qual título devo dar a esse artigo, não sei devo colocar como título: “Indignação”, “vergonha”, “incoerência” ou outro termo que expresse o sentimento que existe em mim nesse momento.

Em conversas com pessoas da Igreja que sou membro, sobre a situação deplorável que a igreja, como um todo, vem enfrentando no que diz respeito à proliferação de denominações ditas “evangélicas” chegamos a um consenso de que seria mais apropriado em vez de dizer que somos “cristãos” dizer que somos “reformados” afim de nos distinguirmos dos demais.

Ao acabar de ler o livro, citado acima, preciso rever esse conceito pois a vida proposta pelos reformadores, devo admitir que seria melhor em vez de encher o peito e bater nele com todo orgulho e dizer que sou um “reformado” ou comumente “calvinista” deveríamos dizer que sou um admirador das doutrinas “reformadas” e ou “calvinistas” pois vivemos uma caricatura do que dizemos viver.

Vejamos o que o livro nos apresenta:

O comprometimento de Lutero com a pregação da palavra de Deus era de tal monta que ele faz a seguinte afirmação: “ Se hoje pudesse me tornar rei ou um imperador, ainda assim não renunciaria ao meu ofício de pregador” . Era compelido por uma paixão pela exaltação de Deus na Palavra. Em uma de suas orações, ele diz: “Querido Senhor Deus, quero pregar para que o Senhor seja glorificado. Quero falar do Senhor, louvar ao Teu nome. Mesmo que eu não possa fazer tudo isso, será que não poderia fazer com que tudo isso desse certo?”

Lutero era um pregador incansável da Palavra de Deus. Em 1528 Lutero pregou quase 200 vezes e em 1529, pregou 121 sermões o que nos dá uma média de um sermão a cada dois dias e meio justamente no ano em que perdeu sua filha Elizabeth. Fred Meuser disse em seu livro sobre a pregação de Lutero: “Ele nunca tirou um fim de semana de folga. Nunca tirou férias do trabalho de pregação, ensino, estudo individual, produção, escrita e aconselhamento”

Além da pregação da palavra de Deus Lutero é autor de várias obras. Por exemplo 1520 escreveu 133 obras; 1522, 130 em 1523, 183 e me 1524 a mesma quantidade


Passamos agora ao que o livro nos fala de Calvino:

A vocês, pastores( me incluo nessa admoestação), que Deus lhes inflame a paixão pela sua centralidade e supremacia no seu ministério, para que as pessoas que amam e servem digam quando vocês morrerem e se forem: “Este homem conhecia Deus. Este homem amava a Deus. Este homem viveu para a glória de Deus. Este homem mostrou-nos Deus semana após semana. Este homem, como o apóstolo disse, era cheio de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19).

"porém, porque eu sei que não sou meu próprio mestre, ofereço meu coração como um verdadeiro sacrifício ao Senhor". Essa última frase se tornou o lema de Calvino e a figura no seu emblema incluía uma mão entregando um coração a Deus com a inscrição: "Prompte et sincere" (prontamente e sinceramente).

Calvino, por sua parte, nunca se poupou, trabalhando muito além de suas forças e dos cuidados que sua saúde requeria e podia suportar. Freqüentemente, pregava todo dia a cada duas semanas [e duas vezes todo domingo, ou um total de cerca de dez vezes por quinzena]. Toda semana fazia três preleções sobre teologia (...) Estava no Consistório nos dias marcados e fez todos os protestos que se deviam fazer (...) Toda sexta-feira, no estudo bíblico (...) o que ele falava após o estudo dado pelo líder, era quase uma palestra, Nunca deixou de visitar os doentes, de admoestar e aconselhar em particular e de cumprir os inúmeros assuntos que apareciam no exercício normal do seu ministério. Mas, além dessas tarefas regulares, ele possuía grande preocupação com os crentes na França, tanto ensinando quanto exortando, aconselhando-os e consolando-os por cartas quando perseguidos, como também, intercedendo por eles (...) Porém, nada disso o impedia de continuar estudando e escrevendo livros excelentes e extremamente úteis.

"Aparte os sermões e as conferências, já se passou um mês no qual fiz pouca coisa, estou quase envergonhado de viver deste modo, tão imprestável". Uns meros vinte sermões e doze conferências naquele mês!

Para obter uma imagem mais clara da sua constância de ferro, acrescentemos a esse horário de trabalho sua má saúde constante. Ele escreveu aos seus médicos em 1564, aos 53 anos, e descreveu sua cólica e vomito de sangue, febre intermitente, acessos de calafrios, a gota e a "dor excruciante" de suas hemorróidas. Mas o pior de tudo parecia ser os cálculos renais que precisavam ser expelidos sem o alívio de sedativos.
[Os cálculos renais] causaram-me dores excruciantes (...) Finalmente, após os mais dolorosos esforços, expeli um cálculo renal, o que de algum modo aliviou meu sofrimento; mas, tal era seu tamanho que lacerou o canal urinário, provocando uma grande hemorragia, que só pôde ser estancada com uma injeção de leite através de uma seringa.

Ao ler tais relatos fiquei pensando na vida que levamos hoje em dia. Pude relembrar da história de como nossa igreja foi formada, das dificuldades enfrentadas pelos que nos antecederam. Meu Deus como estamos longe disso, estamos jogando na lata de lixo o legado de muitas gerações. O Amor pelas almas perdidas dos que nos antecederam fez com que nossa cidade fosse considerada a Capital do Evangelho e hoje estamos fechando as portas de algumas congregações por termos dificuldades de dar a elas assistência e por falta de assistentes, nossos templos estão cada dia mas vazios. A onde foi parar o amor pelas almas perdidas? O nosso compromisso em levá-las as novas de salvação? A centralidade de Deus em nossos cultos? E também em nossas vidas?

Termino transformando em pergunta uma afirmação que fiz logo no começo. Estamos, ou não, vivendo uma caricatura do que deveríamos viver ?

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê a graça de viver como sua Santa Palavra nos instrui.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Da Retórica para a Pratica


Quero aproveitar a oportunidade, em que a Igreja Presbiteriana do Brasil, da qual sou membro, está discutindo vários temas, para fazer uma reflexão de nosso comportamento como igreja diante alguns fatos.


O Supremo Concílio em uma de suas ultimas reuniões resolveu considerar como seita algumas denominações existentes no Brasil, o que foi feito acertadamente.


Porém, quero chamar nossa atenção para um comportamento que tem ocorrido em nossas igrejas: nós execramos um pecado e somos condescendentes com outro. Sim, não fique assustado, é isso mesmo: nós execramos um pecado e somos condescendentes com outro.


A Bíblia nos diz no Antigo Testamento em Deuteronômio capítulo 21 vers. 18 a 21 que Deus abominava a desobediência dos filhos e que os filhos que fossem contumazes deveriam ser apedrejados. No Novo Testamento, a carta de Paulo aos Colossenses capítulo 3 vers. 20, diz que os filhos devem ser obedientes aos pais, o que vem ratificar o desagrado de Deus à desobediência.


Como não estamos mais vivendo sob o regime do Antigo Testamento e sim do Novo, não encontramos mais a mesma ordem do Antigo Testamento, ou seja que os pais deveriam entregar seus filhos para serem apedrejados, caso fossem desobedientes contumazes. Será que, o sentimento de Deus pelo pecado da desobediência dos filhos mudou? Não, não creio que tenha alterado em nada o que Deus sente por nossos pecados, contudo temos tido um comportamento condescendente para com a desobediência.


A desobediência está disseminada de modo generalizado em meio às nossas igrejas, do pastor ao zelador, do membro mais velho ao mais novo. Estamos vivendo uma crise de identidade doutrinária devido à desobediência. Temos, hoje, igrejas locais que se dizem de nossa denominação, que não diferem em nada das que o Supremo Concílio resolveu considerar como seita e não há quem tome uma decisão a respeito! Temos hoje a inversão de autoridade em nossos lares onde os pais é que obedecem a seus filhos! E o que é pior, vemos hoje a criatura dando ordem a seu Criador. Hoje as pessoas são orientadas a não aceitarem a vontade de Deus para suas vidas. Elas são orientadas a reivindicarem, a determinarem que seus desejos sejam atendidos por Deus, que o sucesso de suas vidas e a salvação de suas almas depende delas.


Vejamos outro pecado que cometemos e que somos por demais condescendentes. Ao lermos o livro de Deuteronômio capítulo 13 vers 1 a 3, encontramos Deus alertando ao povo de Israel que haveria no meio deles, falsos profetas que profetizariam e que suas profecias se cumpririam, porém esses falsos profetas iriam chamar o povo para que fosse seguir a outros deuses, coisa que o povo não deveria fazer. Ainda no Novo Testamento encontramos na Segunda Carta a Pedro, capítulo 2 versículos de 1 a 3 um relato bem parecido e uma admoestação para fujamos de tais homens.


No primeiro texto encontramos a punição a que os falsos profetas, que haveriam de surgir no meio do povo de Israel, deveriam ser submetidos e no segundo vemos que tais homens seriam capazes de arrastar muitas pessoas com seus ensinos enganosos.


Seguindo a mesma linha de pensamento do tópico anterior pergunto: Será que o sentimento de Deus quanto a tais pessoas e a seus atos mudou do Antigo Testamento para o Novo? A resposta também a essa pergunta tem de ser a mesma anterior: Não, não creio que tenha alterado em nada o que Deus sente por nossos pecados, contudo temos tido, também, um comportamento condescendente para com esse pecado.


Diante do exposto fico indagando a mim mesmo, até que ponto Deus vai tolerar nossa indolência, nosso comodismo e até nossa atração por tais homens pois a cada dia os nossos olhos vêem tais homens surgindo no meio do povo de Deus, sem que tomemos alguma providência e o que é pior: quando alguém se levanta para denunciar tal homem esse tal é desprezado, é ignorado e é até motivo de riso de muitos.


Infelizmente temos sido complacentes com tais pessoas, elas tem se infiltrado no meio da igreja a ponto de serem eleitas para ocuparem cargos em nossas sociedades, Junta Diaconal, Conselho e são mandadas para os seminários sendo então ordenadas pastores, daí vermos tantas distorções dentro de uma mesma denominação como a nossa.


Creio que precisamos tomar a mesma atitude para qualquer tipo de desvio. Não só àqueles que são gritantes aos nossos ouvidos mas também àqueles que sorrateiramente temos acariciado.


Que o Senhor Deus tenha misericórdia de nós e nos dê a graça de termos uma vida mais condizentes com sua Santa Palavra.