sábado, 21 de agosto de 2010

A vida com Jesus não é garantia de vida sem problemas


...Continuação

Em continuidade aos episódios que se passaram em minha mente durante o sermão do Rev. Ronaldo, o segundo texto que quero comentar está registrado no Evangelho de Mateus capítulo 8:23, onde encontramos a narrativa de que Jesus, entrou em um barco com seus discípulos com a intenção de atravessar o lago. Aconteceu que, durante a travessia do lago, sobreveio uma grande tempestade de vento, de sorte que o barco era varrido pelas ondas, e que Jesus estava dormindo mesmo com a tempestade.


Quando me passou pela mente esse episódio, veio imediatamente à mente uma situação parecida vivida por mim.

Quando ainda jovem, como todo bom mineiro, nas férias de janeiro ia com meus pais para a praia. Como todo jovem gosta de aventura, eu não era diferente, fui então com alguns pescadores, que nos fizemos amigos, lá para alto-mar passar o dia pescando. Qual foi a minha surpresa quando, na volta, enfrentamos uma chuva com um pouco de vento e eu, sem ter a mínima consciência da gravidade do perigo, me deliciava com as ondas que faziam com que o pequeno barco em que estávamos ficasse quase todo fora d’água e, quando ele caía, provocava uma súbita rajada de água e nos molhava a todos no barco. Me lembrei que ouvia o pequeno motor, com seu som característico de um motor monocilíndrico a diesel, funcionado empurrando o barco com muita dificuldade cada vez mais para perto da praia. Só após nossa chegada ao ancoradouro é que os pescadores me disseram o perigo ao qual estivemos expostos. Com essa minha experiência, talvez tenha a oportunidade de avaliar de uma forma melhor o que os discípulos de Jesus estavam passando naquela ocasião.

Quando paramos para pensar um pouco, sobre o que o texto descreve a respeito do que estava acontecendo, e nos colocamos numa posição de observadores, como se estivemos vendo duas pessoas jogando dama ou xadrez e, como sempre acontece com quem está de fora do jogo a observar, vê mais oportunidades de jogadas do que quem está propriamente jogando, creio que podemos tirar três lições desse episódio.

A primeira é que me parece proposital a decisão de Jesus de entrar no barco afim de que seus discípulos passassem por essa experiência. Jesus tinha um tempo determinado para fazer com que seus discípulos aprendessem tudo o que eles precisavam para que, após sua morte, pudessem dar continuidade a sua obra, e nesse episódio eles conheceriam um Jesus que tem poder sobre o vento e o mar.

Pela minha primeira e única experiência citada acima, em caso de tempestade no mar, a bordo de um pequeno barco, creio que não haveria como alguém dormir enquanto o barco era agitado pelas ondas que o forte vento formava. Já no episódio em questão, como com Jesus nem tudo segue as leis naturais, lá estava Ele dormindo e seus discípulos apavorados com a tempestade. Que contraste! Creio que você também pode imaginar como era a situação dentro daquele pequeno barco, enquanto uns remavam outros apressadamente tiravam a água que caía dentro do barco e ainda outros tentando segurar o barco numa direção que os levaria a um porto seguro, e em meio a toda essa agitação Jesus simplesmente dormia. Como poderia alguém conseguir dormir no meio de tamanha confusão? Somente o Senhor Jesus poderia dormir naquelas condições e é por causa desse fato que disse que me parece ter sido um ato proposital do Senhor Jesus fazer com que seus discípulos passassem por aquela experiência.

Veja a expressão usada pelos discípulos após Jesus ter acalmado o vento e o mar: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”.

Quem criou o vento e o mar por certo tem toda autoridade sobre eles, dando-lhes as ordens que Lhe parecerem melhor. O Senhor Jesus faz uso inclusive da natureza para que seus planos sejam executados e sejam coroados de êxito. Ele faz o vento soprar mais forte ou mais fraco, o mar ficar mais agitado ou mais calmo, conforme o conselho de sua Santa vontade. O Evangelista Mateus em seu livro capítulo 5 versículo 45 diz: “... porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” e no decorrer de nossa vida Ele pode fazer o que melhor Lhe aprouver, com o nosso barco, para que cumpramos à risca seus propósitos. O que precisamos é de confiar que o Senhor Jesus entrou no nosso barco. É certo que virão ventos fortes, ondas enormes, água vai entrar no barco, porém com o Senhor Jesus no nosso barco Ele há de fazer com que nosso barco chegue até o porto final.

A segunda lição é de que há de chegar um dia em nossa vida, em que tudo o que aprendemos na escola ou no viver diário, não será suficiente para vencermos as tempestades da vida, e que somente “acordando” Jesus poderemos chegar seguros ao porto final.

Nos relatos dos Evangelhos, encontramos narrativas de que alguns dos discípulos de Jesus eram pescadores. Certamente esses homens já tinham vivido muitas experiências de enfrentar tempestades no mar. Eram portanto, homens formados pela escola da vida para enfrentarem situações tais como aquela tempestade. Apesar de toda a experiência e conhecimento adquiridos no decurso de suas vidas, tais conhecimentos e experiências não foram suficientes para enfrentar, naquela ocasião, aquela tempestade. E antes que o barco em que estavam viesse a naufragar, eles se dão conta de que havia ainda uma esperança para eles: Jesus estava no barco.

Ainda com a figura de um observador externo, que assiste o que estava acontecendo naquele barco no momento daquela tempestade, podemos ver que aqueles homens se deparam com um fato inusitado para aquela situação, um fato que para eles seria impossível de acontecer, alguém conseguia dormir de forma tranqüila mesmo naquelas condições em que o barco estava prestes a afundar. Esse fato causou um sentimento de inquietude naqueles homens a tal ponto que, ao acordarem Jesus, dizem a Ele “...Senhor, salva-nos! Perecemos!” Em outras palavras, Senhor, tudo o que poderíamos fazer já fizemos mas não está sendo o suficiente, com todo arsenal de conhecimentos adquiridos em nossa vivência no mar, não estamos conseguindo impedir que nosso barco venha a naufragar, portanto Senhor salva-nos.


A terceira lição que vemos então, é que a presença de Jesus no barco não é a garantia de estar no mar sem que venha sobre o barco uma grande tempestade.

É então que vemos Jesus agindo de um modo diferente do episódio do casamento em Caná da Galiléia. Como já vimos, o caos estava instalado, tudo já parecia perdido, a situação era desesperadora e não havia mais nada a fazer, seus discípulos já haviam usado todos os seus conhecimentos e habilidades de homens do mar e até aquele momento nada fazia com que o barco viesse ficar estável, e a paz, o sossego, a tranqüilidade voltassem a reinar naquela pequena embarcação. Aí então vemos o Senhor Jesus agindo, transformando, todo aquele desespero e aflição em paz e em segurança.


Lembro-me de um dos cânticos que aprendi na infância, sua letra diz assim: “Com Cristo no barco tudo vai muito bem, vai muito bem, vai muito bem, com Cristo no barco tudo vai muito bem e passa o temporal, passa o temporal, com Cristo no barco tudo vai muito bem e passa o temporal.” Com que alegria cantávamos essa música, nossas professoras à frente fazendo os gestos de alguém dirigindo o barco, da chuva caindo, da tormenta e depois se fazendo calmaria, pois com Cristo no barco a travessia era tranqüila. Era evidente que nossas professoras nos estavam ensinado que o timoneiro do barco de nossas vidas deveria ser o Senhor Jesus, elas estavam nos ensinando que, por mais capazes que sentíssemos que fossemos, não deveríamos tentar tirar da mão de Jesus o timão do barco, principalmente quando estivéssemos atravessando uma tempestade.

Caro leitor, se você está neste momento de sua vida atravessando uma tempestade, uma tormenta que você não esperava, não estava nos seus planos, que lhe pegou de surpresa e você como bom marinheiro já usou de todos os recursos que dispõe e mesmo assim a situação provoca em você desespero, pavor, pois a tempestade esta produzindo ondas muito mais fortes que você pode controlar, e o barco de sua vida está prestes a afundar, lembre-se que Jesus está no barco e até pode parecer que esteja dormindo, mas Ele está pronto para repreender o vento e o mar para que se faça “grande bonança”. Vá a Ele, pois só Ele é capaz de pilotar o seu barco e de transformar a tempestade em “grande bonança”, o desespero e o pavor em paz, em sossego de espírito.

Continua...