
Quando criança, freqüentando a Escola Dominical, aprendi a ter um relacionamento com Deus na base do medo de ser castigado por Ele quando cometo algum pecado. Quantas vezes eu ouvia “não faça isso senão Deus te castiga”. Hoje, eu acredito que posso me relacionar com Deus de um modo diferente e por pensar assim resolvi escrever esse artigo. Espero que o leitor que, assim como eu, tem essa mesma formação, possa pela leitura desse artigo mudar, ou pelo menos tentar mudar o seu relacionamento com Deus.
Esse relacionamento, que reputo errado, é devido ao emprego de duas palavras muito usadas na Bíblia: Correção e castigo
Antes que você leia o artigo, quero dizer, que na Bíblia, as duas palavras são empregadas em acontecimentos que nos dão a idéia de que o sentido delas é o mesmo, porém o propósito desse artigo é levar o leitor a entender a distinção que faço no emprego das duas palavras que creio, podem nos proporcionar um relacionamento melhor com Deus.
Ainda, hoje, em nossas Escolas Dominicais, ensinam às crianças um corinho que com sua letra tem imprimido em nossa mente, medo de Deus. Veja: “Cuidado pesinho onde pisa o Salvador do céu está olhando para você cuidado pesinho aonde pisa. Cuidado olhinho no ... Cuidado mãozinha... e o corinho sempre nos advertindo, que lá no céu, Deus está a nos vigiar o comportamento e conforme procedemos, Deus age, nos castigando quando nosso procedimento é mal e nos abençoando quando nosso comportamento é bom.
Mediante essa idéia que por mim foi absorvida, fico a pensar: “Se pudéssemos colocar, nosso comportamento bom e nosso comportamento mal, em uma balança, dessas antigas na qual havia dois pratos que em um colocava-se o produto a ser vendido, e no outro o peso para quantificar o produto, da seguinte maneira: Num prato, nosso comportamento “bom” e no outro nosso comportamento mal, tenho até medo de perguntar para qual lado penderia o prato mais pesado”.
Pois bem, quando cantamos esse corinho, de uma maneira simplista, como toda criança canta, sem um bom esclarecimento, sem estar acompanhado de um estudo bíblico, que nos mostre o que realmente acontece quando agimos de forma errada e o que acontece quando agimos de forma correta, podemos gerar ensinamentos errados às crianças como foi no meu caso, e quero crer que em muitas outras crianças que ouviram e aprenderam esse famoso “corinho”.
Hoje sei, que esse é um preço que temos de pagar por sermos “catequizados” pelos missionários americanos. Não culpo nossas professoras de Escola Dominical que, com todo carinho e amor, aos domingos liam a Bíblia em classe e nos contavam histórias de Abraão, Isaque e Jacó, de Moisés tirando o povo de Deus do Egito, de Jonas sendo engolido pela “baleia” e tantas outras. Hoje posso dizer que tenho saudade desses domingos e agradeço muito a essas abnegadas mulheres que, durante a semana eram donas de casa a cuidar de suas famílias e no domingo, nossas professoras de Escola dominical.
Voltando ao assunto: Aprendi, então, que quando eu agia de maneira que desagradava a Deus, Ele me castigava e quando eu agia de maneira que Ele ficava satisfeito, Ele me abençoava. Isso fez nascer dentro de mim um sentimento de pavor, de medo, pois quando eu agia de forma errada eu ficava morrendo de medo de Deus me castigar fazendo com que algo de ruim acontecesse comigo, sentimento que até hoje existe dentro mim, que muito me faz sofrer mas que aos poucos, pela graça de Deus dia a dia vai diminuindo na medida em que vou crescendo no conhecimento da Palavra de Deus.
A coisa não é bem assim. É certo que Deus nos “castiga”, quando precisamos de uma correção e também nos abençoa quando ele quer e não em função do nosso proceder. Eu não gosto muito desse termo “castigo”, pois me vem na memória alguém irado e fazendo uso de seu poder de maneira desproporcional e sem controle, descarregando toda sua fúria em quem, geralmente é mais fraco, por ter agido de forma que o desagradasse.
Graças a Deus, hoje, já consigo ver as coisas um pouco diferente. Quando trago à minha mente fatos narrados na Bíblia que nos dão uma idéia de que Deus “castiga”, (vou me permitir usar esse termo com o objetivo de mostrar o porque não gosto muito dele) como o narrado no evangelho de João capítulo 9: 1 a 7, onde o Senhor Jesus e seus discípulos encontram um homem cego de nascença. Seus discípulos perguntam ao Mestre: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”
Vejam que até entre os discípulos de Jesus havia a idéia, o conceito de que, aquilo de mal que acontecia a uma pessoa era proveniente de um pecado cometido e com um agravante: o pecado não precisava ter sido cometido necessariamente pela pessoa, mas poderia ter sido cometido por um de seus pais, conceito hoje muito difundido entres os adeptos da doutrina da “Maldição hereditária”, assunto que fica para uma outra oportunidade.
Após esse questionamento seguindo o texto, o Senhor Jesus nos mostra que aquilo que nos acontece, não necessariamente é proveniente de pecados ou de boas ações praticadas por nós. Veja a resposta do Senhor Jesus: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus. Logo a seguir o Senhor Jesus o curou."
Outro exemplo bem marcante, para mim, foi a trajetória da vida de Paulo, que eu gostaria de dividir em duas etapas.
A primeira: Foi quando, após o encontro do então Saulo com o Senhor Jesus, na estrada de Damasco, narrado em At. 9:1 a 16, ele ficou como que cego e seguindo as orientações do Senhor, acabou indo se hospedar na casa de Judas. Veja, que no versículo 16, o Senhor diz a Ananias que ele deveria ira à casa de Judas orar por Saulo. Ananias ficou com medo de ir se encontrar com Saulo pois sabia que Saulo estava à caça dos que se convertiam ao evangelho. O Senhor Jesus diz a Ananias no vers. 15 e 16 : “Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.”
Veja, que no plano de Deus, apesar de Paulo ter sido o escolhido por Ele para ser Seu instrumento para a pregação do evangelho, o Senhor Jesus fala a Ananias, que Paulo haveria de sentir o quanto era importante sofrer pelo nome de Jesus. Esse sofrimento não era condicional ao comportamento de Paulo se bom ou mal.
A segunda: Foi que Deus colocou um espinho na carne de Paulo e aproveito para chamar a atenção do leitor com que finalidade Deus fez isso, II Cor.12:7, afim de que Paulo não se exaltasse.
Tendo em vista os exemplos, usados acima, podemos assim dizer que Deus fez uso de fatos e acontecimentos, que podem nos parecer à primeira vista um “castigo”, mas que na verdade foram bênçãos para a vida tanto do cego quanto de Paulo. Esses exemplos nos ensinam que Deus agiu e age na vida de seus filhos somente para o bem, mesmo que isso nos pareça que estamos sendo “castigados”.
E quero, como subsidio à minha tese, citar mais um versículo muito famoso, que todos sabemos de cor: Rm.8:28 “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. É aqui que vejo claramente o porque que o termo “castigo” não me agrada, pois sei que tudo o que acontece comigo, mesmo aquilo que me parece ser um “castigo” de Deus, não é um “castigo”, mas sim, Deus fazendo uso de sua misericórdia para fazer cumprir em mim seu plano para minha vida.
Creio que Deus castiga, a quem não é seu filho, pois não foi por estes que o Senhor Jesus morreu na cruz, pagando a dívida do homem para com Deus desde a queda no paraíso. Aos que são salvos, pelo precioso sangue derramado na cruz, Deus corrige. Portanto quando estamos sendo corrigidos por Deus, devemos dar a Ele graças pela correção e não ficarmos revoltados e brigando com Ele. Infelizmente devo confessar que eu ainda me pego brigando com Deus e aí sofro bastante.
Entendo também, que existem aqueles que vivem sendo repreendidos e não se dão conta disso devido à sua insensibilidade quanto à vontade de Deus para suas vidas, O qual, por Seu imenso amor, não desiste e continua agindo para trazê-los de volta ao aprisco o que fatalmente acontecerá independe de qualquer coisa, pois os propósitos de Deus não podem ser frustrados ( Pv.19:15 e Pv.16:1)
Diante do exposto, concluo que Deus, fazendo uso de sua misericórdia, corrige aos que são seus filhos, e não os castiga e que essa correção os faz crescer tanto espiritualmente quanto como pessoa humana, no convívio com os seus semelhantes, por isso é que considero a correção uma benção e não um castigo.
Espero, em Deus, que a cada dia Ele mude o meu modo de agir e sentir, e de todos que, assim como eu, têm medo de serem “castigados”. Tenhamos em mente que, o que Deus faz conosco não é “castigo” e sim, uma repreensão, afim de que nossa vida seja cada dia mais digna de sermos seus filhos.
3 comentários:
Mauricio, DEUS continue te abençoando mesmo! Li toda a mensagem, e não retiro e nem coloco uma só linha!! Para mim toda mensagem meticulosamente embasada na palavra de DEUS. As passagens bíblicas, citadas por você, confirmam totalmente o seu pensamento. Vá em frente, porque a cada blog, voce está cada vez melhor!! E é fácil entender porque voce fica cada vez melhor, o Espírito Santo o ilumina cada vez mais. Um abração fraternal>>Uriel.
Uriel, fico feliz por você ter apreciado e concordado com o conteúdo do artigo mas quanto a eu estar cada vez melhor, toda Glória seja dada a Cristo Nosso Senhor.
Olá Maurício, estava procurando na internet por algum registro do Hino " A vida com Jesus" ouvi ele na minha igreja e gostaria muito de comprar um cd, mas não encontrei nenhum, apenas seu blog.
Você não poderia mandar ela pro meu e-mail:
lefcaza@yahoo.com.br
Eu ficaria muito agradecido.
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