Mat. 26: 51 E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão,
sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou- lhe a orelha.
56 Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as
Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram.
Dando continuidade ao artigo “Os paradoxos de Pedro” vamos
ver o segundo, o paradoxo da “coragem covarde” .
Ainda no Getsêmani após orar, Jesus acorda os discípulos e
lhes revela que o traidor se aproximava sendo logo preso pelos guardas do sumo
sacerdote.
Então o Apóstolo Pedro saca da espada e, com um golpe, corta a
orelha de um dos guardas. Jesus prontamente o repreende, mandando-o guardar a
espada, se entrega, e logo após os discípulos fogem.
O Apóstolo Pedro momentos antes, havia sido repreendido três
vezes por Jesus, por estar dormindo enquanto ele, angustiado, sofrendo em seu
espírito, orava.
Vimos no artigo anterior que Pedro estava ausente de
espírito no Jardim e agora em uma demonstração de pseudo coragem é novamente
repreendido por Jesus, mandando-o guardar a espada.
Que coragem é essa que faz Pedro sacar da espada e intentar
contra a vida de um dos soldados?
É nessa hora de aflição de Jesus que ele nos ensina que a
verdadeira coragem é aquela que aceita a aflição e não tenta fugir dela.
Jesus
sabia que era preciso passar por elas, sabia que não poderia sair do Jardim das
Aflições sem passar por elas. A verdadeira coragem é aquela que sabe que temos
de passar pelas aflições e as enfrenta, ao invés de fugir dela. Não é uma questão
de masoquismo, masoquismo é outra coisa, é uma doença.
A atitude de Pedro, aparentemente foi de coragem quando na
verdade, foi de covardia. Ele estava com medo de enfrentar as aflições pelas
quais teria de passar e a prova de que ele estava com tanto medo é que, logo
após levarem a Jesus preso, fugiu com os outros.
O rei Davi declara no Salmo 119, versículo 71 que foi lhe
bom ter passado por aflições para que ele aprendesse os decretos de Deus. As
aflições quando vividas sob a dependência de Deus são bênçãos em nossa vida,
elas são instrumentos Deus para nos fortalecer a fé.
Nas aflições temos dois caminhos a seguir ou enfrentamo-la
ou fugimos dela.
O ato de fugir da aflição diz que não confio em Deus para
guiar minha vida, é dizer a ele que ele está sendo injusto, covarde e até
mesquinho fazendo-nos passar por elas, contudo, quando submisso à vontade de
Deus e sob sua orientação enfrentamo-la, o final é glorioso. Só conhecemos o
sabor da vitória quando lutamos e vencemos.
Conheço uma ilustração que pode muito bem ser aplicada:
Certo homem reclamando com Deus que ele o havia abandonado no momento de sua
aflição, ouve de Deus o seguinte: “olha para traz o que vês? “ Vejo a marca de
duas pessoas caminhando juntas e logo uma marca desaparece mostrando que uma
pessoa parou de andar e, mais adiante a segunda marca reaparece. Deus então
pergunta ao homem: “Sabe o que significa? As marcas são nossas, mas quando você
vê só uma marca no chão, nesse momento eu te carregava, pois sabia que não
tinhas condições de andar nesse momento. Foi justamente durante suas aflições.”
O Senhor Jesus sabe bem, que passar por aflições é sofrido,
é doloroso, e talvez a maior dor é o abandono de nossos amigos. Essa dor Senhor
Jesus sentiu.
Em nossa vida diária passamos por vários momentos como o de
Pedro.
Qual tem sido nosso comportamento? Ficamos com Jesus ou fugimos?
Continua.
