segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Da Retórica para a Pratica


Quero aproveitar a oportunidade, em que a Igreja Presbiteriana do Brasil, da qual sou membro, está discutindo vários temas, para fazer uma reflexão de nosso comportamento como igreja diante alguns fatos.


O Supremo Concílio em uma de suas ultimas reuniões resolveu considerar como seita algumas denominações existentes no Brasil, o que foi feito acertadamente.


Porém, quero chamar nossa atenção para um comportamento que tem ocorrido em nossas igrejas: nós execramos um pecado e somos condescendentes com outro. Sim, não fique assustado, é isso mesmo: nós execramos um pecado e somos condescendentes com outro.


A Bíblia nos diz no Antigo Testamento em Deuteronômio capítulo 21 vers. 18 a 21 que Deus abominava a desobediência dos filhos e que os filhos que fossem contumazes deveriam ser apedrejados. No Novo Testamento, a carta de Paulo aos Colossenses capítulo 3 vers. 20, diz que os filhos devem ser obedientes aos pais, o que vem ratificar o desagrado de Deus à desobediência.


Como não estamos mais vivendo sob o regime do Antigo Testamento e sim do Novo, não encontramos mais a mesma ordem do Antigo Testamento, ou seja que os pais deveriam entregar seus filhos para serem apedrejados, caso fossem desobedientes contumazes. Será que, o sentimento de Deus pelo pecado da desobediência dos filhos mudou? Não, não creio que tenha alterado em nada o que Deus sente por nossos pecados, contudo temos tido um comportamento condescendente para com a desobediência.


A desobediência está disseminada de modo generalizado em meio às nossas igrejas, do pastor ao zelador, do membro mais velho ao mais novo. Estamos vivendo uma crise de identidade doutrinária devido à desobediência. Temos, hoje, igrejas locais que se dizem de nossa denominação, que não diferem em nada das que o Supremo Concílio resolveu considerar como seita e não há quem tome uma decisão a respeito! Temos hoje a inversão de autoridade em nossos lares onde os pais é que obedecem a seus filhos! E o que é pior, vemos hoje a criatura dando ordem a seu Criador. Hoje as pessoas são orientadas a não aceitarem a vontade de Deus para suas vidas. Elas são orientadas a reivindicarem, a determinarem que seus desejos sejam atendidos por Deus, que o sucesso de suas vidas e a salvação de suas almas depende delas.


Vejamos outro pecado que cometemos e que somos por demais condescendentes. Ao lermos o livro de Deuteronômio capítulo 13 vers 1 a 3, encontramos Deus alertando ao povo de Israel que haveria no meio deles, falsos profetas que profetizariam e que suas profecias se cumpririam, porém esses falsos profetas iriam chamar o povo para que fosse seguir a outros deuses, coisa que o povo não deveria fazer. Ainda no Novo Testamento encontramos na Segunda Carta a Pedro, capítulo 2 versículos de 1 a 3 um relato bem parecido e uma admoestação para fujamos de tais homens.


No primeiro texto encontramos a punição a que os falsos profetas, que haveriam de surgir no meio do povo de Israel, deveriam ser submetidos e no segundo vemos que tais homens seriam capazes de arrastar muitas pessoas com seus ensinos enganosos.


Seguindo a mesma linha de pensamento do tópico anterior pergunto: Será que o sentimento de Deus quanto a tais pessoas e a seus atos mudou do Antigo Testamento para o Novo? A resposta também a essa pergunta tem de ser a mesma anterior: Não, não creio que tenha alterado em nada o que Deus sente por nossos pecados, contudo temos tido, também, um comportamento condescendente para com esse pecado.


Diante do exposto fico indagando a mim mesmo, até que ponto Deus vai tolerar nossa indolência, nosso comodismo e até nossa atração por tais homens pois a cada dia os nossos olhos vêem tais homens surgindo no meio do povo de Deus, sem que tomemos alguma providência e o que é pior: quando alguém se levanta para denunciar tal homem esse tal é desprezado, é ignorado e é até motivo de riso de muitos.


Infelizmente temos sido complacentes com tais pessoas, elas tem se infiltrado no meio da igreja a ponto de serem eleitas para ocuparem cargos em nossas sociedades, Junta Diaconal, Conselho e são mandadas para os seminários sendo então ordenadas pastores, daí vermos tantas distorções dentro de uma mesma denominação como a nossa.


Creio que precisamos tomar a mesma atitude para qualquer tipo de desvio. Não só àqueles que são gritantes aos nossos ouvidos mas também àqueles que sorrateiramente temos acariciado.


Que o Senhor Deus tenha misericórdia de nós e nos dê a graça de termos uma vida mais condizentes com sua Santa Palavra.

5 comentários:

coramdeo disse...

Caro irmāo Maurício,
Boa reflexão e bom texto.
Abs.,
Coramdeo

P.S. Abraço ao Folton também.

Maurício Barbosa disse...

Rev. Wadislau,

É para mim, uma honra ter um comentário do Sr. em meu blog.
Que Deus tenha misericórdia de mim e faça de mim um instrumento na proclamação do Evangelho.

Abraços,

Maurício Barbosa

Anônimo disse...

Mauricio meu irmão!!Esse é um problema q.existe mesmo, mas q.também existiu e continuará existindo! Entretanto a Biblia nos adverte a não nos calarmos e também a não nos conformarmos. Porisso, meus parabens!! Em vc.não se calando e não se conformando com tal situação, colocando o dedo na "ferida", poderá com a iluminação do Esp.Santo, sensibilizar igrejas q. convivem nesta prática, voltando as práticas aprovadas por DEUS. Um abraço, Uriel.

Anônimo disse...

Existe um problema muito pior que o relatado no seu texto. Muitos que se dizem cristãos, que frequentam a Igreja, são eleitos para cargos de diáconos, presbíteros etc, tentam formar verdadeiros motins na comunidade cristã, incitando outros contra as autoridades da Igreja. Isso é maledicência.
Vivemos numa era moderna, e nem por isso deixaremos de lado os ensinamentos bíblicos. A igreja também tem que evoluir com o passar dos tempos, porque se formos viver ao " pé da letra", a poligamia seria completamente aceitável.

Maurício Barbosa disse...

Anônimo, Nos dias atuais, há de se fazer uma ressalva quanto a seu comentário, precisamos saber se tais pessoas ou mesmo oficiais estão querendo que a igreja a qual pertencem voltem ao caminho proposto pelos reformadores ou estão querendo tirar a igreja desse caminho, se a intenção for a última eu concordo com você, se for a primeira sou obrigado a descordar e exponho o porque: Você já pensou se os reformadores ficassem calados diante de tantas heresias introduzidas na igreja, será que existiria nossa igreja hoje? Creio que não.