Quero nesse artigo comentar um ponto do sermão 897 de
Spurgeon, pregado na manhã de sábado de 1869. O nome do sermão é: O primeiro
clamor da cruz.
Fiquei maravilhado com a introdução feita por Spugeon em seu
sermão. Falando dos momentos iniciais da crucificação de nosso Senhor, ele
aborda a oração em favor dos que crucificavam a Jesus.
“Pai perdoa-lhes por que não sabem o que fazem.”
Que amor é esse que fez com que o Senhor Jesus fizesse essa
oração? Que amor é esse que fez com que o Senhor Jesus suplicasse ao Pai para que
perdoasse aqueles que acabaram de pregá-lo
na cruz?
O Senhor Jesus havia passado por humilhações que não merecia.
Começando no monte das oliveiras, sendo preso e conduzido ao seu julgamento por
Caifás e Pilatos, sendo trocado por um ladrão, foi forçado a carregar o madeiro
no qual seria crucificado, cuspiram em sua face, zombaram dele, escarneceram de
sua pessoa e por fim, foi levantado e pregado numa cruz. Suspenso na cruz,
pelos pregos em suas mãos e pés, ele ora “Pai perdoa-lhes por que não sabem o
que fazem”.
Quando ouvia esse sermão fiz um exercício que gosto muito de
fazer, fechei os olhos, por um instante e me vi assistindo a crucificação. Vi
quando os soldados preparavam a posição das mãos para que os cravos, ao serem
batidos pela marreta, pudessem perfurá-la e cravar na madeira numa profundidade
tal que não se soltaria com o peso do corpo de Jesus. Vi quando posicionaram o
cravo em sua mão e o soldado levantou a marreta e bateu com toda a força de seu
braço, vi que Jesus, como cordeiro, não abriu sua boca suportando toda aquela
dor, vi o segundo cravo ser pregado e de igual forma, novamente Jesus não abriu
a boca.
Os soldados não se deram por satisfeitos com o serviço
executado nas mãos e passaram para os pés. Fiquei imaginando, naquela hora,
qual deveria ser a posição que os pés deveriam ficar para que os cravos, ao
serem batidos, as pernas de Jesus não ficassem encurvadas e vi que era uma
posição terrível, pois os cravos tinham que vazar os pés sem que eles estivem
totalmente apoiados na madeira, contudo, os soldados não levaram isso em consideração,
e pregaram, de forma brutal, os cravos nos pés, e mais uma vez, Jesus não abriu
a boca.
Vi que quando levantaram a cruz, a dor que já não era
pequena ficou ainda maior, pois, agora acrescentava a dor que o peso do corpo
fazia nas feridas provocadas pelos cravos.
Foi nesse momento que meus ouvidos puderam ouvir uma das
mais belas orações que eles nunca mais se esqueceriam “Pai perdoa-lhes por que
não sabem o que fazem”.
Fiquei a questionar comigo mesmo “que amor é esse”? Depois
de tudo que esse homem passou ainda ora a favor desses que o fizeram sofrer
tanto?
Nesse momento senti invadir meu coração, uma paz que não
existe como explicar. Meu coração se aquietou e os meus olhos, então, puderam
ver aquilo que os soldados não podiam: pude ver meu Salvador assumindo meu
lugar. Sim, aquele lugar na cruz, era meu, aquela dor era minha, contudo, o
Senhor Jesus por me amar assumiu meu lugar naquela cruz.
Ah! Caro leitor, rogo a Deus que te conduza à mesma experiência,
que faça você ver naquela cruz o seu lugar ocupado por Jesus, aí você
compreenderá “que amor é esse”.
Ouça o sermão - :https://www.youtube.com/watch?v=cmqwUzwJ9mo
