Antes de ir para o Jardim das Oliveiras orar, pois, seu
espírito já se angustiava diante dos acontecimentos que viriam a se suceder,
Jesus tem uma conversa com seus discípulos prevenindo-os quantos a esses
acontecimentos e Pedro prontamente diz que nunca o deixaria, nunca o
abandonaria e Jesus o adverte dizendo que ele o negaria três vezes antes que o
galo cantasse, ao que Pedro novamente enfatiza que se preciso fosse, morreria
por ele.
Fidelidade, ah! como os homens dizem ser fiéis, contudo, é muito difícil
aos filhos de Adão serem fiéis.
O paradoxo da fidelidade e traição é tão presente em nossa
vida que convivemos com ele sem perceber. É muito freqüente dizermos que somos
filhos de Deus, que o obedecemos, entretanto, a todo instante o negamos como
Pedro.
Ser infiel, infelizmente, é uma característica de todo
homem, pois, a infidelidade é fruto do pecado que habita nele, é fruto da queda
no paraíso e, portanto o homem nasce com ela.
É muito comum condenarmos Judas por ter traído a Jesus,
vendendo-o por trinta moedas, o que não deixa de ser verdade, porém, não
tratamos Pedro da mesma maneira; por quê?
Existe uma diferença entre os dois, a Judas foi dada a
oportunidade de arrepender-se, contudo, não foi isso o que aconteceu; ele
continuou em seu intento. No caso de Pedro o desfecho foi completamente
diferente.
Após ter morrido e ressuscitado, Jesus foi para as margens
do Mar da Galileia. Sem se identificar se encontrou com sete de seus discípulos;
entre eles estava Pedro. Ao amanhecer do dia eles ainda não tinham pescado
nada, Jesus lhes pergunta se tinham pescado alguma coisa ao que respondem que
não, então Jesus lhes diz para que jogassem a rede à direita do barco. Após
lançarem a rede começaram a puxá-la e já não o podiam, pois estava cheia de
peixe; Então Jesus foi reconhecido por João.
Quando chegaram à praia encontraram sobre a brasa peixes e
um pouco de pão. Jesus os chamou para comer e após terem comido, Jesus tem uma
conversa com Pedro.
É muito interessante o comportamento de Pedro diante da
pergunta: “Simão, tu me amas?”. Agora não temos mais aquele Pedro
“presente/ausente” enquanto Jesus orava, agora ele está presente de corpo e
alma, não temos aquele Pedro “corajoso” em tirar a espada e cortar a orelha do
soldado, não temos, também, aquele Pedro infiel, mas encontramos um Pedro
arrependido, um Pedro ciente que falhou, um Pedro humilhado.
O final dessa conversa é surpreendente, Jesus entrega a um
traidor as suas ovelhas para que ele cuide delas, como isso é possível?
Diante desse episódio o meu coração se enche de alegria,
pois, vejo que somente pela misericórdia de Jesus é que um traidor é transformado
em um pastor de ovelhas; isso não quer dizer que Pedro deixou de errar, quer dizer que Pedro foi transformado. Pedro, agora, diante de seus erros e de suas
limitações, era alguém que as reconhecia e se humilhava diante de Deus.
Caro leitor, não há como sermos transformados e recuperados
para a salvação sem passarmos pela mesma experiência de Pedro. Caso isso não
ocorra, nosso fim será o mesmo que o de Judas.

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