Estou terminado de ler o livro do “Deuteronômio” e sinto um conflito, entre a alegria e a tristeza, em meu coração. Sinto tristeza ao ver que todo o livro é um relado da história, dos quarenta anos, de peregrinação no deserto. Nele encontramos os principais acontecimentos da peregrinação, de como o povo foi rebelde, de como na primeira oportunidade eles adoravam outros deuses e por constatar que nós fazemos as mesmas coisas ainda hoje.
Vejamos alguns exemplos:
Logo no capítulo primeiro, encontramos o episódio em que Moises havia enviado um de cada tribo para espiar a terra além do Jordão e trazerem um relatório de como era a terra e de seus habitantes, se a terra era boa ou não para habitação. Tendo voltado, os espias, prestaram um relatório dizendo das maravilhas que viram, contudo, a falta de fé no Deus que os levaram até ali, ficaram com muito medo dos povos que habitavam a terra. Esse relatório fez com que o povo não entrasse na terra, naquele momento, e que peregrinasse no deserto por quarenta anos.
Vemos nos capítulos seguintes, Moises narrando fatos de como o povo se rebelava contra Deus e de como ele os disciplinava, até que eles voltassem novamente para Deus. Encontramos Moises falando de como o povo seria abençoado se permanecesse fiel e não seriam disciplinados por Deus.
Chegando ao final do livro, o meu conflito aumenta por ver Deus falando a Moises que esse povo era povo de dura cerviz, que ao entrar na terra prometida logo se esqueceria dele e que iria atrás de outros deuses.
Porem, quando chego aos capítulos 29 e 30 a tristeza é vencida pela a alegria, pois, nesses capítulos vejo Deus dizendo a Moises que ele estabeleceria uma nova aliança, vejo Deus falando que o povo iria abandoná-lo, que iria praticar todas as coisas que ele condena e que dizia para que eles não fizessem, entretanto, mesmo aplicando disciplina, estaria pronto para socorrê-los quando se voltassem para ele de todo o coração.
Percebo, ao chegar ao fim do livro, que temos um ensinamento que está em toda a Bíblia e que tem passado despercebido por muitos. Vemos claramente que depois da queda de nossos primeiros pais ficamos impossibilitados, por natureza, de fazermos o que Deus requer de nós. O homem, após pecar, foi corrompido e nesse estado é incapaz de fazer o que é bom. Exemplificando o que acabo de dizer: seria fazer o leão gostar de comer capim em vez de carne, e o boi, carne em vez de capim.
A alegria faz a tristeza desaparecer quando percebo que, Deus sabe que o homem é incapaz de fazer o que ele quer e que para isso acontecer, Deus faz uso de sua misericórdia, transforma o coração do homem, habilitando-o a querer fazer o que é bom. Em outras palavras, Deus faz o homem querer voltar-se a ele.
Deus já fez isso com você?
