
...Continuação
“e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal”
Quero começar esse texto fazendo um questionamento.
Você já se perguntou por que o Senhor Jesus ensinou a pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentação, em vez de pedir que nos livre da tentação? Não seria mais fácil para nós ficarmos livres da tentação? Assim não cairíamos nela!
Sei que muitos vão se chocar com o que vou escrever nesse comentário, porém não posso deixar de ser sincero comigo mesmo e com o que creio.
A primeira frase, “e não nos deixes cair em tentação”, admite outra tradução e que segundo meu ponto de vista vem clarear mais o assunto.
Quando conversando sobre como entender o que lemos na Bíblia, tenho o costume de dizer que precisamos parar de ler a Bíblia, dou um tempinho para ver as reações das pessoas e logo termino a frase dizendo que precisamos estudar a Bíblia, o que convenhamos, é muito diferente.
É o caso específico da frase “e não nos deixes cair em tentação”. Consultando alguns comentários bíblicos pude ver e aprender que a expressão é melhor traduzida tal qual está na versão Revista Corrigida (RC) que traz a tradução assim: “e não nos induza à tentação”.
Confesso que tomei um susto quando, estudando para escrever esse artigo, me deparei com o que acabo de escrever acima e quero crer que muitos também vão se assustar. Dando continuidade aos meus estudos pude ver que a tradução RC entra em consonância com outros textos bíblicos.
Vou mencionar alguns: O Senhor Jesus, depois de batizado, foi levado pelo Espírito Santo para o deserto para ser tentado. O Apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios em sua segunda carta diz que ninguém é tentado além de suas forças. No Antigo Testamento, no livro do Deuteronômio, Deus alerta a seu povo dizendo que colocaria falsos profetas no seu meio para testá-los.
Portanto quando lemos “não nos induza à tentação”, creio ser mais fidedigno à intenção do Senhor Jesus quando disse essa frase, por mais estranho que nos possa parecer.
Outro aspecto que temos que levar em consideração, é que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, portanto a nossa tentação não está excluída de todas as coisas. Como então a tentação coopera para nosso bem? Poderia alguém questionar.
Entre outras coisas, a tentação na forma de tribulação, por exemplo, coopera para nosso bem, produzindo em nós a perseverança e esta, por sua vez, produz experiência, que produz esperança, promovendo em nós crescimento espiritual.
Com a intenção de ajudar-nos a entender melhor essa questão, imagine um pai, em uma calçada movimentada, ensinado a seu filho a dar seus primeiros passos nessas condições. Ele, deliberadamente, o segura pela mão, e o conduz para que aprenda a andar sobre pisos irregulares, a se desviar de buracos e das pessoas, porem quando chegam ao momento de atravessar a rua, o pai, zelosamente, toma seu filho ao colo pois sabe que seu ele ainda não está preparado para tal.
Portanto ao orarmos pedindo que “não nos deixe cair em tentação; mas nos livre do mal” é muito mais do que o que as meras letras expressam.
Continua…
2 comentários:
Prezado irmão,
Parabéns pelo texto. Com poucas palavras conseguiu falar muita coisa. Ser conciso é dom que busco! Ao ler este texto me lembrei das discussões em sala sobre o tema e das dúvidas levantadas. Quando começamos a trabalhar com textos originais nos deparamos com algumas pérolas. Um forte abraço e que Deus abençoe você e todos os seus leitores. Josué Francisco.
Com certeza os leitores que acompanham suas mensagens, a cada uma delas, ficam extasiados com as suas considerações. São assuntos, sempre pertinentes e, nem sempre são explorados pelos nossos pastores. Meus parabens e, que DEUS continue te usando para este fim, a que foste chamado. Um abraço...Uriel
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