domingo, 13 de outubro de 2024


                GRATIDÃO II

No mesmo dia em que publiquei o artigo sobre “Gratidão”, no final da tarde, já começando a anoitecer, um outro aspecto sobre gratidão me veio à mente e quero compartilhar com vocês.   

O texto no qual fiquei pensando se encontra no Evangelho de Lucas, capítulo 17 a partir do versículo 11 que recebe o título de “A cura dos dez leprosos”

Nele encontramos o Senhor Jesus a caminho de Jerusalém, quando de repente surgem à sua frente dez homens leprosos. Os leprosos naquela época eram expulsos de casa e da cidade onde moravam, pois, a lepra era considerada uma praga, sendo impedidos de conviver em sociedade.

Gosto muito de fazer um exercício de me colocar na cena do episódio e peço que você faça isso junto comigo agora.

Jesus sempre teve ao seu redor muita gente, devido à sua fama de curar as pessoas e nós fazíamos parte dessa comitiva, que é tomada de surpresa com o aparecimento daqueles homens, fazendo com que toda a comitiva parasse sem saber o que fazer. Quando chegaram a uma certa distância, eles gritaram:” Jesus, Mestre, compadece-te de nós!”

Nesta hora ficamos olhando para eles e para Jesus sem saber o que poderia acontecer. Vamos parar um pouquinho a cena e já retornaremos a ela a seguir.

Será que é engano meu ou isso tem acontecido com muita frequência nas igrejas espalhadas pelo mundo afora?

Os líderes religiosos, em determinado momento da celebração, começam a chamar as pessoas que estão enfrentando alguma dificuldade e até parece uma estratégia, começam a nominar essas dificuldades: problema familiar, problema com a saúde e tantas quantas for preciso para sensibilizar a plateia para irem até eles, com o objetivo de suplicarem a Deus a solução para suas dificuldades.

Vamos voltar à cena que estávamos “presenciando”. Sem deixar que alguém tomasse qualquer atitude hostil, Jesus imediatamente dá uma ordem a eles: “Ide e mostrai-vos aos sacerdotes”. Se apresentar ao sacerdote era uma exigência legal e religiosa para o povo judeu, pois ele é que daria a sentença se de fato o enfermo estava curado ou não. Vimos aqueles homens se virando e indo a toda pressa para se apresentarem ao sacerdote. Eles nem mesmo se olharam para conferir se estavam de fato curados, nem mesmo falaram um muito obrigado.

Eis que um deles em determinado momento se olha e reconhece que fora curado, pára e volta até Jesus dando glórias a Deus pela cura de sua enfermidade. Nesse momento somos tomados de surpresa com as perguntas de Jesus: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?

Voltemos aos dias atuais. Em qual grupo de pessoas você parece estar? Com os nove ou com aquele que voltou? Outra coisa que me incomoda é que nas igrejas, salvo alguma exceção, não encontramos espaço para “esse estrangeiro”, não há espaço para agradecermos a Deus a cura de nossa enfermidade, seja ela de que natureza for.

Caro leitor, pare e olhe para você, assim como eu também preciso fazer, mas não veja só sua “lepra” aparente, veja a que está interna e que só você e Deus sabem que existe, vá até Jesus, ele, só ele, é quem pode te curar e volte dando glórias a Deus pela sua cura.

Pode até parecer fácil agradecer a Deus quando somos alvo de sua maravilhosa bondade, entretanto só um voltou.