sábado, 18 de dezembro de 2010

O sangue



“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” ( 1 João 1:7 )

Desde criança, tenho ouvido que “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” e sempre que meditei sobre o assunto, pensei que Deus, ao afirmar essa verdade, estava apenas se referindo à morte de Cristo na cruz e que Ele havia escolhido o sangue apenas como um símbolo, assim como poderia escolher outra substância qualquer, como por exemplo a saliva ou suor.

No começo do ano, ganhei um livro que tem como título “A imagem e semelhança de Deus” cujo autor é Paul Brand e Philip Yancey. Paul Brand é um médico cirurgião e fazendo uso de seus conhecimentos de médico, teve o desejo de escrever um livro para edificação do povo de Deus. Como não tinha a experiência de um escritor, se associou a Philip Yancey para juntos escreverem o que Paul via, como médico, a imagem e semelhança de Deus no corpo humano, e assim nasceu esse excelente livro, que aproveito a oportunidade para indicar a você.

Há nesse livro um capítulo que, para mim, é maravilhoso. Esse capítulo tem como título “Sangue”. O conteúdo desse capítulo é que me levou a escrever esse artigo e espero que você, assim como eu, aprenda mais um pouco sobre as maravilhas que Deus, em sua infinita misericórdia, tem a nos ensinar.

Como disse anteriormente eu tinha uma visão muito limitada sobre o significado de “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” e ao ler o capítulo a que me referi , pude então aprimorar meu conhecimento sobre o tema. Pode parecer simplório para algumas pessoas o que vou relatar aqui, mas para mim teve uma real e importante mudança de pensamento e postura diante da constatação de que a frase tem muito mais do que uma simples figura didática para a humanidade.

Na página 26 o autor nos dá a informação de que, o sangue tem uma rodovia de cem mil quilômetros a percorrer pelo nosso corpo, levando os glóbulos vermelhos que são os responsáveis por levar às células, tudo o que elas precisam para manter o corpo vivo. É interessante a figura usada pelo autor para explicar esse processo, o que vou tentar reproduzir com minhas palavras e de modo mais sucinto, embora sabendo que vou empobrecer o que está descrito no livro.

O autor compara os glóbulos vermelhos a um caminhão caçamba, que é impulsionado pelo coração para os pulmões, afim de retirar uma certa quantidade de oxigênio, tendo o cuidado de não ocupar todo espaço da caçamba pois há mais mercadorias a serem transportadas. Logo após, volta ao coração para ser novamente impulsionado com o propósito de terminar de preencher o espaço restante da caçamba, com os nutrientes necessários para alimentação das células. Até esse ponto, eu já estava maravilhado com a propriedade com que o autor vinha conduzindo sua narrativa sobre o corpo humano. Já havia aprendido muitas outras coisas sobre o aspecto de sermos feitos à imagem e semelhança de Deus. Foi então que, a partir da explicação do processo de limpeza praticado pelos glóbulos vermelhos nas células é que os meus olhos foram abertos para enxergar o que agora passo a mostrar.

Após despejar nas células o oxigênio e os nutrientes transportados, os caminhões caçamba recolhem toda sujeira produzida pelas células para manter o corpo humano vivo. São retirados o dióxido de carbono, a uréia, ácido úrico e todos os outros resíduos químicos complexos, nocivos ao nosso organismo, e de forma bem rápida. Os caminhões caçamba carregados de impurezas, vão em direção aos rins e os outros órgãos mais seletivos, para lá despejarem tudo o que não for dióxido de carbono, e depois levarem esse último aos pulmões, para serem eliminados do interior de nosso corpo e, logo a seguir, dá-se início a um novo processo.

Para que tenhamos uma idéia mais abrangente da importância desse processo, no último parágrafo da página 32, o autor nos convida a fazer um teste bem simples. Vejamos o que ele diz : “...Se você realmente deseja compreender a função do sangue como agente purificador, sugiro uma simples experiência. Consiga um aparelho de medição da pressão arterial e ponha-o no braço. Peça a um amigo que o bombeie até aproximadamente 200 milímetros de mercúrio, pressão suficiente para interromper o fluxo de sangue no braço. De início, você sentirá uma desagradável pressão embaixo do aparelho. Agora vem a parte interessante da experiência: execute alguma tarefa fácil com o medidor no braço. Basta flexionar os dedos e fechar o punho por dez vezes seguidas, ou cortar papel com uma tesoura, ou bater em um prego com um martelo.

Os primeiros movimentos parecerão bastante normais, à medida que os músculos obedientemente se contraírem e relaxarem. Então você sentirá uma leve fraqueza. Após cerca de dez movimentos, quase sem aviso, você sentirá uma onda de calor e dor e uma cãibra violenta nos músculos do braço. Se você insistir em continuar essa tarefa simples, provavelmente gritará em absoluta agonia. E finalmente não conseguirá continuar; a dor superará suas resistências.

Quando você abrir o torniquete e o ar escapar, assobiando no aparelho de pressão, o sangue correrá pelo braço e uma maravilhosa e reconfortante sensação de alívio inundará os músculos. Vale a pena sentir a dor apenas para experimentar esse forte alívio. Seus músculos passam a se movimentar livremente, e a dor desaparece. Fisiologicamente, você acabou de experimentar o poder purificador do sangue.
A dor veio porque você forçou os músculos a trabalharem, embora o suprimento de sangue para seu braço estivesse cortado. Como músculos transformam oxigênio em energia, eles produzem alguns resíduos (metabólicos) que normalmente seriam eliminados na corrente sanguínea. Entretanto, em razão do bloqueio da corrente sanguínea, esses metabólitos se acumularam em suas células. Eles não foram purificados pelo movimento cíclico da corrente sanguínea, e assim, alguns minutos depois, você sentiu a agonia das toxinas retidas...”

Quando eu li esse relato técnico, fiquei extasiado, minha mente começou a trabalhar num frenesi de pensamentos que não pude mais continuar minha leitura. Nesse instante meus olhos foram abertos, por Deus, para enxergar a maravilhosa ação do sangue em nosso corpo e conseqüentemente minha mente pôde se aprofundar no paralelismo existente entre a purificação física e a purificação espiritual que o sangue do Senhor Jesus faz em nossa alma. Tive, nesse momento, que dar um pouco de tempo à minha mente, pois ela só queria pensar nessa “descoberta”, então fechei o livro e os olhos dando liberdade a meus pensamentos, para que pudessem trabalhar elaborando um novo conceito que se formara em minha mente. Exultante de alegria fiquei quieto saboreando aquele precioso momento por um bom tempo. Pude relembrar e entender com um pouco mais de profundidade, os rituais de purificação instituídos por Deus no Antigo Testamento, que tinham a como objetivo anunciar o sacrifício de Cristo na cruz, pude ainda aprofundar meus conhecimentos sobre a instituição da Santa Ceia por Jesus quando Ele diz, segundo o livro do Apostolo Mateus capítulo 26 versículo 27 “...A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; 28 porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados...”

Após alguns instantes parado, dando tempo aos meus pensamentos para que fizessem a aplicação do conhecimento técnico adquirido sobre a ação do sangue no nosso corpo, com o que acontece na nossa alma, quando o sangue de Cristo é em nós introduzido por uma “transfusão espiritual” e passa a circular em nossa alma, fazendo tal qual aquele circuito descrito acima, em que o sangue leva o oxigênio e alimentos às células para que essas mantenham o nosso corpo carnal vivo, agora o sangue do Senhor Jesus faz a mesma coisa nos trazendo oxigênio e alimento para nossa alma e retirando as impurezas, os pecados, fazendo assim com que nossa alma sobreviva e vá ficando cada vez mais limpa, mais pura até chegar aquele dia em que seremos transformados.

Outro ponto interessante que vale a pena ressaltar é a experiência que o autor nos propõe realizar. Transportando essa experiência para a vida espiritual podemos ver que esse principio também se aplica: veja o que o rei Davi diz no Salmo 32 versículo 3 “...Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia...” , o calar do rei Davi é não confessar seu pecado, sendo assim o torniquete feito, impedindo que o sangue de Cristo circule fazendo a purificação de sua alma. Sendo isso o que nos ensina o Apostolo João em sua primeira carta capítulo 1 versículo 9 diz “...Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça ...”

Finalizando quero dizer que passei a olhar com outros olhos a expressão “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” . Pensando no paralelismo que existe entre a função do sangue que circula em nossas veias com a função do sangue do Senhor Jesus em nos purificar de todo pecado. Devo dizer que, para mim, está sendo uma grande benção pois a cada momento surge em minha mente algo novo, algo que eu ainda não havia percebido e estou aprendendo quão profunda é essa expressão.

Deus ao usar o sangue de Cristo como agente purificador de nossos pecados, Ele não o fez aleatoriamente, se bem que Deus nada faz aleatoriamente!

Caro leitor, eu e você, só seremos limpos de nossos pecados se somente se, tivermos o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo circulando em nossa alma.

sábado, 20 de novembro de 2010

Deserto


A palavra deserto se refere a uma região geográfica, que recebe pouca precipitação pluviométrica. Sendo assim, é uma região árida, inóspita, e como conseguinte, lugar de difícil habitação. Porém tendo em vista o campo espiritual, creio que a palavra deserto tem vários significados, e um deles é solidão, tanto como ausência de companhia como solidão íntima. Portanto podemos também chamar de deserto, o estado de espírito. Tendo em mente esses significados, é que escrevo esse artigo e todas as vezes que usar a palavra “deserto” ela virá entre “aspas”.


A minha intenção é tirar lições, para nosso viver diário, das vezes que Deus fez uso do “deserto” para cumprir seus planos, no decorrer da história da humanidade.


Foi no “deserto” que Deus se apresentou a Moisés, como o Deus Libertador. Primeiro, Deus preparou Moisés intelectualmente, no palácio de Faraó. Mas para prepará-lo espiritualmente, Deus o levou para o “deserto” e lá, enquanto pastoreava, Moisés ficava horas sozinho, em silêncio, e num destes momentos é que Deus falou com ele.


Em um certo dia em que Moisés saiu a pastorear as ovelhas de seu sogro, olhou para o topo de um daqueles montes, onde possivelmente ele tinha o costume de passar por perto todos os dias, e nota algo diferente acontecendo. Ele viu o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Aquela visão lhe chamou a atenção pois a sarça estava ardendo em fogo e não se consumia e no meio daquelas chamas ele havia visto o Anjo do Senhor. Deve ter nascido dentro dele uma inquietação que não pode se conter e ver o que estava acontecendo, como uma sarça arder em fogo e não se consumir e ainda mais com o Anjo do Senhor em meio à aquelas chamas?
Ele toma a decisão de ir ver o que estava acontecendo e tem uma surpresa. Lendo no texto ( Ex.3:3) creio que podemos deduzir que ele não havia reconhecido, que aquele personagem que ele havia visto no meio das chamas era o Anjo do SENHOR. Continuando a leitura temos no verso 4 e 5 - “Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.” Bendito “deserto” onde Moisés, em seu isolamento de tudo e de todos, encontra com Deus e O conhece, tendo assim sua vida transformada!


Esse “deserto” foi palco de outro acontecimento. Desta vez um acontecimento triste, sim triste, pois foi nesse “deserto” que o povo de Israel depois de ser libertado por Deus, O rejeita e é eliminado. O povo estava no “deserto” porém o “deserto” não estava dentro do povo. Não havia um minuto sequer em que o povo ficasse em silêncio para ouvir Deus falar. Deus estava falando com aquele povo desde o Egito, através de prodígios grandiosos e continuava a falar de igual forma, porém o povo a todo instante ocupava sua mente em lamúrias, em reclamações, em rebeldia contra Deus. E dessa forma não lhes era possível ouvir voz de Deus.


“Enquanto o homem fala não lhe é possível ouvir, o homem só ouve quando esse fica em silêncio, portanto o homem só ouve a Deus quando tem sua alma em silêncio.”


Quero me atrever a escrever sobre a trajetória da vida de Jó. Trajetória que muito tem falado ao meu coração. Quando lemos o livro de Jó até o capítulo 31, inclusive, vemos um Jó vivendo um “deserto”, não no sentido de lugar geográfico, mas um “deserto” de estado de espírito, embora em companhia de seus amigos porém em verdadeira solidão de alma. E é nesse estado que ele não se cala e que abre a boca para acusar a Deus de injustiça contra a sua pessoa, porém, quando começamos a ler o capítulo 32, quando Eliú toma a palavra e mostra a Jó e a seus outros amigos que tanto eles quanto o próprio Jó estão errados, faz-se então silêncio, os amigos de Jó se calam, o próprio Jó fica em silêncio e é nessa hora que Deus fala com Jó. É nessa hora, em que Jó fecha sua boca, que Deus abre a sua. Somente nesse momento, em que Jó coloca sua alma em silêncio, é que lhe foi possível ouvir a voz de Deus e teve sua vida transformada a ponto de dizer: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem”


No livro de I Reis capítulo 19 lemos: 3 – “Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço. 4 - Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” Em uma visão mais abrangente do texto vemos que Elias estava passando por um período de profunda depressão, “um deserto de espírito”, e Deus fazendo uso de sua infinita misericórdia vai ao encontro de Elias e pergunta a ele: “Que fazes aí Elias?” Ora , com toda certeza Deus sabia o que Elias tinha ido fazer naquele lugar. Elias depois de matar quatrocentos profetas de Baal, é ameaçado por Jezabel que manda mensageiros a ele dizendo que iria mata-lo. Elias com medo fugiu para o deserto. Tendo o deserto se estabelecido no interior de Elias, ele foge, ele deixando de olhar para Deus e passando a olhar somente para si, como poderia enfrentar a, agora, tão temida rainha Jezabel. Ele deve ter pensado: “ e agora o que fazer? Ela vai me matar!”. Deus sabia de tudo isso e por misericórdia foi ao encontro de seu profeta para resgatá-lo dessa profunda depressão, desse “deserto de espírito” estabelecido dentro dele.


Prosseguindo mais no texto nós encontramos Elias numa caverna. Lá nessa caverna Deus fala com Elias, não de forma espetacular, no sentido de uma grande produção como em Hollywood, mas sim de uma forma “simples”, “mansa”, “suave, e quase imperceptível”, veja o que está escrito nos versículos 11, 12 e 13, Deus não estava no forte vento que despedaça pedras, também não estava no terremoto, não estava no fogo, como no caso de Moisés, porem quando Elias ouve um “cicio tranqüilo e suave”, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna e então “Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?


Que grande benção, foi na vida do profeta, o “deserto” vivido por ele, pois foi nesse “deserto de espírito” que ele teve um encontro marcante com seu Senhor.


Quero encerrar analisando o “deserto” na vida do Senhor Jesus. O Senhor Jesus depois de ser batizado, foi levado pelo Espírito Santo para o “deserto”, um lugar geográfico e, nesse caso, também um lugar de solidão, um lugar onde o Senhor Jesus ficaria isolado de tudo e de todos.


O texto sagrado nos fala que o Senhor Jesus ficou quarenta dias e quarenta noites, em jejum e oração. Quarenta dias em silêncio, no qual estava em verdadeira comunhão com Deus. Foi nesse “deserto” que o Senhor Jesus, como homem/Deus, foi tentado por Satanás e venceu as suas tentações. Foi aí nesse “deserto” que o Senhor Jesus, em nosso lugar, suportou a mesma investida que Satanás havia logrado êxito, contra nossos primeiros pais, e nessa oportunidade foi derrotado. Foi nesse “deserto” que o Senhor Jesus cumpriu, em nosso lugar e de forma perfeita, o acordo que havia sido feito entre Deus e o homem no paraíso.


É muito interessante notarmos, que por diversas vezes o Senhor Jesus se isolou, foi para o “deserto”, não necessariamente lugar geográfico, mas sobre tudo um estado de espírito. Ele fazia isso pois, sentia necessidade de ficar a sós com o Pai. Ele sentia necessidade de ficar um tempo longe das multidões e até de seus próprios discípulos, tempo em que se recolhia para que, longe do tumulto, houvesse silêncio e que pudesse ouvir o Pai.


Foi em um desses momentos de “deserto” que o Senhor Jesus nos resgatou das garras de Satanás e nos lavou com seu precioso sangue, pagando toda a nossa dívida com Deus. Veja a expressão usada pelo próprio Senhor Jesus para dizer quão terrível “deserto” estava enfrentando, em nosso lugar: Mat. 27: 46 “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” O próprio Filho de Deus estava dizendo que estava vivendo um angustiante “deserto” naquele momento crucial da história da humanidade.


Naquele momento em que o Senhor Jesus silenciou sua voz, em que a morte chegou ao seu corpo, não para calá-lo pelo resto da vida, mas para fazer com que sua voz ecoasse daquele momento em diante e por toda a eternidade, chamando e salvando o homem, de seu pecado e realizando o maior de todos os milagres: a reconciliação do homem com Deus.


Caro leitor, existem momentos em nossa vida que nos parece que estamos vivendo em um “deserto”, embora vivendo cercado de muitas pessoas, quer de familiares, quer de amigos, mas um “deserto”, um estado de espírito, momentos em que sentimos como o Senhor Jesus disse a seu próprio Pai “...por que me desamparaste?”. É nesse momento de “deserto”, que Deus está nos conduzindo para ter uma conversa conosco, é nesse momento em que precisamos ter nossa alma em silêncio, para ela poder ouvir a voz de Deus, pois enquanto nossa alma estiver falando ela não ouvirá a voz de Deus.


Supliquemos a Deus para que faça nossa alma silenciar para que ela ouça sua graciosa voz.

sábado, 16 de outubro de 2010

A vida com Jesus não é garantia de vida sem problemas


...Coclusão

Antes de começar esse artigo, quero agradecer a Deus por ter feito com que eu fosse ao culto de comemoração de aniversário do Colégio Presbiteriano de minha cidade e deixar registrado que Deus, naquele dia, trouxe o Rev. Ronaldo para, no mínimo, falar ao meu coração o que naquele dia, eu estava precisando ouvir.

Quero, acrescentar mais um episódio bíblico, aos anteriores já comentados por mim, que me chama muito a atenção e com o qual Deus tem me falado bem de perto. Não foi propósito meu deixar esse episódio por último, creio que Deus assim dirigiu, pois eu já estava com os textos dos três episódios anteriores praticamente prontos, quando por problemas pessoais me veio à mente que ainda faltava uma maneira a descrever sobre como a presença do Senhor Jesus em nossa vida não é a garantia de uma vida sem problemas.

Nesse quarto episódio não vemos Jesus agindo, fazendo um milagre visível aos olhos humanos como nos outros episódios, mas sim, um milagre em que os corações humanos seriam atingidos e abençoados por esse milagre.

Veremos nesse quarto episódio o Senhor Jesus, agindo de uma maneira totalmente diferente das anteriores. Vamos ver que o Senhor Jesus não agiu resolvendo problemas nas vidas das pessoas, vamos ver que o Senhor Jesus não só deixou o problema sem resolver como foi o causador de toda a situação.

Quero no último artigo, dessa série, comentar dois aspectos da vida do Apóstolo Paulo: O primeiro aspecto é sobre uma declaração do Senhor Jesus a Ananias, quando este foi mandado ir até a casa de Judas para orar pelo ainda Saulo e o segundo aspecto é sobre o espinho na carne de Paulo e que apesar de ter pedido três vezes para que esse espinho lhe fosse retirado, ele não foi atendido.

No capítulo 9 do livro de Atos, encontramos a narrativa da conversão de Saulo, vemos que ele ainda respirando ameaças e morte aos discípulos do Senhor Jesus, pedindo ao sumo sacerdote carta para a sinagoga de Damasco com o objetivo de que se porventura encontrasse lá alguns que eram do “Caminho”, expressão do próprio texto, levasse preso para Jerusalém.

Pouco antes, vemos o então Saulo presenciando e consentindo com o apedrejamento do Diácono Estevão. Mas seguindo no texto proposto, vemos que “seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” sendo, ali naquele instante transformado de perseguidor a perseguido e, desde então, o Senhor Jesus passa a fazer parte de sua vida. Logo após essa experiência mesmo sem ele saber já começaram os problemas em sua vida. Ananias, quando o Senhor lhe falou, mandando que fosse à casa de Judas orar por Saulo e com ele, fica receoso de ir à casa devido às noticias que tinha chegado até ele, mas Ananias obedece ao Senhor e vai à casa de Judas.

Existe nesse diálogo de Ananias com Deus uma coisa que me chama muito a atenção e que tem me deixado impressionado e admirado. É o fato de o Senhor ter dito explicitamente, a Ananias, no versículo 16, se referindo a Saulo: “...pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” Fazendo uso dessa afirmação do Senhor, quero mostra-lhe, caro leitor, uma outra maneira do Senhor Jesus agir em nossa vida. Veja que mesmo o Senhor Jesus já fazendo parte da vida de Saulo ele não ficou livre de sofrimentos, antes pelo contrário, ele foi chamado para que, de seu sofrimento, o nome do Senhor fosse glorificado.

No capítulo 14 de Atos dos Apóstolos, versículo 19 lemos: “Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto”. Muito interessante esse episódio na vida do Apóstolo Paulo. Um dos primeiros sofrimentos que o Senhor permite que o Apóstolo Paulo passe, foi justamente a última coisa que ele havia consentido que se fizessem a um seguidor do Senhor Jesus. Paulo agora sentia na própria pele o que almejava fazer com os que seguiam ao Senhor Jesus.

E logo no capítulo 21 o Apóstolo Paulo é preso, algemado e submetido a cadeias e mesmo em meio a sofrimentos o Apóstolo Paulo não deixou de testemunhar do amor de Deus por ele e por aqueles que eram alcançados pela pregação do Evangelho. Mesmo sofrendo as agruras de uma prisão foi usado pelo Espírito Santo para escrever várias cartas, que hoje fazem parte das Sagradas Escrituras.

A Bíblia não trás o relato que o Apóstolo Paulo tenha sido libertado. Possivelmente tenha acabado seus dias na prisão. Quanto sofrimento teve de passar o Apóstolo Paulo, para que se cumprisse o propósito de Deus em sua vida. Mesmo o Senhor Jesus tendo entrado na vida do Apóstolo não o livrou dos sofrimentos

Escrevendo aos Coríntios em sua segunda carta no capítulo 11:13 o Apóstolo Paulo alertando quanto aos que se intitulavam apóstolos e que haviam se infiltrados no seio da igreja nos apresenta, a partir do versículo 22 até o versículo 11 do capítulo 12, de forma enfática os sofrimentos pelos quais o Senhor o fez passar como por exemplo: açoites, apedrejamento, naufrágio, fome, sede e nudez.

Na segunda carta a Timóteo o Apóstolo deixa registrado no capítulo 4 vers. 6, 7 e 8 que: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

Veja alguns dos relados do próprio Apóstolo a respeito de seus sofrimentos:
Colossenses 1:24 “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja”;
Filemon 1:13 “Eu queria conservá-lo comigo mesmo para, em teu lugar, me servir nas algemas que carrego por causa do evangelho”;
2 Timóteo 2: 9 “...pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada.
10 "...Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória”.

Finalizando essa série de quatro artigos, quero comentar o segundo aspecto que mencionei acima sobre a vida do Apóstolo Paulo. Escrevendo, aos Coríntios na segunda carta no capítulo 12 vers. 7, encontramos o Apóstolo Paulo dizendo que lhe foi colocado um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para que ele não se ensoberbecesse e no vers. 8, continuando sua narrativa, o Apóstolo Paulo diz que orou três vezes ao Senhor para que afastasse dele esse espinho e teve como resposta do próprio Senhor: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Veja caro leitor, que a presença do Senhor Jesus na vida do Apóstolo Paulo, não foi uma garantia de uma vida sem problemas, sem aflições, muito antes pelo contrário foi sim o motivo de muitos sofrimentos, contudo ele nunca perdeu a paz, a esperança e a fé. Os problemas, os sofrimentos, foram instrumentos que Deus usou para forjar um Saulo perseguidor da igreja, em um Paulo agora perseguido, maltratado em prisões, apedrejado na rua e acima de tudo, torná-lo no grande evangelista dos gentios.

Portanto, termino dizendo a você e porque não dizer a mim também, que “A presença de Jesus em nossa vida não é a garantia de uma vida sem problemas.” Estejamos certos de que há de chegar um dia, em que o Senhor Jesus não mais precisará transformar água em vinho, acalmar a tempestade, ressuscitar a Lázaro e que não mais existirá espinho em nossa carne, pois nesse dia estaremos com O Senhor, o Autor e Consumador de nossa fé.


A Ele, toda Glória e toda Honra. Amém

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A vida com Jesus não é garantia de vida sem problemas



...Continuação

Um outro episódio que, me passou pela mente, durante o sermão do Rev. Ronaldo, e que quero comentar, dando continuidade ao tema proposto por ele, é o da morte de Lázaro. Esse episódio está registrado no Evangelho de João capitulo 11.

E porque esse episódio me chamou a atenção? Por que vejo o Senhor Jesus agindo de uma maneira completamente diferente do primeiro e segundo episódios. Tendo em mente os dois primeiros episódios comentados anteriormente, vemos que o Senhor Jesus, propositalmente deixou que o caos se instalasse, deixou que o vinho se acabasse, deixou que o barco das irmãs de Lázaro “afundasse” sem que tivesse tomado nenhuma atitude para solucionar o problema da família.

Vamos ver o que o texto nos diz: Lázaro estava enfermo e como é de se esperar, todo enfermo precisa de um médico. As suas irmãs, sabendo que o Senhor Jesus era (e ainda é) o Médico dos médicos, mandam avisá-Lo. Por certo, um amigo que tinha conhecimento do relacionamento que havia entre o Senhor Jesus e aquela família, pois ele diz: “...Senhor, está enfermo aquele a quem amas”. Ora só alguém do convívio da família é que poderia dizer “a quem amas” e por amar a Lázaro, era de se esperar que o Senhor Jesus tomasse imediatamente uma atitude a favor daquele a quem amava, porém caminhando mais no texto vemos que não foi isso o que aconteceu.

Veja que o texto nos mostra claramente que o Senhor Jesus, propositalmente, deixou Lázaro morrer, deixou que suas irmãs passassem pela ansiedade e angústia da espera, passassem pela dor de verem seu irmão morrer e por fim sepultá-lo, quem sabe até, um sentimento de decepção de não verem, o amigo Jesus, atendendo a um chamado de socorro seu, deixou seus discípulos sem entender o que se passava, porque o Senhor Jesus não havia atendido aquele pedido de uma família que tanto amava já que em outras situações Ele havia atendido a tantas pessoas que não tinham ligações com Mestre.

Neste terceiro episódio, vemos que Jesus agiu quando a desesperança já estava instalada em todos, quando ninguém mais acreditava que houvesse alguma coisa a mais a ser feita, quando ninguém mais acreditava que houvesse mais solução.

Ao lermos o texto na parte em que o Senhor Jesus recebe o aviso das irmãs de Lázaro, Ele diz: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”. O Senhor Jesus tinha plena consciência da gravidade da doença de Lázaro, da ansiedade de suas irmãs. Mas o qual foi a atitude do Senhor Jesus? Demorou mais dois dias naquela localidade.

Lázaro com sua enfermidade, vendo sua vida se esvaindo, por certo estava aguardando a vinda de seu Amigo para o curá-lo. Suas irmãs ansiosas pela chegada do Mestre e a cada vez que ouviam alguém bater à porta de sua casa, corriam para atender com a expectativa de que fosse o Senhor Jesus que havia chegado e ao abrirem, deparavam com outra pessoa e toda aquela expectativa era desfeita e a ansiedade voltava a reinar, agora com mais intensidade que antes.

Vamos voltar ao texto: um pouco mais à frente, encontramos o Senhor Jesus dizendo: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo”. Havia chegado a hora de Jesus agir. Como é difícil para nós esperarmos a hora de Jesus agir! Jesus não usa relógio, Ele não está preso ao nosso tempo, nós sim, a todo instante em que nos vemos em uma situação angustiosa, estamos a dizer como o Salmista: Salmos 143:7 “Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova”.

Lendo mais um pouco no texto bíblico, vemos que o Senhor Jesus, chegando a Betânia, ao encontrar-se com as irmãs de Lázaro, recebe delas a notícia de que Lázaro já havia morrido e sido sepultado. Vemos, nas expressões das irmãs, que elas já tinham dado o assunto por encerrado, talvez até com um sentimento de abandono por parte do Senhor Jesus. Vejamos o que elas dizem ao encontrarem com o Senhor Jesus: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão”. Em outras palavras, creio que podemos dizer que elas estavam dizendo ao Senhor Jesus mais ou menos assim: “ Oh! Senhor Jesus, porque o Senhor nos abandou? Porque o Senhor não deu ouvido ao nosso chamado quando nosso irmão ainda estava vivo? Agora, ele já morreu e não há mais nada que o Senhor possa fazer”. Fico imaginando quanto desse sentimento existe em nós, hoje em dia. Quantos de nós estamos dizendo ao Senhor Jesus que Ele se atrasou ao nosso chamado, que Ele nos abandou ou até mesmo ignorou nosso pedido de socorro?

Após ouvir o lamento das irmãs Ele pergunta: “Onde o sepultastes?” e foi com elas e com todas as pessoas que as acompanhavam até onde haviam sepultado a Lázaro.

Ao chegarem ao lugar, o Senhor Jesus dá uma ordem, como nos episódios anteriores, uma ordem que ia contra tudo o que se podia esperar, uma ordem que lhes parecia a mais absurda, veja qual foi a ordem: “Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra”. Que ordem é essa? O Senhor Jesus é prontamente interrompido por Marta dizendo: “Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias”. Com estas palavras, Marta estava querendo dizer ao Senhor Jesus algo parecido com: “Como tirar a pedra de uma sepultura que continha um corpo há quatro dias e já em fase de decomposição? Essa ordem não faz sentido! O corpo de meu irmão já cheira mal! Foi aí que o Senhor Jesus diz uma frase magnífica: “Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?” E lendo o restante do texto vemos que o Senhor Jesus ressuscita a Lázaro transformando toda dor, toda tristeza, toda decepção em grande alegria e regozijo.

A lição que vemos então, é que a presença de Jesus na vida da família de Marta, Maria e Lázaro não foi a garantia de uma vida sem problemas mas sim a garantia de que o Jesus age nos problemas

Se você está, caro leitor, neste momento de sua vida, atravessando um problema no qual você não vê mais solução, a desesperança já tomou conta de seu coração, lembre-se que o Senhor Jesus é o seu melhor amigo, que Ele te ama, mesmo que, nesse instante, você não perceba isso.

O Salmista diz no salmo 30:5 “... Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”. Eu não sei quanto tempo vai durar a noite em sua vida. Na vida de Marta e Maria durou mais de quatro dias. Mas uma coisa eu sei: a manhã do dia seguinte vai nascer e o Sol vai brilhar nem que seja na eternidade e se o for lá, louvado seja a Deus por isso pois você já vai estar ao lado de nosso Senhor Jesus Cristo para sempre!

Amém.

Continua...

sábado, 21 de agosto de 2010

A vida com Jesus não é garantia de vida sem problemas


...Continuação

Em continuidade aos episódios que se passaram em minha mente durante o sermão do Rev. Ronaldo, o segundo texto que quero comentar está registrado no Evangelho de Mateus capítulo 8:23, onde encontramos a narrativa de que Jesus, entrou em um barco com seus discípulos com a intenção de atravessar o lago. Aconteceu que, durante a travessia do lago, sobreveio uma grande tempestade de vento, de sorte que o barco era varrido pelas ondas, e que Jesus estava dormindo mesmo com a tempestade.


Quando me passou pela mente esse episódio, veio imediatamente à mente uma situação parecida vivida por mim.

Quando ainda jovem, como todo bom mineiro, nas férias de janeiro ia com meus pais para a praia. Como todo jovem gosta de aventura, eu não era diferente, fui então com alguns pescadores, que nos fizemos amigos, lá para alto-mar passar o dia pescando. Qual foi a minha surpresa quando, na volta, enfrentamos uma chuva com um pouco de vento e eu, sem ter a mínima consciência da gravidade do perigo, me deliciava com as ondas que faziam com que o pequeno barco em que estávamos ficasse quase todo fora d’água e, quando ele caía, provocava uma súbita rajada de água e nos molhava a todos no barco. Me lembrei que ouvia o pequeno motor, com seu som característico de um motor monocilíndrico a diesel, funcionado empurrando o barco com muita dificuldade cada vez mais para perto da praia. Só após nossa chegada ao ancoradouro é que os pescadores me disseram o perigo ao qual estivemos expostos. Com essa minha experiência, talvez tenha a oportunidade de avaliar de uma forma melhor o que os discípulos de Jesus estavam passando naquela ocasião.

Quando paramos para pensar um pouco, sobre o que o texto descreve a respeito do que estava acontecendo, e nos colocamos numa posição de observadores, como se estivemos vendo duas pessoas jogando dama ou xadrez e, como sempre acontece com quem está de fora do jogo a observar, vê mais oportunidades de jogadas do que quem está propriamente jogando, creio que podemos tirar três lições desse episódio.

A primeira é que me parece proposital a decisão de Jesus de entrar no barco afim de que seus discípulos passassem por essa experiência. Jesus tinha um tempo determinado para fazer com que seus discípulos aprendessem tudo o que eles precisavam para que, após sua morte, pudessem dar continuidade a sua obra, e nesse episódio eles conheceriam um Jesus que tem poder sobre o vento e o mar.

Pela minha primeira e única experiência citada acima, em caso de tempestade no mar, a bordo de um pequeno barco, creio que não haveria como alguém dormir enquanto o barco era agitado pelas ondas que o forte vento formava. Já no episódio em questão, como com Jesus nem tudo segue as leis naturais, lá estava Ele dormindo e seus discípulos apavorados com a tempestade. Que contraste! Creio que você também pode imaginar como era a situação dentro daquele pequeno barco, enquanto uns remavam outros apressadamente tiravam a água que caía dentro do barco e ainda outros tentando segurar o barco numa direção que os levaria a um porto seguro, e em meio a toda essa agitação Jesus simplesmente dormia. Como poderia alguém conseguir dormir no meio de tamanha confusão? Somente o Senhor Jesus poderia dormir naquelas condições e é por causa desse fato que disse que me parece ter sido um ato proposital do Senhor Jesus fazer com que seus discípulos passassem por aquela experiência.

Veja a expressão usada pelos discípulos após Jesus ter acalmado o vento e o mar: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”.

Quem criou o vento e o mar por certo tem toda autoridade sobre eles, dando-lhes as ordens que Lhe parecerem melhor. O Senhor Jesus faz uso inclusive da natureza para que seus planos sejam executados e sejam coroados de êxito. Ele faz o vento soprar mais forte ou mais fraco, o mar ficar mais agitado ou mais calmo, conforme o conselho de sua Santa vontade. O Evangelista Mateus em seu livro capítulo 5 versículo 45 diz: “... porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” e no decorrer de nossa vida Ele pode fazer o que melhor Lhe aprouver, com o nosso barco, para que cumpramos à risca seus propósitos. O que precisamos é de confiar que o Senhor Jesus entrou no nosso barco. É certo que virão ventos fortes, ondas enormes, água vai entrar no barco, porém com o Senhor Jesus no nosso barco Ele há de fazer com que nosso barco chegue até o porto final.

A segunda lição é de que há de chegar um dia em nossa vida, em que tudo o que aprendemos na escola ou no viver diário, não será suficiente para vencermos as tempestades da vida, e que somente “acordando” Jesus poderemos chegar seguros ao porto final.

Nos relatos dos Evangelhos, encontramos narrativas de que alguns dos discípulos de Jesus eram pescadores. Certamente esses homens já tinham vivido muitas experiências de enfrentar tempestades no mar. Eram portanto, homens formados pela escola da vida para enfrentarem situações tais como aquela tempestade. Apesar de toda a experiência e conhecimento adquiridos no decurso de suas vidas, tais conhecimentos e experiências não foram suficientes para enfrentar, naquela ocasião, aquela tempestade. E antes que o barco em que estavam viesse a naufragar, eles se dão conta de que havia ainda uma esperança para eles: Jesus estava no barco.

Ainda com a figura de um observador externo, que assiste o que estava acontecendo naquele barco no momento daquela tempestade, podemos ver que aqueles homens se deparam com um fato inusitado para aquela situação, um fato que para eles seria impossível de acontecer, alguém conseguia dormir de forma tranqüila mesmo naquelas condições em que o barco estava prestes a afundar. Esse fato causou um sentimento de inquietude naqueles homens a tal ponto que, ao acordarem Jesus, dizem a Ele “...Senhor, salva-nos! Perecemos!” Em outras palavras, Senhor, tudo o que poderíamos fazer já fizemos mas não está sendo o suficiente, com todo arsenal de conhecimentos adquiridos em nossa vivência no mar, não estamos conseguindo impedir que nosso barco venha a naufragar, portanto Senhor salva-nos.


A terceira lição que vemos então, é que a presença de Jesus no barco não é a garantia de estar no mar sem que venha sobre o barco uma grande tempestade.

É então que vemos Jesus agindo de um modo diferente do episódio do casamento em Caná da Galiléia. Como já vimos, o caos estava instalado, tudo já parecia perdido, a situação era desesperadora e não havia mais nada a fazer, seus discípulos já haviam usado todos os seus conhecimentos e habilidades de homens do mar e até aquele momento nada fazia com que o barco viesse ficar estável, e a paz, o sossego, a tranqüilidade voltassem a reinar naquela pequena embarcação. Aí então vemos o Senhor Jesus agindo, transformando, todo aquele desespero e aflição em paz e em segurança.


Lembro-me de um dos cânticos que aprendi na infância, sua letra diz assim: “Com Cristo no barco tudo vai muito bem, vai muito bem, vai muito bem, com Cristo no barco tudo vai muito bem e passa o temporal, passa o temporal, com Cristo no barco tudo vai muito bem e passa o temporal.” Com que alegria cantávamos essa música, nossas professoras à frente fazendo os gestos de alguém dirigindo o barco, da chuva caindo, da tormenta e depois se fazendo calmaria, pois com Cristo no barco a travessia era tranqüila. Era evidente que nossas professoras nos estavam ensinado que o timoneiro do barco de nossas vidas deveria ser o Senhor Jesus, elas estavam nos ensinando que, por mais capazes que sentíssemos que fossemos, não deveríamos tentar tirar da mão de Jesus o timão do barco, principalmente quando estivéssemos atravessando uma tempestade.

Caro leitor, se você está neste momento de sua vida atravessando uma tempestade, uma tormenta que você não esperava, não estava nos seus planos, que lhe pegou de surpresa e você como bom marinheiro já usou de todos os recursos que dispõe e mesmo assim a situação provoca em você desespero, pavor, pois a tempestade esta produzindo ondas muito mais fortes que você pode controlar, e o barco de sua vida está prestes a afundar, lembre-se que Jesus está no barco e até pode parecer que esteja dormindo, mas Ele está pronto para repreender o vento e o mar para que se faça “grande bonança”. Vá a Ele, pois só Ele é capaz de pilotar o seu barco e de transformar a tempestade em “grande bonança”, o desespero e o pavor em paz, em sossego de espírito.

Continua...

sábado, 17 de julho de 2010

A vida com Jesus não é garantia de vida sem problemas


Tive a benção de Deus de através de um sermão feito pelo Rev. Ronaldo Bezerra aprender o que agora quero compartilhar com quem vier a ler esse artigo. O Rev. Ronaldo, no dia 23 de maio de 2010, pregou em nossa igreja por ocasião do aniversário do Colégio Presbiteriano de nossa cidade. O sermão teve como texto central, o capítulo 2 do Evangelho do apóstolo João, onde é relatado o primeiro milagre de Jesus, ocorrido em uma festa de casamento.

Quero dizer que nesse artigo não estou transcrevendo o sermão, mas sim, o que pude aprender com ele. E para que você leitor possa usufruir da benção que foi para mim, resolvi dividir esse artigo em quatro partes, e acrescentar mais três episódios, em que o Senhor Jesus intervém, para que nosso aprendizado seja melhor. Espero e peço a Deus de todo o meu coração que Ele lhe abençoe como fez comigo.

O primeiro ponto abordado foi que Jesus deve ser o primeiro convidado de nossas festas e que precisa ser também o convidado por excelência de nossa vida. Apesar deste assunto ser de imensa importância, não foi ele o causador da idéia de escrever esses artigos.

Quando o Rev. Ronaldo iniciou o segundo ponto do sermão, fui surpreendido com a seguinte afirmação: “A presença de Jesus em nossa vida não nos garante uma vida sem problemas, sem dificuldades.” Essa afirmação veio de encontro a mim como se eu estivesse numa luta de boxe e recebesse um soco direto no rosto, me levando a nocaute. Fiquei por alguns momentos com aquela frase ressoando nos meus ouvidos e à medida que a afirmação foi sendo explanada, fui assimilando o golpe e pude então usufruir da benção de aprender mais essa lição que a partir de agora passo a descrever.

Vamos ver o que o texto nos diz : No Evangelho do apóstolo João capítulo 2, vemos que o Senhor Jesus foi convidado para uma festa de casamento e durante a festa o vinho acabou. Estudos sobre a história e a cultura do povo judeu, indicam que o vinho era um elemento importantíssimo nestas ocasiões. O fato é, que o vinho tinha acabado e nos parece que os convidados já estavam percebendo, a tal ponto que a mãe de Jesus foi até Ele para informá-lo da situação. Este relato de que o vinho tinha acabado numa festa em que Jesus era convidado e estava presente, nos ensina que a presença de Jesus não foi garantia, para os donos da festa, de que toda a festa fosse coroada de êxito, corada de sucesso. Mesmo com a presença de Jesus algo saiu do controle, e agora os anfitriões estavam prestes a passar pelo constrangimento, pela vergonha, pelo dissabor de não ter mais vinho para servir aos convidados.

Enquanto o Rev. Ronaldo discorria sobre esse ponto, começaram a passar pela minha mente vários episódios de minha vida, alguns dos quais eu achava que não deveriam fazer parte dela, outros em que eu tinha a sensação de que estava sendo esquecido ou abandonado por Deus ou mesmo sendo “castigado” (vide artigo “Castigo ou Benção” abaixo no blog) por Ele, por qualquer falta que eu tinha cometido, mas nunca tinha me passado pela mente essa verdade.

Foi então que minha mente, começou a trabalhar com um velocidade incrível trazendo à memória alguns textos bíblicos que confirmavam tal afirmação e que gostaria de comentar e compartilhar aqui no blog.

O primeiro episódio que quero comentar é o texto proposto pelo próprio Rev. Ronaldo. Primeiro precisamos analisar as circunstâncias que levaram a Jesus agir. Acompanhe comigo como foi:

O vinho acabou no meio da festa, o que provocaria grande constrangimento aos anfitriões e Jesus intervém, ao ponto de não haver prejuízo no andamento da festa, antes pelo contrário a água colocada nas talhas, transformada, deu origem a um vinho de excelente qualidade de forma que o mestre-sala se surpreendeu e procurou o noivo, indagando-o porque havia reservado o melhor vinho para o final da festa quando o normal, o usual, era servir em primeiro lugar o melhor vinho e quando os convidados já não mais tivessem a possibilidade de notar, servisse então um vinho de qualidade inferior.

Pelo relato do texto bíblico vemos que realmente “a presença de Jesus em nossas vidas não é garantia de vida sem problema mas sim a garantia de que Jesus agirá nos problemas.”

Vimos também, logo à frente, que Jesus agiu depois de dar uma ordem e essa ordem ser obedecida, sem questionamento, o que nos ensina que devemos obedecer a Jesus mesmo quando a ordem d’Ele nos pareça a mais absurda das ordens, a mais improvável para a solução de nossos problemas

Através desse episódio vemos, então, Jesus transformando a vergonha, a tristeza em regozijo, em alegria. Fico imaginando o comportamento de Jesus na festa: possivelmente Ele estava assentado num canto da casa, tranqüilo, conversando com seus discípulos e alguns dos convidados ou simplesmente observando o desenrolar da festa. As pessoas alegres, os noivos comemorando sem nenhuma preocupação pois era o dia mais feliz de suas vidas, nada mais natural, até que... acontece algo inesperado, algo que o noivo não imaginava pois deveria ter se cercado de todo cuidado para que na festa de seu casamento nada faltasse e fosse uma festa do agrado de todos. Enquanto ia tudo bem, as pessoas se confraternizando a festa sob controle, não havia o com que se preocupar.

Creio que podemos inferir que ao primeiro sinal de insucesso, ao primeiro sinal de fracasso da festa, o noivo é informado de que o vinho que ele tinha providenciado para seu casamento havia acabado. Naquele momento, o noivo, não tinha a quem recorrer. Sua festa corria o risco de acabar de uma forma melancólica. Eis que, Jesus intervém, e socorre o noivo, transformando água em vinho. Jesus elimina a “possibilidade” de o noivo ver a festa de seu casamento terminar num acontecimento vexatório e vergonhoso para si e sua família pois alem de resolver o problema que acabara de surgir, o vinho ter acabado, o vinho que passou a ser servido era de qualidade superior ao vinho que se serviu no início da festa. Agora eu fico imaginando a expressão de surpresa do noivo, com um olhar de quem não estava entendendo o que se passava quando foi abordado pelo mestre-sala, informando-o que o vinho que agora estava sendo servido, era de melhor qualidade que o de antes. Aqui creio, que também podemos inferir que a alegria tomou conta do coração do noivo de sua família pois Jesus os havia socorrido, antes que se instalasse uma situação de tristeza e constrangimento.

Outra lição que podemos tirar desse episódio é que o Senhor Jesus agiu somente quando Ele quis agir. Ele poderia agir sem que ninguém, nem mesmo os donos da festa e o mestre-sala, percebessem, mas por sua infinita misericórdia Lhe aprouve tornar público esse milagre e que o mesmo fosse registrado em Sua Santa Palavra para que nós, hoje, pudéssemos aprender essas e tantas outras lições.

Saiba, caro leitor, que o Senhor Jesus pode transformar sua vida, tal como Ele fez com a água, transformando-a em vinho, em uma vida de melhor qualidade. A Bíblia diz no Evangelho do apóstolo João 6:37 “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” Portanto, nesse instante peça a Deus que o leve a Jesus para que Ele o transforme em um vinho de qualidade insuperável e tenha a vida eterna.


A Ele pois toda honra e toda glória.

Continua...

sábado, 19 de junho de 2010

Minha Oração


Meu Pai que está no céu, quero nesse instante abrir meu coração em tua presença e ter uma conversa, que até então nunca tive com o Senhor Meu Pai! Existe dentro em mim uma batalha, que me traz muito sofrimento e gostaria que o Senhor interviesse a meu favor. A minha parte racional encontra-se em conflito com a emocional e isso tem me trazido muita tristeza.

Desde meus primeiro dias de vida, fui levado por minha mãe à Tua Casa, para aprender de Ti. Ela, com todo zelo que é peculiar às mães, se preocupou em me fazer Te conhecer e andar segundo teus ensinamentos. Todos os domingos, lá ia ela e meu pai para a Escola Dominical me levando nos braços, até que por minhas próprias pernas pudesse ir andando. Dos tempos que consigo me lembrar, minhas queridas professoras, por certo instrumentos nas Tuas mãos, se esforçavam para me ensinar a dar os primeiros passos, que me levariam a Ti.

Desses tempos, me lembro das histórias de Abraão, de como o Senhor o chamou, da obediência que ele tinha às Tuas ordens, e nos era chamada a atenção para que, através do exemplo desse Teu servo, aprendêssemos também a Te obedecer. Lembro-me também das histórias em que Jesus ensinava a seus discípulos a sempre depender do Senhor, em qualquer situação. Ele usava como exemplo, a natureza, os lírios do campo, os pássaros... e nossas professoras, às vezes usando o flanelógrafo, nos mostravam as figuras alusivas à história daquele domingo.

Os anos se passaram e eu, já na minha adolescência, não mais precisava ser carregado pelos meus pais, mas por mim mesmo ia à Tua Casa com muita alegria, e agora, não com uma participação de apenas ouvinte, mas participando nas discussões sobre o assunto proposto. Nossos professores, com a capacitação que o Senhor os concedia, nos levavam os estudos ainda com os mesmos personagens da minha infância, porém com enfoque diferente, mais apropriado para nossa idade e nos mostravam como o Senhor colocou Abrão à prova, pedindo que sacrificasse seu único filho. Me lembro dos estudos sobre a vida de homens como José, Moisés, Daniel na cova dos leões e de seus amigos na fornalha, estudos esses que nos mostravam que era preciso ter fé em Ti até no último instante e que se preciso fosse, deveríamos morrer sem negar essa fé.

Novamente os anos se passaram, eu já na minha mocidade, agora não mais como aluno da Escola Dominical, mas como “professor”, preparava o estudo da lição proposto para aquele domingo, lendo a Tua palavra, pesquisando nos comentários e dicionários bíblicos que tinha acesso, para ver como melhor aplicar as passagens bíblicas a fim de doutrinar a mim mesmo e aos moços de minha mesma idade nos Teus caminhos.

Oh! Senhor, desde então venho estudando em Tua palavra, sobre Teu amor, de como o Senhor se importa comigo, de como o Senhor está a todo instante cuidando de mim, fazendo com que nada me falte.

É justamente nesse instante de vida, nos meus 56 anos vividos e relembrados por mim há instantes atrás, que estou precisando desesperadamente de Tua interferência em minha vida, fazendo com que tudo o que aprendi e até ensinei seja usufruído e praticado por mim, nos momentos difíceis de minha vida.

Senhor, a batalha que existe aqui dentro de mim entre o meu racional e o meu emocional, se dá, por eu ter o conhecimento de como devo agir no meu viver, segundo a Tua Santa Palavra, porém, o pecado que habita em mim, tem feito com que eu haja e viva, muitas vezes, de forma contrária à maneira de como deveria.

No meu viver diário, trago à memória a lembrança de minhas professoras, nos mostrando que o Senhor se preocupa com os lírios, conforme está escrito em Lucas 12:27 : “Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”. Lembro-me da história de Abraão, de quando o Senhor pediu a ele que sacrificasse seu único filho, conforme descrito em Gênesis 22:6 : “Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos”. Em minha mente imagino a cena do pequeno Isaque carregando o feixe de lenha, em seus ombros, sem nem ter noção do que estava para acontecer. Abraão, possivelmente com o coração apertado mas confiante em Ti, chegando ao lugar designado pelo Senhor, edificando um altar, deitando Isaque sobre a lenha, levantando o cutelo com a mão para sacrificá-lo, tal era a fé que ele tinha em Ti! E no momento exato, o Senhor providenciou um cordeiro em substituição a Isaque. O meu coração fica triste por eu saber que o Senhor está, a todo instante, colocando a minha fé à prova e falho vergonhosamente. Ah! Meu Senhor, isso me faz sofrer muito e sofro duas vezes: uma, pois fico me culpando por ter falhado e outra por saber o que o Senhor ficou triste comigo, por não ter tido fé em Ti, por não confiar no que leio na Bíblia a respeito de como o Senhor por seu amor e por sua misericórdia age a meu favor.

Relembro, que na oração Jesus ensinou a seus discípulos, em Mateus 6:11 : “...o pão nosso de cada dia dá-nos hoje...” nos é ensinado que não devemos nos preocupar com dia de amanhã; em Mateus 6:34 : “...Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” E ainda em Salmos 127:2 : “...Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” E eu me vejo preocupando com o que vai acontecer daqui há dois ou três meses ou até mais! Meu Pai! Essa maneira de eu agir tem feito com que eu sofra muito, pois lendo na Bíblia, vejo que teria de ter um comportamento diferente. Leio que me basta o “pão de cada dia” e que estou preocupado com o pão para o ano todo, leio que não devo ficar “inquieto com o dia de amanhã” e estou inquieto por causa daquilo que eu imagino que vai acontecer, não é nem amanhã, mas daqui a um bom tempo. Ainda leio que o Senhor está providenciando o meu “pão de cada dia” enquanto durmo, só que quando eu acordo, não levo isso em consideração e começo a trabalhar tendo em mente que eu preciso fazer isso ou aquilo para garantir meu sustento como se meu sustento dependesse somente de minhas ações, e esqueço que é o Senhor quem faz prosperar, ou não, o trabalho de minhas mãos e quando não sou capacitado para fazer o que é preciso o Senhor, de alguma forma o faz por mim .

Meu Senhor! Existe ainda uma outra coisa que tem me deixado muito triste, que é não saber esperar a hora certa de Tua atuação. Sempre acho que o Senhor está demorando muito a agir e por isso acabo, de forma errada, agindo precipitadamente. Ao estudar a Tua palavra encontro vários exemplos de pessoas que, como eu, não esperaram o Senhor agir e sofreram por isso. Logo no começo da Bíblia, no livro dos Gêneses a partir do capítulo 15, vemos o Senhor prometendo, ao então Abrão, uma descendência como as estrelas do céu e no decorrer da leitura dos capítulos seguintes, vemos que Abrão não esperou o Senhor agir. Sara e ele arrumaram um “jeito” e, agindo por conta própria, tentaram fazer com que o cumprimento da Tua palavra se realizasse, no tempo deles, fazendo nascer a Ismael. Seguindo um pouco mais na leitura, vemos a conseqüência de tal fato.

1º.Samuel 13:8 e 9 encontramos o rei Saul, que não esperou o profeta Samuel, como era a ordem que o Senhor havia dado, sofrendo as conseqüências de sua pressa.

Porém ainda no Antigo Testamento, encontro meu Senhor! outros exemplos de servos que souberam esperar o Senhor agir, tais como: Os três amigos de Daniel que enfrentaram as leis do rei Nabucodonosor e o próprio rei, e foram lançados na fogueira sendo por Ti salvos. E o próprio Daniel, que foi livrado dos leões pelo Senhor.

Já no Novo Testamento, encontro alguns exemplos sobre os quais eu gostaria de falar com o Senhor, pois me falam mais de perto. Quando Jesus estava numa festa de casamento, o vinho tinha acabado. Maria, sua mãe, O procurou para que interviesse, e Jesus respondeu a ela que não era chegada a hora de intervir; em outras palavras Jesus disse que agiria na hora certa.

O exemplo que me chama mais a atenção é o de Lázaro. Jesus estava em uma localidade longe de Betânia, o amigo d’Ele estava doente e suas irmãs mandaram mensageiros avisá-Lo da doença de seu irmão, com a esperança de que Jesus fosse logo socorrê-lo, porém, o que fez Jesus? Ficou ainda dois dias naquela localidade até que Lázaro veio a morrer. Aqui nesse episódio Jesus nem mandou que Lázaro ficasse curado, como fez no caso do criado de um centurião, quando Jesus de onde estava, deu a ordem para que o criado fosse curado ( Mt.8:5 a 13 ). Quando Jesus chega a Betânia, as irmãs de Lázaro são avisadas de que Jesus havia chegado, saem ao encontro d’Ele, uma e depois a outra, e numa espécie de lamento dizem para Jesus que se Ele tivesse atendido o chamado delas no momento em que tinham mandado mensageiro, o irmão delas não teria morrido. Após essa lamentação das irmãs, Jesus com toda a calma foi até onde haviam sepultado a Lázaro e disse para tirarem a pedra da frente da sepultura. Maria tenta impedir e aí Jesus diz a ela: “Se creres verás a glória de Deus”. Jesus, após uma oração ao Pai, deu ordem a Lázaro para que viesse para fora, e o que estivera morto reviveu e saiu do sepulcro para a surpresa de todos e alegria das irmãs.

Oh, Meu Senhor! Depois de relatar todo esse meu conhecimento de fatos, que aprendi na Tua Santa Palavra e ver como o Senhor age, só me resta Te pedir, de todo o meu coração e com toda força de minha alma, que o Senhor me perdoe por não ter a fé que deveria ter em Ti. Fé que eu sei que deveria ter, pois já vivi momentos em que vi o Senhor agindo na minha vida de forma incontestável. Eu me sinto nesse momento com muita vergonha de mim mesmo, por não ser o crente que eu almejava, me entristeço em saber que esse meu comportamento entristece profundamente o Senhor.

Meu querido Senhor! Quando acontece qualquer episódio em minha vida, que escapa ao meu controle, como se eu pudesse controlar alguma coisa, o meu coração se agita dentro em mim, me trazendo grande ansiedade e sofrimento, justamente por eu não acreditar como deveria, que o Senhor está no controle de tudo e por mais que eu me esforce para controlar tais episódios, eles vão acontecer, como e quando o Senhor, em sua infinita misericórdia e sabedoria quiser.

Tem misericórdia de mim, miserável pecador, em nome do Senhor Jesus.

Amém.

domingo, 16 de maio de 2010

A consagração da Casa do Senhor


Enquanto medito sobre o assunto que quero abordar, Uma das dificuldades que tenho, ao escrever artigos, é de como transmitir o que tenho em mente. Nesse artigo, várias opções me passaram pela mente e resolvi seguir uma delas. A idéia que resolvi seguir foi de uma professora que tive quando cursava o ginasial (termo usado na minha época de estudante e que corresponde, hoje, ao ensino fundamental 2). Ela era professora de Geografia Geral e quando ia começar o estudo de uma nova região do globo terrestre, ela chegava toda sorridente e nos convidava a fechar os olhos e, enquanto ela ia descrevendo o conteúdo proposto, solicitava que imaginássemos que estávamos fazendo uma viagem por aquela região.

Pois bem, quero nesse artigo usar o mesmo recurso didático. Quero que você, leitor, venha fazer uma viagem comigo nos mesmos moldes das viagens que fazia com minha professora.

Antes de começarmos a viagem, vou pedir para você “comprar a passagem”. O preço da passagem é a leitura bíblica no livro de 2º Crônicas capítulo 5 versículo 2, indo até 7:22 . Você vai gastar um tempinho para ler esses capítulos, mas não tenha pressa, leve o tempo que precisar. Apesar de eu estar ansioso para começar a nossa viagem, estarei aqui te esperando.

E aí já leu? Já comprou sua passagem? Podemos começar nossa viagem? Então feche os olhos (da alma) e vamos lá.

Imagine nós dois fazendo parte do povo de Deus. Fomos convocados pelo Rei Salomão para o culto de consagração da Casa do Senhor. Casa que ele havia construído, tudo de conforme as ordens expressas dadas pelo próprio Deus, nos mínimos detalhes. E lá estávamos, em frente àquela majestosa construção, com muitas paredes revestidas de ouro, com cortinas de linho puro, o altar onde seriam oferecidos os sacrifícios também todo revestido de ouro, os sacerdotes com roupas confeccionadas conforme a orientação do próprio Deus, até com as roupas de baixo dos sacerdotes Deus se preocupou.

Havia a necessidade de se trazer a Arca da Aliança do Senhor, para dentro do templo. Deus havia determinado que somente os levitas é que poderiam transportar a Arca. Vimos então, o Rei Salomão convocar todos os anciãos de Israel e todos os cabeças das tribos, os príncipes das famílias dos israelitas para os consagrarem, afim de que então pudessem trazer a Arca para o templo. Pudemos então ver os levitas trazendo a Arca da Aliança segurando em seus varais. Que emoção ao ver a cena daquela procissão do povo de Israel. Nós dois seguimos junto com o povo, com alguma dificuldade de nos locomover devido ao número de pessoas que acompanhavam a Arca da Aliança, até que ela foi colocada no santuário mais interior do templo.

O Rei Salomão e todos nós, toda a congregação de Israel, estávamos oferecendo sacrifícios de ovelhas e bois de tão grande número, que não se podia contar!


Aí aconteceu algo que nos deixou extasiados, perplexos, assim de boca aberta como é comum dizer hoje em dia, quando acontece algo que nos deixa maravilhados: Os sacerdotes deixaram a Arca no seu devido lugar e saíram do santuário, os levitas que formaram um grande coral, os cento e vinte sacerdotes tocaram as trombetas em uníssono, então o coral começou a cantar louvores ao Senhor, a render-Lhe graças, porque Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, e naquele momento a Casa do Senhor se encheu de uma nuvem

Quando isso aconteceu o Rei Salomão entendeu que Deus havia cumprido o que prometera a seu pai o Rei Davi. Vimos então o Rei Salomão fazer um discurso ao povo de Israel relatando o que havia acontecido. Foi então que o Rei Salomão pôs-se diante do altar do Senhor e, estendendo as mãos, fez uma linda oração ao Senhor.

Ao terminar a oração aconteceu outra coisa que, de tão maravilhosa foi até difícil de descrever com detalhes. Só quem comprou a “passagem e esteve lá” pôde avaliar a grandeza do acontecimento: Desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a Glória do Senhor encheu a casa se tal maneira que os sacerdotes não puderam nem mesmo entrar na Casa do Senhor, porque a glória do Senhor a tinha enchido. Esse acontecimento foi tão maravilhoso que não ouve quem, vendo o fogo descer do céu daquela forma, não se encurvasse com o rosto em terra, e todos “nós que lá estávamos”, adoramos e louvamos ao Senhor, porque Ele é bom, porque sua misericórdia dura para sempre.

A festa durou sete dias, e por fim a Bíblia relata um acontecimento no qual somente o Rei Salomão participou, 2Cr.7:11 a 22, “A aliança do Senhor com Salomão”. Naquela noite, Deus apareceu ao Rei e lhe disse: “Ouvi sua oração e escolhi para mim este lugar para casa do sacrifício...”

Como eu queria que continuássemos viajando! De propósito não falei que nossa viagem acabaria após a festa da consagração da Casa do Senhor. Agora quero que você compre uma passagem que nos levará alguns anos à frente no tempo. Do mesmo modo que você comprou a passagem da viagem anterior compre uma passagem no livro de Atos capítulo 2.

Dê novamente uma paradinha na leitura do artigo e leia esse capítulo, eu espero você comprar a sua passagem.

No meu tempo de mocidade, havia na TV uma série de filme que chamava “Túnel do Tempo”. Esse túnel teletransportava dois personagens que eram laçados aleatoriamente em algum lugar da terra e em algum ano de nossa história. Fomos sugados por esse túnel e levados para Jerusalém. A cidade estava um alvoroço só. Além de estar abarrotada de gente por ser a data em que se comemorava o dia de Pentecostes, eles haviam crucificado a Jesus há pouco dias .

Andando pelas ruas de Jerusalém passamos em frente a uma casa e notamos que estava acontecendo uma reunião, para a qual fomos convidados. Que alegria ao depararmos com os Apóstolos de Jesus fazendo uma reunião de oração. Vimos Pedro à frente, dirigindo a reunião, vimos assentados ao redor: Tiago, Filipe Tomé, João, o discípulo amado. Ficamos radiantes de alegria ao nos depararmos com aquela cena e nos assentamos no canto. Enquanto eles oravam, nossos ouvidos ouviram um som como de um vento impetuoso que vinha do céu enchendo toda a casa; e de repente apareceram, distribuídas sobre todos, línguas, como de fogo.

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem, até em português os ouvimos falar! De repente, a multidão que estava na cidade, ouvindo aquelas vozes, se dirigiu até lá para ver o que estava acontecendo e como nós dois, todos ficaram perplexos, pois estavam ouvindo o que era dito nas suas próprias línguas e não compreendiam o que estava acontecendo. Pedro tomou a palavra e faz uma pregação, expondo-lhes que aquele acontecimento era a consagração da nova Casa do Senhor! Neste momento, nos lembramos da festa que tínhamos acabado de participar com o Rei Salomão.

Vimos o Rei Salomão consagrar a Casa do Senhor, que ele havia feito de madeira quase toda revestida de ouro, prata e bronze, e que fora destruída no decorrer da história, devido o povo de Israel ter abandonado os caminhos do Senhor, e naquele momento Pedro nos fez relembrar as promessas que Deus havia feito ao seu povo através de seus profetas, que mandaria um Homem que mudaria de vez a história, e que esse Homem era Jesus; aquele a quem eles haviam, há pouco, crucificado. E que daquele momento em diante, o Espírito Santo edificaria uma nova casa e que essa casa ninguém nunca mais poderia destruir, pois Ele habitaria dentro de cada um que aceitasse o sacrifício de Cristo na cruz, que aceitasse que o sangue vertido na cruz nos lava de todo pecado e paga toda a nossa dívida para com Deus. Essa nova Casa do Senhor, edificada pelo Espírito Santo, era a transformação de nosso coração, conforme nos fala o profeta Ezequiel em seu livro, no capítulo 36, verso 26: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne”.


Este é o fim desta nossa viagem, vimos coisas maravilhosas que o povo de Deus viveu, a edificação da nova Casa de Deus e a promessa de Deus se cumprindo com a vinda do Espírito Santo. Mas existe ainda uma outra viagem muito bonita, com certeza a mais maravilhosa de todas as viagens e que talvez você ainda não tenha feito. Ela é a mais importante de todas, pois levará você ao fundo do seu coração. Infelizmente, nesta viagem eu não posso acompanhar você, mas lhe apresento um novo companheiro para essa viagem. Só Ele é que pode lhe acompanhar nessa viagem fascinante! Nessa viagem, vocês vão ver todo o seu passado, ver todas as coisas que você fez, os lugares por onde você passou, com quem andou, poderá também ver até seus pensamentos. Já pensou que viagem fantástica?

Mas... como toda viagem, você tem que ter a passagem para embarcar. Essa passagem, é diferente das outras; você não tem como comprá-la, ela é oferecida graciosamente pelo seu novo companheiro de viajem e que vou lhe apresentar agora: Ele é o Senhor Jesus. O mesmo que foi crucificado, aquele que no sermão feito há pouco por Pedro, foi apresentado como O Salvador de todo aquele que nele crer. Você tem que se encontrar com Ele e dizer a Ele que você O recebe em seu coração. Veja o que o evangelista João diz no capítulo 1:12 “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”.



Não perca essa última festa de consagração da Casa do Senhor. Só existe um meio de você participar, encontre-se, hoje mesmo, com o Senhor Jesus o mais rápido que você puder. Ele está lhe esperando para que vocês comessem a viajar juntos. Essa será a sua última viagem e a mais bela que você vai fazer.

Essa viagem tem como ponto de partida o seu coração. Ele será transformado na Casa do Senhor, temporariamente, enquanto você estiver aqui na Terra. O ponto final dessa viagem é o céu, para onde irão todos os que se encontram com o Senhor Jesus, O aceitam como seu Senhor e Salvador e recebem d`Ele a passagem. O céu, é onde está a sua futura Casa, a Casa do Senhor que nunca mais será destruída e se você fizer essa viagem, com certeza, chegará ao ponto final, onde morará por toda eternidade com Ele.

Espero te encontrar lá! Então, até lá no céu amigo leitor.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Castigo ou Bênção


Quando criança, freqüentando a Escola Dominical, aprendi a ter um relacionamento com Deus na base do medo de ser castigado por Ele quando cometo algum pecado. Quantas vezes eu ouvia “não faça isso senão Deus te castiga”. Hoje, eu acredito que posso me relacionar com Deus de um modo diferente e por pensar assim resolvi escrever esse artigo. Espero que o leitor que, assim como eu, tem essa mesma formação, possa pela leitura desse artigo mudar, ou pelo menos tentar mudar o seu relacionamento com Deus.

Esse relacionamento, que reputo errado, é devido ao emprego de duas palavras muito usadas na Bíblia: Correção e castigo

Antes que você leia o artigo, quero dizer, que na Bíblia, as duas palavras são empregadas em acontecimentos que nos dão a idéia de que o sentido delas é o mesmo, porém o propósito desse artigo é levar o leitor a entender a distinção que faço no emprego das duas palavras que creio, podem nos proporcionar um relacionamento melhor com Deus.

Ainda, hoje, em nossas Escolas Dominicais, ensinam às crianças um corinho que com sua letra tem imprimido em nossa mente, medo de Deus. Veja: “Cuidado pesinho onde pisa o Salvador do céu está olhando para você cuidado pesinho aonde pisa. Cuidado olhinho no ... Cuidado mãozinha... e o corinho sempre nos advertindo, que lá no céu, Deus está a nos vigiar o comportamento e conforme procedemos, Deus age, nos castigando quando nosso procedimento é mal e nos abençoando quando nosso comportamento é bom.

Mediante essa idéia que por mim foi absorvida, fico a pensar: “Se pudéssemos colocar, nosso comportamento bom e nosso comportamento mal, em uma balança, dessas antigas na qual havia dois pratos que em um colocava-se o produto a ser vendido, e no outro o peso para quantificar o produto, da seguinte maneira: Num prato, nosso comportamento “bom” e no outro nosso comportamento mal, tenho até medo de perguntar para qual lado penderia o prato mais pesado”.

Pois bem, quando cantamos esse corinho, de uma maneira simplista, como toda criança canta, sem um bom esclarecimento, sem estar acompanhado de um estudo bíblico, que nos mostre o que realmente acontece quando agimos de forma errada e o que acontece quando agimos de forma correta, podemos gerar ensinamentos errados às crianças como foi no meu caso, e quero crer que em muitas outras crianças que ouviram e aprenderam esse famoso “corinho”.

Hoje sei, que esse é um preço que temos de pagar por sermos “catequizados” pelos missionários americanos. Não culpo nossas professoras de Escola Dominical que, com todo carinho e amor, aos domingos liam a Bíblia em classe e nos contavam histórias de Abraão, Isaque e Jacó, de Moisés tirando o povo de Deus do Egito, de Jonas sendo engolido pela “baleia” e tantas outras. Hoje posso dizer que tenho saudade desses domingos e agradeço muito a essas abnegadas mulheres que, durante a semana eram donas de casa a cuidar de suas famílias e no domingo, nossas professoras de Escola dominical.

Voltando ao assunto: Aprendi, então, que quando eu agia de maneira que desagradava a Deus, Ele me castigava e quando eu agia de maneira que Ele ficava satisfeito, Ele me abençoava. Isso fez nascer dentro de mim um sentimento de pavor, de medo, pois quando eu agia de forma errada eu ficava morrendo de medo de Deus me castigar fazendo com que algo de ruim acontecesse comigo, sentimento que até hoje existe dentro mim, que muito me faz sofrer mas que aos poucos, pela graça de Deus dia a dia vai diminuindo na medida em que vou crescendo no conhecimento da Palavra de Deus.

A coisa não é bem assim. É certo que Deus nos “castiga”, quando precisamos de uma correção e também nos abençoa quando ele quer e não em função do nosso proceder. Eu não gosto muito desse termo “castigo”, pois me vem na memória alguém irado e fazendo uso de seu poder de maneira desproporcional e sem controle, descarregando toda sua fúria em quem, geralmente é mais fraco, por ter agido de forma que o desagradasse.

Graças a Deus, hoje, já consigo ver as coisas um pouco diferente. Quando trago à minha mente fatos narrados na Bíblia que nos dão uma idéia de que Deus “castiga”, (vou me permitir usar esse termo com o objetivo de mostrar o porque não gosto muito dele) como o narrado no evangelho de João capítulo 9: 1 a 7, onde o Senhor Jesus e seus discípulos encontram um homem cego de nascença. Seus discípulos perguntam ao Mestre: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”

Vejam que até entre os discípulos de Jesus havia a idéia, o conceito de que, aquilo de mal que acontecia a uma pessoa era proveniente de um pecado cometido e com um agravante: o pecado não precisava ter sido cometido necessariamente pela pessoa, mas poderia ter sido cometido por um de seus pais, conceito hoje muito difundido entres os adeptos da doutrina da “Maldição hereditária”, assunto que fica para uma outra oportunidade.

Após esse questionamento seguindo o texto, o Senhor Jesus nos mostra que aquilo que nos acontece, não necessariamente é proveniente de pecados ou de boas ações praticadas por nós. Veja a resposta do Senhor Jesus: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus. Logo a seguir o Senhor Jesus o curou."

Outro exemplo bem marcante, para mim, foi a trajetória da vida de Paulo, que eu gostaria de dividir em duas etapas.

A primeira: Foi quando, após o encontro do então Saulo com o Senhor Jesus, na estrada de Damasco, narrado em At. 9:1 a 16, ele ficou como que cego e seguindo as orientações do Senhor, acabou indo se hospedar na casa de Judas. Veja, que no versículo 16, o Senhor diz a Ananias que ele deveria ira à casa de Judas orar por Saulo. Ananias ficou com medo de ir se encontrar com Saulo pois sabia que Saulo estava à caça dos que se convertiam ao evangelho. O Senhor Jesus diz a Ananias no vers. 15 e 16 : “Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.”

Veja, que no plano de Deus, apesar de Paulo ter sido o escolhido por Ele para ser Seu instrumento para a pregação do evangelho, o Senhor Jesus fala a Ananias, que Paulo haveria de sentir o quanto era importante sofrer pelo nome de Jesus. Esse sofrimento não era condicional ao comportamento de Paulo se bom ou mal.


A segunda: Foi que Deus colocou um espinho na carne de Paulo e aproveito para chamar a atenção do leitor com que finalidade Deus fez isso, II Cor.12:7, afim de que Paulo não se exaltasse.

Tendo em vista os exemplos, usados acima, podemos assim dizer que Deus fez uso de fatos e acontecimentos, que podem nos parecer à primeira vista um “castigo”, mas que na verdade foram bênçãos para a vida tanto do cego quanto de Paulo. Esses exemplos nos ensinam que Deus agiu e age na vida de seus filhos somente para o bem, mesmo que isso nos pareça que estamos sendo “castigados”.

E quero, como subsidio à minha tese, citar mais um versículo muito famoso, que todos sabemos de cor: Rm.8:28 “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. É aqui que vejo claramente o porque que o termo “castigo” não me agrada, pois sei que tudo o que acontece comigo, mesmo aquilo que me parece ser um “castigo” de Deus, não é um “castigo”, mas sim, Deus fazendo uso de sua misericórdia para fazer cumprir em mim seu plano para minha vida.

Creio que Deus castiga, a quem não é seu filho, pois não foi por estes que o Senhor Jesus morreu na cruz, pagando a dívida do homem para com Deus desde a queda no paraíso. Aos que são salvos, pelo precioso sangue derramado na cruz, Deus corrige. Portanto quando estamos sendo corrigidos por Deus, devemos dar a Ele graças pela correção e não ficarmos revoltados e brigando com Ele. Infelizmente devo confessar que eu ainda me pego brigando com Deus e aí sofro bastante.

Entendo também, que existem aqueles que vivem sendo repreendidos e não se dão conta disso devido à sua insensibilidade quanto à vontade de Deus para suas vidas, O qual, por Seu imenso amor, não desiste e continua agindo para trazê-los de volta ao aprisco o que fatalmente acontecerá independe de qualquer coisa, pois os propósitos de Deus não podem ser frustrados ( Pv.19:15 e Pv.16:1)

Diante do exposto, concluo que Deus, fazendo uso de sua misericórdia, corrige aos que são seus filhos, e não os castiga e que essa correção os faz crescer tanto espiritualmente quanto como pessoa humana, no convívio com os seus semelhantes, por isso é que considero a correção uma benção e não um castigo.

Espero, em Deus, que a cada dia Ele mude o meu modo de agir e sentir, e de todos que, assim como eu, têm medo de serem “castigados”. Tenhamos em mente que, o que Deus faz conosco não é “castigo” e sim, uma repreensão, afim de que nossa vida seja cada dia mais digna de sermos seus filhos.

sábado, 20 de março de 2010

A vida com Jesus


Quero neste artigo comentar a letra do hino “A vida com Jesus”. Sabe um daqueles dias em que a gente lê a Bíblia e um versículo do texto que estamos lendo nos chama a atenção? Já o lemos por várias vezes, já ouvimos sermões tendo com base o tal versículo, mas naquele belo dia Deus, na sua infinita misericórdia, nos fala de modo todo diferente e nos mostra algo que nunca tínhamos visto até então!

Creio que isso acontece, também, com os hinos. Vamos à igreja, abrimos o nosso hinário e cantamos nossos hinos. Hinos que já conhecemos a ponto de até cantá-los de cor, mas um certo dia, ao cantarmos um determinado hino ou ao ouvi-lo, somos tocados de uma maneira toda diferente.

O que acabo de relatar aconteceu comigo no dia 23/01/2010. Lá pelas 2 ou 3 horas da manhã perdi o sono e peguei meu MP4 e comecei a ouvir um coral, possivelmente, de coreanos, lógico que cantando em português! Um dos hinos era “A vida com Jesus”. Passei o dia inteiro com a letra dele na mente pois é um hino que canto desde minha mocidade no conjunto coral de nossa igreja. Naquela madrugada a letra desse hino teve um significado diferente para mim.

Pode ser que, o que eu vou colocar aqui nesse comentário, pareça óbvio para muitas pessoas, porém senti vontade de compartilhar com as pessoas, que por ventura venham, acessar o meu Blog saibam o que Deus me “falou” quando ouvi esse hino na madrugada de terça-feira.

A primeira estrofe diz: “Um dia Cristo achou-me mui longe do meu lar, perdido, já no mundo, sem mais poder voltar! tomando-me em seus braços, firmou-me nos meus passos, e agora andamos juntos, voltando para o lar.”

Fiquei pensando na minha vida, de como o Senhor teve e tem misericórdia em me fazer perceber que, realmente foi Cristo que foi ao meu encontro e “me achou”, não que eu estivesse perdido como uma coisa que a gente perde, não sabe onde está e sai procurando a esmo para ver se achamos aquilo que perdemos. O Senhor Jesus sabe perfeitamente onde cada um de nós está, por isso não sai a esmo nos procurando. Ele vai ao lugar certo para nos resgatar. Só que eu estava longe do meu lar embora sendo criado na igreja desde a tenra idade, sim fui, um dia “achado” por Cristo longe do lar. Fiquei pensando em quantos ainda estão numa situação como a que eu estava, quantos perdidos dentro da igreja, e que inda não tiveram um encontro real com Cristo, e que precisam ser “tomados pelos braços” pois encontram-se sem forças para voltar. Foi aí que meu coração ficou com um misto de alegria e tristeza por eu ter sido “achado” quando tantos outros ainda não. Pude, primeiro, trazer à memória as vezes que, sei que fui carregado, quando não mais podia andar. Saber que os Seus braços me seguraram, me ampararam até que eu firmasse os passos para que pudéssemos, agora andar juntos voltando para o lar.

O Coro diz: A presença de Jesus enche o coração de luz! Mui preciosa fica, e também mais rica esta vida com Jesus.

Quando o Senhor Jesus enche nosso “coração de luz”, o nosso viver é transformado, é certo que não deixamos de ter problemas, mas os enfrentamos de maneira diferente das demais pessoas que não têm o Senhor Jesus em seus corações. As vicissitudes da vida, por vezes nos fazem sofrer, nos angustiam, mas a presença de Jesus em nosso coração faz com que nosso proceder diante dos sofrimentos e das angústias dessa vida seja para enriquecimento do nosso viver e do nosso relacionamento com Jesus.

A segunda estrofe diz: Passamos pelo vale a fim de me provar, em meio a densas trevas que impedem-me o andar! Não há nenhum perigo, pois já está comigo o excelso Companheiro, voltando para o lar.

Aqui me veio à lembrança do Salmo 23 quando o salmista Davi diz no versículo 4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. O que é vale da sombra e da morte? Creio que para nós, hoje podemos dizer que estamos atravessando o vale da sombra da morte quando o Senhor permite que passemos por problemas, dificuldades afim de nos provar. Recordo-me de um dia que estudando em classe de escola dominical levei várias pedras preciosas. Primeiro distribui aquelas que ainda não tinham passado pelo processo de lapidação. Dei um certo tempo para que aqueles que estavam participando do estudo examinassem aquelas pedras e só depois de algum tempo distribuí as lapidadas com objetivo de que eles pudessem, de uma forma mais prática, terem em mente a transformação que ocorre quando a pedra é submetida ao processo de lapidação, que consiste em friccionar a pedra em uma roda que contém um produto que é capaz de, através dessa fricção, fazer com que a pedra adquira um brilho tal que a transforme em uma jóia. Creio que Deus em sua infinita sabedoria faz uso desse processo com seus filhos; os submete à fricção da roda da vida afim de que adquiram o brilho para que sejam então uma jóia do Senhor. É nesta hora que precisamos ter consciência de que “não há nenhum perigo, pois está comigo o excelso Companheiro” nos fazendo voltar ao lar. Eu devo admitir, não nego, e com muita vergonha, que na maioria das vezes sinto uma enorme dificuldade de usufruir a benção e o consolo de ter a certeza que realmente “não há nenhum perigo, pois já está comigo o Excelso Companheiro”, quando sou levado a passar “pelo vale a fim de me provar”. É lamentável, pois quando isso acontece, nós sofremos horrores sem nenhuma necessidade. Quanto sofrimento inútil. Sofremos por não confiar nas maravilhosas promessas de nosso Senhor Jesus Cristo.

A terceira estrofe diz: Entramos na atmosfera que envolve aquele lar, no qual meu Pai me aguarda e é onde vou morar! Não há no mundo inteiro um outro Companheiro que mostre tanto zelo, voltando para o lar.

Nesta estrofe entendo que o compositor faz uma referência ao Lar Celestial, o qual nós já podemos começar a desfrutar aqui na nossa vida terrena. Pela fé, já podemos antever as maravilhas que veremos lá no céu, ao encontrarmos com nosso Pai Celeste. Quando pensei nisso outra imagem veio a minha mente. No livro de Lucas 15:11, o Senhor Jesus conta uma parábola que denominamos de “A parábola do filho pródigo”. No versículo 20 quando o jovem, depois de viver dissolutamente, é convencido pelo Espírito Santo a voltar à casa do pai e este por sua vez quando avistou o filho, ainda longe, correu ao seu encontro o abraçou e o beijou, mandou a seus servos que trouxessem a melhor roupa, preparassem um banquete pois o filho que se havia “perdido” voltara ao lar. Somente através da operação do Espírito Santo em nossa vida podemos vislumbrar, mesmo que uma maneira bem tosca, devido ao pecado que habita em nós, a beleza e a grandiosidade dessa cena. Faça nesta hora uma pequena pausa na leitura deste artigo, feche os olhos, os olhos da fé, e veja a cena se passando à sua frente. Aquele jovem mal vestido, com a roupa toda suja pois cuidava de porcos, possivelmente cheirando mal, vindo constrangido, cabisbaixo, sentindo o peso de sua má decisão em abandonar a casa do pai, que sofrimento, que angústia deveria existir dentro de seu coração! Agora veja o pai saindo de dentro de sua casa e ao levantar os olhos vê ao longe o filho naquela situação. Ele não pensa duas vezes, na verdade ele nem pensa, de pronto sai ao encontro do filho que estivera por um bom tempo longe, perdido e que agora voltava à casa do pai sem saber se este o receberia. Veja seu pai correndo, com toda a pressa que podia colocar em suas pernas, de braços abertos, por certo com um grande sorriso nos lábios, com uma alegria que não dava para ser contida, indo de encontro ao filho a quem tanto amava. Não faz nenhuma pergunta ao filho, não impõe nenhuma condição para recebê-lo, simplesmente o abraça, o beija e feliz como nunca estivera antes, leva o filho para dentro de casa.

Como somos ingratos para com esse Pai que tanto nos ama! Nos ama a ponto de mandar seu único Filho a morrer por nós, a fim de que Ele nos receba novamente em sua casa, para que possamos receber a benção do reencontro com Ele, para sermos, por Ele, abraçados, beijados e purificados das roupas sujas, do mau cheiro do pecado que está impregnado em nós.

Logo no começo do artigo faço menção aos que estão perdidos dentro da própria casa do Pai e aqui, ainda no texto de Lucas encontramos a comprovação dessa verdade. O filho mais velho estava tão perdido quanto o que saiu de casa, estava tão longe de pai quanto ao irmão que viveu em terras distantes. Que tristeza meu Deus ao constatar essa verdade! Quantos, hoje, ainda vivem dentro da “casa do Pai” porém completamente perdidos, sem saber até o rumo da “casa do Pai”, sem forças para se levantar afim de voltar à “casa do Pai” e serem por Ele recebidos e restaurados como filhos amados assim como aconteceu, na parábola, e acontece com todo o filho que volta para se encontrar com Pai .

Suplico a Deus nosso bondoso e amoroso Pai que trabalhe nos corações desses filhos erguendo-os, firmando-os nos seus passos e se for o caso até levando-os no colo de “Volta ao Lar”. Amem

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Presbiterianismo ou Torre de Babel?



No capítulo 11 de do livro de Gêneses, a Bíblia, registra no verso 1 que : “Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e só uma maneira de falar” e nos versículos seguintes temos o relato da Torre de Babel e de como Deus agiu diante dos planos das pessoas que viviam naquela localidade.

Quero neste artigo comentar como tenho visto a igreja Presbiteriana do Brasil de nossos dias.

Antes de tudo quero dizer que existem as exceções e que dou graças a Deus por elas, porém a grande maioria delas, de presbiteriana, só tem nome.

Quando entramos em uma igreja presbiteriana para participar do culto, entramos confiados no que está escrito, lá fora, “Igreja Presbiteriana do Brasil”. Só que quando o culto começa surge em nossa mente: “Será que entrei por engano em uma igreja de outra denominação?” Ao depararmos com a forma com que o culto é celebrado não dá para sabermos a que denominação pertence a igreja na qual entramos, não sabemos se é da Universal, se é da Deus é amor, se é da Internacional da Graça de Deus e por aí vai, pois em seus cultos acontece de tudo.

O dito momento de louvor é um apêndice do e no culto, como se as outras partes do culto não fossem, também, um louvor a Deus. O dirigente manda a congregação ficar em pé para cantar e outras coisas mais...., o que geralmente dura uns 15 minutos; Coitados dos idosos, de outros que tem problemas físicos e que não podem ficar tanto tempo em pé! O gestual das pessoas demonstra uma espiritualidade a toda prova. As letras desses cânticos, em sua esmagadora maioria, são uma afronta à doutrina presbiteriana e às boas regras do nosso português. Porém, quando se cantam os hinos, as mesmas pessoas têm um comportamento completamente diferente, aí aquela participação “fervorosa” dá lugar a uma participação completamente sem aquele sentimento de “fervor” e grande parte nem canta.

Há também a turma que só canta hino, como se eles fossem a ultima palavra em música sacra. Conheço um membro de uma igreja presbiteriana que um dia me disse que ele entendia que a “hinologia”, termo usado por ele, deveria estar em mesmo pé de igualdade ou até mesmo superior à nossa Confissão de Fé de Westminster.

Devo confessar que, para meu gosto, as letras, músicas e poesia contidas nos nossos hinos são de longe muito mais inspiradoras do que das outras músicas. Confesso também que existem músicas, cantadas em nossas igrejas, que são de igual forma inspiradoras, mas para minha tristeza é a minoria delas.

Existem igrejas que possuem um “Ministério da dança”. Um grupo de moças, digo moças por não ter notícia de que os moços também fazem parte deste “ministério”, ficam lá no púlpito dançando sem que seus gestos façam qualquer ligação, do participante do culto, com o que está se cantando e principalmente com Deus; o que presumo, deveria ser esta a intenção dos seus idealizadores. Prática que a Igreja Presbiteriana já se pronunciou contrária ( vide link: http://www.executivaipb.com.br/Digesto/valida_digesto_incompleto.asp - CE-2008- Doc. 132 - CE-SC/IPB-2008 – Doc. CXXXII ) documento este que trata e condena também o uso de palmas durante os cânticos, quanto mais o bater palma para Jesus; não se assuste isso já existe em igrejas que se dizem presbiterianas

As outras partes da liturgia são elaboradas afim de levar a pessoa que está participando do “culto” a um estado emocional em que fica incapaz de raciocinar, veja que a Bíblia nos exorta, em Rom. 12:1, o contrário, e acaba por fazer aquilo que o dirigente comanda, lá de cima do púlpito, como se fosse um animador de auditório.

Os sermões por sua vez, pelo seu conteúdo e profundidade, nos dão a impressão de que o pregador não levou nem 30 minutos para prepará-lo. Se ele, o pregador, disser que gastou esse tempo ou mais, mais preocupado ficarei por ver quão despreparado está para assumir o púlpito de uma igreja. No livro, O pregador sua vida e obra, o pastor John Henry Jowett escreve a jovens pastores, recém ordenados ao ministério, dando conselhos de como devem conduzir sua vida, como pastor de almas em uma igreja. Em um de seus capítulos ele chama a atenção para o dever do pastor de não pregar um sermão antes de gastar tempo, muito tempo, lendo o que escreveu, meditando sobre o que escreveu, pesquisando vários autores, e só após ter passado por esses pontos, aí sim fazer a pregação de tal sermão.

Hoje, temos pastores de igrejas presbiterianas que incentivam seus membros, a levarem a chave de sua casa, para ser consagrada, afim de que suas casas sejam, também, consagradas, fiquem livres da atuação de satanás por que a suas chaves foram consagradas. Quando o correto seria incentivar a seus membros que se consagrem para que suas vidas sejam uma vida de testemunho da Palavra de Deus e que através do testemunho de suas vidas outras pessoas sejam salvas.

Outro artifício que tem sido usado pelos pastores em geral é o famoso “data show”. Que desastre! É sem dúvida uma ferramenta didática excelente, lógico que, quando bem usada. Os pastores e líderes que normalmente usam esse recurso, nunca fizeram um cursinho básico de informática, para não dizer em um curso de didática, que incluem em seu conteúdo, como se fazer uma apresentação no PowerPoint. Aí você não sabe se presta atenção no que o dirigente está falando ou naquele “negócio” que está sendo apresentado na tela. Estou dizendo só isso para não comentar a apresentação de alguns clipes, que alguns pastores usam, que chegam a ser uma profanação do culto e por que não dizer do templo. O uso dessa ferramenta, como vem sendo usada, tem demonstrado quão despreparados nossos pastores estão.

Aqui em Governador Valadares, um pastor que pastoreava a 1ª. Igreja Presbiteriana ouviu de um dos pastores da Assembléia de Deus que a Igreja Presbiteriana estava pegando aquilo que sua denominação estava jogando no lixo.

É lamentável o que vem acontecendo no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil. Os nossos seminaristas, em sua grande maioria sustentados pelas igrejas das quais foram membros, passam 4 anos nos nossos seminários e ao saírem de lá se comprometem a seguir as doutrinas presbiterianas, de se sujeitarem às decisões dos concílios superiores. Só que quando assumem o pastorado de uma igreja, fazem o que bem querem, à revelia de tudo aquilo que ele se comprometeu a seguir ou seja, as doutrinas, reconhecer que elas são a fiel interpretação do texto Sagrado e quanto às decisões dos concílios superiores nem tomam conhecimento.

Aí fico a pensar: “Será que Deus está fazendo conosco o que falou que faria ao povo de Israel quando entrassem na terra prometida (Dt. 13: 1 a 4) ou será que já está acontecendo o que está profetizado em II Timóteo 4:3 ou as duas coisas juntas”?

Que Deus continue e ter misericórdia de nós, fazendo com que seu Santo Espírito nos dê o verdadeiro discernimento de sua vontade para que não abandonemos a sã doutrina e que a cada dia possamos crescer no conhecimento revelado na sua santa Palavra.