sábado, 22 de março de 2014

Bem-aventurados os mansos...

Mat.5:5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Antes de continuarmos comentando as Bem-aventuranças, sinto a necessidade de explicar melhor uma comparação, feita por mim, nos comentários já feitos. Eu disse que as Bem-aventuranças se assemelham a uma escada em que para se chegar ao degrau seguinte, temos, necessariamente, de passar pelo seu antecessor. 

Essa idéia nos remete a alguém que irá subir a escada em uma escalada de proeminência de sua pessoa, contudo, não é bem assim; na verdade é o contrário: as Bem-aventuranças são degraus de uma escada em que descemos o nosso “eu”, a nossa natureza, daí elas terem como primeiro degrau, nossa humilhação e a cada degrau que descemos, mais evidenciados ficam os que ficaram acima. Feito esse esclarecimento, vamos ao comentário da Bem-aventurança em questão.

O conceito que temos de mansidão é completamente equivocado do conceito da Bíblia. Encontramos no livro de Números capítulo 12 versículo 3, a seguinte declaração a respeito de Moisés: “Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.” Ora! É de nosso conhecimento que Moisés matou um egípcio, quando viu este espancar um hebreu. Na travessia do deserto, vemos, em vários momentos, Moisés repreendendo o povo com dureza e até em alguns casos possuído de ira, como no caso em que bateu na rocha, custando-lhe a não entrada na terra prometida. Entretanto, foi considerado manso.

Diante do exposto, creio que cabe então uma pergunta: O que vem a ser mansidão na Bíblia?

Para responder a questão precisamos voltar à idéia da escada. Veja! Esse é o terceiro degrau, para se chegar a ele é mister descer os que o antecedem ou seja, o da humildade e o do choro, para só assim chegarmos ao da mansidão.

A mansidão é uma característica impregnada em nosso ser por quem nos humilhou a ponto de nos fazer chorar devido a nossa constatação de que somos miseravelmente corruptos e incapazes de nos transformar. Sim, essa característica é impregnada em nós, uma vez que não a temos, basta ver nossas atitudes quando deparamos com alguém falando mal de nós.

As duas características anteriores são evidenciadas à medida que olhamos para nós mesmos, entretanto, a característica da mansidão se evidencia quando os outros olham para nós. Somente quando os olhares se voltam para nós e são expressos em palavras e atos de terceiros é que ela será ou não evidenciada em nós segundo nosso procedimento.

Cabe aqui, uma consideração a ser feita: mansidão não é indolência, que é uma indiferença àquilo que está acontecendo, pelo contrário, o manso prontamente reage, contudo, sua reação é com o intuito de promover a paz, de apaziguar os ânimos e de correção daquilo que provocou a discórdia, sobretudo se o erro foi seu.

Mansidão, também não é fragilidade emocional e complacência. Há pessoas que ao serem confrontadas com seus erros ficam como que anestesiadas, não tem nenhuma atitude e por vezes até choram. Não, mansidão não é isso.

Mansidão é quando os olhares vêem em nós, nossas falhas apontando-as, diferentemente da indolência e da complacência, reconhecemos nosso erro, reconhecemos que falhamos e tomamos a atitude de consertar aquilo que fizemos de errado.
Somente aquele que tiver essa característica, impregnada, é capaz de se humilhar, chorar e com mansidão reconhecer o seu erro e suplicar perdão.

Caro leitor, você já experimentou, de fato, a mansidão?

Que Deus tenha misericórdia de nós e transforme nosso ser rebelde em manso.

Continua...  






Um comentário:

urieljose-ol@hotmail.com disse...

Mauricio!! Parabéns pela sua instrumentalização!! Muito bem explicado, não deixando dúvida sobre esse comportamento humano. Te digo, que nunca pensado sobre esse "ângulo". Tirou toda e qualquer dúvida que tinha a esse respeito! Deus continue te iluminando nesta empreitada abençoada... Seu amigo e irmão: Uriel