sábado, 21 de março de 2015

Os Paradoxos de Pedro - III

Antes de ir para o Jardim das Oliveiras orar, pois, seu espírito já se angustiava diante dos acontecimentos que viriam a se suceder, Jesus tem uma conversa com seus discípulos prevenindo-os quantos a esses acontecimentos e Pedro prontamente diz que nunca o deixaria, nunca o abandonaria e Jesus o adverte dizendo que ele o negaria três vezes antes que o galo cantasse, ao que Pedro novamente enfatiza que se preciso fosse, morreria por ele.

Fidelidade, ah! como  os  homens dizem  ser  fiéis,  contudo,  é muito difícil aos filhos de Adão serem fiéis.

O paradoxo da fidelidade e traição é tão presente em nossa vida que convivemos com ele sem perceber. É muito freqüente dizermos que somos filhos de Deus, que o obedecemos, entretanto, a todo instante o negamos como Pedro.

Ser infiel, infelizmente, é uma característica de todo homem, pois, a infidelidade é fruto do pecado que habita nele, é fruto da queda no paraíso e, portanto o homem nasce com ela.

É muito comum condenarmos Judas por ter traído a Jesus, vendendo-o por trinta moedas, o que não deixa de ser verdade, porém, não tratamos Pedro da mesma maneira; por quê?

Existe uma diferença entre os dois, a Judas foi dada a oportunidade de arrepender-se, contudo, não foi isso o que aconteceu; ele continuou em seu intento. No caso de Pedro o desfecho foi completamente diferente.

Após ter morrido e ressuscitado, Jesus foi para as margens do Mar da Galileia. Sem se identificar se encontrou com sete de seus discípulos; entre eles estava Pedro. Ao amanhecer do dia eles ainda não tinham pescado nada, Jesus lhes pergunta se tinham pescado alguma coisa ao que respondem que não, então Jesus lhes diz para que jogassem a rede à direita do barco. Após lançarem a rede começaram a puxá-la e já não o podiam, pois estava cheia de peixe; Então Jesus foi reconhecido por João.

Quando chegaram à praia encontraram sobre a brasa peixes e um pouco de pão. Jesus os chamou para comer e após terem comido, Jesus tem uma conversa com Pedro.

É muito interessante o comportamento de Pedro diante da pergunta: “Simão, tu me amas?”. Agora não temos mais aquele Pedro “presente/ausente” enquanto Jesus orava, agora ele está presente de corpo e alma, não temos aquele Pedro “corajoso” em tirar a espada e cortar a orelha do soldado, não temos, também, aquele Pedro infiel, mas encontramos um Pedro arrependido, um Pedro ciente que falhou, um Pedro humilhado.

O final dessa conversa é surpreendente, Jesus entrega a um traidor as suas ovelhas para que ele cuide delas, como isso é possível?

Diante desse episódio o meu coração se enche de alegria, pois, vejo que somente pela misericórdia de Jesus é que um traidor é transformado em um pastor de ovelhas; isso não quer dizer que Pedro deixou de errar, quer dizer que Pedro foi transformado. Pedro, agora, diante de seus erros e de suas limitações, era alguém que as reconhecia e se humilhava diante de Deus.


Caro leitor, não há como sermos transformados e recuperados para a salvação sem passarmos pela mesma experiência de Pedro. Caso isso não ocorra, nosso fim será o mesmo que o de Judas.

Nenhum comentário: