sábado, 14 de junho de 2014

Bem-aventurados os misericordiosos, ...

Essa bem-aventurança é um divisor de águas. Até aqui as bem-aventuranças se referiam ao interior do homem e a partir daqui, começamos a ver as ações do homem. Como o Rev D.M.Lloyd Jones disse, e eu concordo com ele, que o Senhor Jesus não enumerou as bem-aventuranças a esmo, e sim, de uma forma tal como elas devem se suceder no homem transformado pelo Espírito Santo.

Em toda a Bíblia, a primeira ênfase relacionada ao homem, é dada ao ser e não no fazer. A Bíblia se preocupa primeiramente com o interior do homem, para depois se preocupar com suas ações. Será isso por acaso, ou há uma razão de ser? O Ser, homem, transformado pelo Espírito Santo, não é uma espécie de camada de verniz que se passa nos móveis. De uma forma análoga não são as ações que dizem que o homem foi transformado, mas sim o seu caráter, o seu interior, as ações são reflexos da motivação que existe em seu interior.

Permitam-me começar dizendo o que não é ter misericórdia de alguém: Ter misericórdia, não é ser complacente com o erro, fingir que não sabe do erro, ou simplesmente dizer coitado, isso é ser conivente com o erro. Independente do conceito que temos de misericordioso, temos que levar em consideração que Deus é misericordioso e é esse conceito de misericórdia que nos interessa.

Sempre ouvi e disse que misericórdia é graça imerecida, contudo, o Rev D.M.Lloyd Jones cita uma definição muito interessante e a transcrevo aqui: “A graça é especialmente vinculada aos homens, em seus pecados; mas a misericórdia associada aos homens, em sua miséria. Em outras palavras, enquanto a graça condescende diante da questão do pecado como um todo, a misericórdia contempla especialmente as miseráveis conseqüências do pecado. Isso posto, a misericórdia realmente aponta para um senso de compaixão, de parceria com o desejo de aliviar os sofrimentos. Esse é o sentido especial da qualidade da misericórdia: dó em parceria com ação. Assim sendo, o misericordioso é alguém dotado do senso de piedade. A sua preocupação com a miséria sofrida por homens e mulheres produz nele o intenso desejo de aliviá-los.”

Diante do exposto fica-nos bem claro que realmente só poderemos ser misericordioso se passarmos pelos outros degraus da escada, pois, só saberemos exercer a misericórdia se já fomos humilhados, se já choramos, se já fomos feitos mansos e se tivermos fome e sede de justiça, só assim entenderemos a real situação do homem sem a salvação, só assim teremos todas as condições de exercer misericórdia.

Como podemos notar, a misericórdia não é algo que podemos alcançar por nossos próprios esforços, o pecado tirou-nos essa capacidade de aliviar alguém de seu erro para conosco, o que nós mais queremos é nos vingar, é ir à forra, é fazer ao outro muito mais do ele nos fez.


Termino o artigo perguntando: Você já foi levado a descer até ao degrau para ser um misericordioso? Se não ore a Deus e peça a Ele, pois, Ele é misericordioso.