Essa bem-aventurança é um divisor de águas. Até aqui as
bem-aventuranças se referiam ao interior do homem e a partir daqui, começamos a
ver as ações do homem. Como o Rev D.M.Lloyd Jones disse, e eu concordo com ele,
que o Senhor Jesus não enumerou as
bem-aventuranças a esmo, e sim, de uma forma tal como elas devem se suceder no
homem transformado pelo Espírito Santo.
Em toda a Bíblia, a primeira ênfase relacionada ao homem, é
dada ao ser e não no fazer. A Bíblia se preocupa primeiramente com o interior
do homem, para depois se preocupar com suas ações. Será isso por acaso, ou há uma
razão de ser? O Ser, homem, transformado pelo Espírito Santo, não é uma espécie
de camada de verniz que se passa nos móveis. De uma forma análoga não são as
ações que dizem que o homem foi transformado, mas sim o seu caráter, o seu
interior, as ações são reflexos da motivação que existe em seu interior.
Permitam-me começar dizendo o que não é ter misericórdia de
alguém: Ter misericórdia, não é ser complacente com o erro, fingir que não sabe
do erro, ou simplesmente dizer coitado, isso é ser conivente com o erro.
Independente do conceito que temos de misericordioso, temos que levar em consideração
que Deus é misericordioso e é esse conceito de misericórdia que nos interessa.
Sempre ouvi e disse que misericórdia é graça imerecida,
contudo, o Rev D.M.Lloyd Jones cita uma definição muito interessante e a
transcrevo aqui: “A graça é especialmente vinculada aos homens, em seus
pecados; mas a misericórdia associada aos homens, em sua miséria. Em outras
palavras, enquanto a graça condescende diante da questão do pecado como um
todo, a misericórdia contempla especialmente as miseráveis conseqüências do
pecado. Isso posto, a misericórdia realmente aponta para um senso de compaixão,
de parceria com o desejo de aliviar os sofrimentos. Esse é o sentido especial
da qualidade da misericórdia: dó em parceria com ação. Assim sendo, o misericordioso
é alguém dotado do senso de piedade. A sua preocupação com a miséria sofrida
por homens e mulheres produz nele o intenso desejo de aliviá-los.”
Diante do exposto fica-nos bem claro que realmente só
poderemos ser misericordioso se passarmos pelos outros degraus da escada, pois,
só saberemos exercer a misericórdia se já fomos humilhados, se já choramos, se
já fomos feitos mansos e se tivermos fome e sede de justiça, só assim
entenderemos a real situação do homem sem a salvação, só assim teremos todas as
condições de exercer misericórdia.
Como podemos notar, a misericórdia não é algo que podemos
alcançar por nossos próprios esforços, o pecado tirou-nos essa capacidade de
aliviar alguém de seu erro para conosco, o que nós mais queremos é nos vingar,
é ir à forra, é fazer ao outro muito mais do ele nos fez.
Termino o artigo perguntando: Você já foi levado a descer até
ao degrau para ser um misericordioso? Se não ore a Deus e peça a Ele, pois, Ele
é misericordioso.
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