sábado, 24 de setembro de 2011

Pai Nosso V



... Continuação

“Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”

Chegamos a uma frase que muitos, inclusive eu, têm muita dificuldade de dizê-la quando estão fazendo a oração, pois exige de quem a diz, um comportamento igual ao do Pai e aí está a nossa dificuldade!

Pedimos uma coisa ao Pai condicionada a um comportamento nosso. Confesso que por alguns anos, quando fazia essa oração, na hora de pronunciar essa frase eu me calava e continuava após ela ser dita pelos demais. Hoje quando oro, e chega a hora de pronunciar tal frase, ainda tenho dificuldade em pronunciá-la.

Creio que a primeira coisa há ser comentada deve ser a palavra “perdão”.

O que vem a ser perdão? Tenho ouvido, desde minha infância, que perdoar é esquecer, é nunca mais se lembrar da ofensa sofrida. Se realmente for esse o significado de perdoar, confesso ter ainda muitas ofensas que não perdoei. Também tenho ouvido a seguinte expressão: “Eu perdoou mas não esqueço”, contudo, a maioria das pessoas que dizem assim, percebemos que se lhes fosse possível estrangularia a quem lhe ofendeu.

Há cerca de uns 4 a 5 anos atrás, fiquei sabendo que estaria em minha cidade e pregando em uma de nossas igrejas o Rev. Heber Campos. Nesse dia pude ouvir uma explicação que veio de encontro à minhas inquietações sobre o que é perdoar.

O Rev. Heber disse que perdoar é lembrar-se da ofensa e não ter vontade de revidar, é lembrar-se da ofensa e ter compaixão do ofensor. Diante de tal definição, fiquei pensando como é muito mais difícil perdoar desse jeito do que apenas esquecer a ofensa, pois para esquecer, basta esperar o tempo passar, pois o tempo apaga quase tudo. Porém, lembrar da ofensa e não ter o desejo de revidar exige de nós algo que não é próprio do ser humano.

Sendo assim, creio que a frase da oração onde pedimos perdão tal qual perdoamos, adquire uma importância ainda maior, pois exige de nós um comportamento ativo e não passivo de apenas esperar o tempo passar fazendo com que esqueçamos as ofensas por nós sofridas.

Não é sem motivo que essa petição seja comentada, por Jesus, logo a pós terminar de ensinar a oração. Veja que o Senhor Jesus diz que, se nós não perdoarmos a quem nos tem ofendido tão pouco o Pai nos perdoará.

Portanto, creio ser muito importante termos em mente que mesmo nos abstendo de fazer essa oração ou mesmo não pronunciando tal frase, o perdão de nossas ofensas é condicional ao nosso perdão a quem nos tem ofendido.

Estou convicto de que o caminho não pode ser o de pular a frase ou o de não fazer a oração, pelo contrário, devemos sim fazer mais e mais essa oração e suplicar ao Pai que nos capacite a perdoar tal qual ele nos perdoa.

Continua...

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