sábado, 23 de julho de 2011

Pai Nosso - lIl


...Continuação



“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”


Dando continuidade aos comentários sobre a oração que o Senhor Jesus nos ensinou, chegamos à frase acima. Ao meditar e estudar sobre ela, confesso que tive mais dificuldade, em elaborar meus pensamentos, do que nos outros artigos, pois vejo nessa frase um pedido que não estamos com disposição para que seja, realmente, cumprido em nossa vida.

Não me recordo de alguém em situação difícil, como por exemplo, com uma doença grave, uma dificuldade financeira ou uma situação na qual se deseje ardentemente que seja revertida, orar fazendo tal pedido. Sempre oramos a Deus pedindo que ele resolva a situação conforme nosso desejo, nosso propósito, de acordo com aquilo que planejamos para nossa vida.

Normalmente quando oramos, a fim de fazermos um pedido a Deus, somos tentados a dizer a Deus que, quem sabe o que é melhor para nossa vida somos nós e não ele. É evidente que não dizemos claramente, com todas as palavras, tal como me expressei anteriormente. Mas o fazemos com vãs sutilezas e nesse particular somos doutores!

Infelizmente, a idéia que tem sido disseminada no meio evangélico é totalmente contrária ao ensino contido nessa frase! Há, lideres evangélicos que estão ensinando em suas igrejas, que o crente tem que reivindicar seus direitos a Deus, que só sofre quem quer, que passa dificuldade financeira quem não determina a prosperidade, que todo e qualquer desejo é alcançado com uma corrente de oração.

O Senhor Jesus, não só nos deu essa oração como exemplo, mas também o exemplo de submissão á vontade do Pai.

Falando aos discípulos quando do episódio da mulher samaritana, o Senhor Jesus disse que fazer a vontade do Pai era mais importante que comer. Em outra oportunidade, repreendendo uma multidão que andava procurando por ele com a intenção de obter bênçãos temporais, tal como ocorre hoje em dia, o Senhor Jesus diz que ele desceu do céu não para fazer a sua vontade e sim a daquele que o havia enviado. O maior exemplo de sua submissão foi quando já estava sofrendo as dores de sua crucificação, ele disse a seu Pai que se fosse possível, ele não queria passar por aquelas dores, mas que estava pronto para cumprir a sua vontade. Já pensou se o Senhor Jesus, nessa hora, fizesse uma oração como fazemos hoje as nossas?

É evidente que a vontade de Deus é feita tanto nos céus como na terra, independe de nosso pedido! Então porque o pedimos?

Quando faço tal pedido, estou dizendo a Deus que estou me submetendo à sua vontade, mesmo que ela seja contraria à minha, mesmo que eu venha sofrer, na carne, quando ele cumpre sua vontade na minha vida; o que devemos admitir ser muito difícil para nós.

O salmista Davi nos dá a receita para que nossos pedidos sejam compatíveis com a vontade Deus, no Salmo 37 versículo 4 quando diz: “Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”

Agrada-te do Senhor não é agradar ao Senhor e sim ter um coração grato ao Senhor por aquilo que ele tem feito por nós e em nós, independente da nossa vontade. Só assim estaremos sendo sinceros quando dizemos na oração: “ Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom este artigo. Temos uma tendência muito forte de direcionar os nossos pedidos sempre por aquilo que resolva os nossos conflitos imediatos. Fazemos e ouvimos nas igrejas e reuniões que participamos,
pedidos nesta mesma direção. Esquecemos ou temos dificuldade para assimilar que as decisões são SEMPRE tomadas por DEUS, que faz o melhor.
Em minhas orações, peço a DEUS para
iluminar as nossas mentes nos dando discernimento de sua palavra
como:"Entregue o seu caminho ao Senhor, confia Nele e o mais Ele fará"

Abraço,
Walter