
Quero neste artigo comentar a letra do hino “A vida com Jesus”. Sabe um daqueles dias em que a gente lê a Bíblia e um versículo do texto que estamos lendo nos chama a atenção? Já o lemos por várias vezes, já ouvimos sermões tendo com base o tal versículo, mas naquele belo dia Deus, na sua infinita misericórdia, nos fala de modo todo diferente e nos mostra algo que nunca tínhamos visto até então!
Creio que isso acontece, também, com os hinos. Vamos à igreja, abrimos o nosso hinário e cantamos nossos hinos. Hinos que já conhecemos a ponto de até cantá-los de cor, mas um certo dia, ao cantarmos um determinado hino ou ao ouvi-lo, somos tocados de uma maneira toda diferente.
O que acabo de relatar aconteceu comigo no dia 23/01/2010. Lá pelas 2 ou 3 horas da manhã perdi o sono e peguei meu MP4 e comecei a ouvir um coral, possivelmente, de coreanos, lógico que cantando em português! Um dos hinos era “A vida com Jesus”. Passei o dia inteiro com a letra dele na mente pois é um hino que canto desde minha mocidade no conjunto coral de nossa igreja. Naquela madrugada a letra desse hino teve um significado diferente para mim.
Pode ser que, o que eu vou colocar aqui nesse comentário, pareça óbvio para muitas pessoas, porém senti vontade de compartilhar com as pessoas, que por ventura venham, acessar o meu Blog saibam o que Deus me “falou” quando ouvi esse hino na madrugada de terça-feira.
A primeira estrofe diz: “Um dia Cristo achou-me mui longe do meu lar, perdido, já no mundo, sem mais poder voltar! tomando-me em seus braços, firmou-me nos meus passos, e agora andamos juntos, voltando para o lar.”
Fiquei pensando na minha vida, de como o Senhor teve e tem misericórdia em me fazer perceber que, realmente foi Cristo que foi ao meu encontro e “me achou”, não que eu estivesse perdido como uma coisa que a gente perde, não sabe onde está e sai procurando a esmo para ver se achamos aquilo que perdemos. O Senhor Jesus sabe perfeitamente onde cada um de nós está, por isso não sai a esmo nos procurando. Ele vai ao lugar certo para nos resgatar. Só que eu estava longe do meu lar embora sendo criado na igreja desde a tenra idade, sim fui, um dia “achado” por Cristo longe do lar. Fiquei pensando em quantos ainda estão numa situação como a que eu estava, quantos perdidos dentro da igreja, e que inda não tiveram um encontro real com Cristo, e que precisam ser “tomados pelos braços” pois encontram-se sem forças para voltar. Foi aí que meu coração ficou com um misto de alegria e tristeza por eu ter sido “achado” quando tantos outros ainda não. Pude, primeiro, trazer à memória as vezes que, sei que fui carregado, quando não mais podia andar. Saber que os Seus braços me seguraram, me ampararam até que eu firmasse os passos para que pudéssemos, agora andar juntos voltando para o lar.
O Coro diz: A presença de Jesus enche o coração de luz! Mui preciosa fica, e também mais rica esta vida com Jesus.
Quando o Senhor Jesus enche nosso “coração de luz”, o nosso viver é transformado, é certo que não deixamos de ter problemas, mas os enfrentamos de maneira diferente das demais pessoas que não têm o Senhor Jesus em seus corações. As vicissitudes da vida, por vezes nos fazem sofrer, nos angustiam, mas a presença de Jesus em nosso coração faz com que nosso proceder diante dos sofrimentos e das angústias dessa vida seja para enriquecimento do nosso viver e do nosso relacionamento com Jesus.
A segunda estrofe diz: Passamos pelo vale a fim de me provar, em meio a densas trevas que impedem-me o andar! Não há nenhum perigo, pois já está comigo o excelso Companheiro, voltando para o lar.
Aqui me veio à lembrança do Salmo 23 quando o salmista Davi diz no versículo 4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. O que é vale da sombra e da morte? Creio que para nós, hoje podemos dizer que estamos atravessando o vale da sombra da morte quando o Senhor permite que passemos por problemas, dificuldades afim de nos provar. Recordo-me de um dia que estudando em classe de escola dominical levei várias pedras preciosas. Primeiro distribui aquelas que ainda não tinham passado pelo processo de lapidação. Dei um certo tempo para que aqueles que estavam participando do estudo examinassem aquelas pedras e só depois de algum tempo distribuí as lapidadas com objetivo de que eles pudessem, de uma forma mais prática, terem em mente a transformação que ocorre quando a pedra é submetida ao processo de lapidação, que consiste em friccionar a pedra em uma roda que contém um produto que é capaz de, através dessa fricção, fazer com que a pedra adquira um brilho tal que a transforme em uma jóia. Creio que Deus em sua infinita sabedoria faz uso desse processo com seus filhos; os submete à fricção da roda da vida afim de que adquiram o brilho para que sejam então uma jóia do Senhor. É nesta hora que precisamos ter consciência de que “não há nenhum perigo, pois está comigo o excelso Companheiro” nos fazendo voltar ao lar. Eu devo admitir, não nego, e com muita vergonha, que na maioria das vezes sinto uma enorme dificuldade de usufruir a benção e o consolo de ter a certeza que realmente “não há nenhum perigo, pois já está comigo o Excelso Companheiro”, quando sou levado a passar “pelo vale a fim de me provar”. É lamentável, pois quando isso acontece, nós sofremos horrores sem nenhuma necessidade. Quanto sofrimento inútil. Sofremos por não confiar nas maravilhosas promessas de nosso Senhor Jesus Cristo.
A terceira estrofe diz: Entramos na atmosfera que envolve aquele lar, no qual meu Pai me aguarda e é onde vou morar! Não há no mundo inteiro um outro Companheiro que mostre tanto zelo, voltando para o lar.
Nesta estrofe entendo que o compositor faz uma referência ao Lar Celestial, o qual nós já podemos começar a desfrutar aqui na nossa vida terrena. Pela fé, já podemos antever as maravilhas que veremos lá no céu, ao encontrarmos com nosso Pai Celeste. Quando pensei nisso outra imagem veio a minha mente. No livro de Lucas 15:11, o Senhor Jesus conta uma parábola que denominamos de “A parábola do filho pródigo”. No versículo 20 quando o jovem, depois de viver dissolutamente, é convencido pelo Espírito Santo a voltar à casa do pai e este por sua vez quando avistou o filho, ainda longe, correu ao seu encontro o abraçou e o beijou, mandou a seus servos que trouxessem a melhor roupa, preparassem um banquete pois o filho que se havia “perdido” voltara ao lar. Somente através da operação do Espírito Santo em nossa vida podemos vislumbrar, mesmo que uma maneira bem tosca, devido ao pecado que habita em nós, a beleza e a grandiosidade dessa cena. Faça nesta hora uma pequena pausa na leitura deste artigo, feche os olhos, os olhos da fé, e veja a cena se passando à sua frente. Aquele jovem mal vestido, com a roupa toda suja pois cuidava de porcos, possivelmente cheirando mal, vindo constrangido, cabisbaixo, sentindo o peso de sua má decisão em abandonar a casa do pai, que sofrimento, que angústia deveria existir dentro de seu coração! Agora veja o pai saindo de dentro de sua casa e ao levantar os olhos vê ao longe o filho naquela situação. Ele não pensa duas vezes, na verdade ele nem pensa, de pronto sai ao encontro do filho que estivera por um bom tempo longe, perdido e que agora voltava à casa do pai sem saber se este o receberia. Veja seu pai correndo, com toda a pressa que podia colocar em suas pernas, de braços abertos, por certo com um grande sorriso nos lábios, com uma alegria que não dava para ser contida, indo de encontro ao filho a quem tanto amava. Não faz nenhuma pergunta ao filho, não impõe nenhuma condição para recebê-lo, simplesmente o abraça, o beija e feliz como nunca estivera antes, leva o filho para dentro de casa.
Como somos ingratos para com esse Pai que tanto nos ama! Nos ama a ponto de mandar seu único Filho a morrer por nós, a fim de que Ele nos receba novamente em sua casa, para que possamos receber a benção do reencontro com Ele, para sermos, por Ele, abraçados, beijados e purificados das roupas sujas, do mau cheiro do pecado que está impregnado em nós.
Logo no começo do artigo faço menção aos que estão perdidos dentro da própria casa do Pai e aqui, ainda no texto de Lucas encontramos a comprovação dessa verdade. O filho mais velho estava tão perdido quanto o que saiu de casa, estava tão longe de pai quanto ao irmão que viveu em terras distantes. Que tristeza meu Deus ao constatar essa verdade! Quantos, hoje, ainda vivem dentro da “casa do Pai” porém completamente perdidos, sem saber até o rumo da “casa do Pai”, sem forças para se levantar afim de voltar à “casa do Pai” e serem por Ele recebidos e restaurados como filhos amados assim como aconteceu, na parábola, e acontece com todo o filho que volta para se encontrar com Pai .
Suplico a Deus nosso bondoso e amoroso Pai que trabalhe nos corações desses filhos erguendo-os, firmando-os nos seus passos e se for o caso até levando-os no colo de “Volta ao Lar”. Amem
5 comentários:
Amigo e irmão Mauricio!!! Mais uma vez o ESPIRITO SANTO, te iluminou na mensagem de todo o TEXTO. Toda a mensagem contida no texto nos é totalmente pertinente! Porém, quero citar somente o seu enfoque na parábola do filho pródigo, q.foi achado por CRISTO, havendo naquele "LAR', grande júbilo. Entretanto, dentro do "LAR", seu irmão esta perdido. Isto nos traz uma grande lição, para os nossos dias atuais. Todos nós precisamos REFLETIR!!!...Q.DEUS CONTINUE TE ABENÇOAND0 DIA-APÓS-DIA, NESTA EMPREITADA. Um abraço, de Uriel J.Oliveira.
Uriel, realmente é uma reflexão que toda a igreja precisa fazer e trabalhar para que aqueles que, apesar de estarem dentro da Casa do Pai, estão andando em outros caminhos que não os do Senhor. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, como igreja, e nos faça instrumentos Seu para trazer todos quantos estão nessa situação.
Parabéns por mais esse artigo.
Cada vez mais você se supera
Abraços
José Abreu
Zéze, Você sabe que tenho orado a Deus para que eu seja apenas instrumento nas mãos dele, para que aquilo que escrevo seja útil aos que lêem e proclame seu evangelho a Ele pois toda a glória.
Abraços,
Maurício, eu disse, uma vez, no aniversário do nosso pai que já o considerava mais que pai, um amigo, como Jesus disse a seus discípulos: "Já não vos chamo servos, chamo-vos amigos...". Disse em seguida que quando pudesse dizer que sentia a mesma coisa com respeito a Jesus, estaria muito feliz. Infelizmente, mesmo estando no caminho de volta para o lar com ele, e sabendo que ele é meu amigo, ainda não senti isso completamente. Entretanto, tenho esperança de que um dia isso acontecerá. Achei o texto muito bom, mas ainda penso mais na distância que há entre mim e Deus do que nos milhares que ainda estão longe. Se na minha caminhada, pude apresentar meu amigo a alguém, foi muito bom, mas acho que tenho um "egoísmo santo" de eu mesmo querer chegar mais perto.
Um abraço.
Divar Jr.
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