domingo, 24 de janeiro de 2016

Estou com "dó" de Moisés


Estou terminando a leitura do livro Deuteronômio e percebo que estou com “dó” de Moisés.

Deuteronômio é o último discurso de Moisés, às margens do rio Jordão, quando o povo já havia peregrinado por 40 anos no deserto e só faltava atravessar o rio para entrar na terra prometida.

Quando cheguei no capítulo 3 versículos 25 e 26 me deparei com o seguinte pedido de Moisés a Deus: “25 - Rogo- te que me deixes passar, para que eu veja esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa região montanhosa e o Líbano.” Sabe qual foi a resposta? 26 – “Porém o SENHOR indignou- se muito contra mim, por vossa causa, e não me ouviu; antes, me disse:Basta! Não me fales mais nisto.” Continuando a ler o livro percebo um Moisés com uma fala mansa, amorosa, daquelas de um pai, já com seus 120 anos, aconselhando seus filhos em qual caminho eles deviam andar.

Um pouco mais na leitura encontramos Moisés dizendo ao povo que ele não entraria na terra prometida por ter desobedecido ao Senhor, e como se deu isso?

No livro de Números no capítulo 20, no versículo 2 encontramos o relato de que o povo havia parado na região de Meribá, lugar onde não havia água para beber, então o povo se revoltou, mais uma vez, contra Moisés por estarem com sede e sem água.

À primeira vista, seria mais uma de tantas outras revoltas do povo. Moisés já deveria estar acostumado e ter reagido como das outras vezes, contudo, não foi assim. Moisés se irritou de tal maneira, que desobedeceu a Deus batendo seu bordão na rocha para que saísse dela, água, em vez de dar uma ordem como o Senhor havia dito para ele fazer.

Creio que um dos motivos que me levaram a sentir “dó” de Moisés é saber que nos versículos anteriores à revolta do povo, por falta d´água, encontramos o relato da morte de Miriam que era a irmã de Moisés. Essa Miriam, foi a irmã que ficou vigiando o berço de Moisés, ainda nenê, no rio quando ele foi retirado pela filha de Faraó, ela é quem correu e disse à princesa que, se ela quisesse, ela arrumaria uma hebreia para cuidar da criança e, por certo, Moisés sabia dessa história.

Nos relatos bíblicos não temos nem um momento em que Moisés pudesse chorar a perda de sua irmã, pudesse relembrar aquilo que sua irmã havia feito por ele, entretanto, o que encontramos é Moisés, logo após a morte de sua irmã, lidando com mais uma revolta do povo.

Tenho pensado nessa situação, sua consequência, e vejo que podemos tirar pelo menos uma lição para nossa vida.

Nossa obediência a Deus não pode ser fruto das circunstancias, pelas quais estamos passando, não pode ser fruto do nosso estado emocional do momento. Temos que ser obedientes a Deus incondicionalmente.

Sei que é muito difícil ser obediente quando as circunstancias me dizem para não ser, sei que é muito difícil ser obediente quando estou fragilizado emocionalmente. Nessas horas, o que nós queremos é nos ver livres desses momentos, pois, eles nos trazem dor, angustia e até uma certa dose de desespero, fazendo com que tenhamos atitudes que não teríamos em caso de normalidade.

O maior mérito está em obedecer quando tudo diz para não obedecer, pois, que mérito existe em obedecer quando esta obediência não nos exige renuncia, não nos exige submissão?

Creio que a cada dia que passa ser obediente está ficando mais difícil. Estamos vivendo em uma sociedade cada vez mais rebelde, onde o que se ensina é o bem estar a qualquer custo e, para alcançarmos nossos objetivos, os fins justificam o meio.

Sejamos, pois, obedientes a Deus incondicionalmente.