Mat.5:5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Antes de continuarmos comentando as Bem-aventuranças, sinto
a necessidade de explicar melhor uma comparação, feita por mim, nos comentários
já feitos. Eu disse que as Bem-aventuranças se assemelham a uma escada em que
para se chegar ao degrau seguinte, temos, necessariamente, de passar pelo seu
antecessor.
Essa idéia nos remete a alguém que irá subir a escada em uma
escalada de proeminência de sua pessoa, contudo, não é bem assim; na verdade é
o contrário: as Bem-aventuranças são degraus de uma escada em que descemos o
nosso “eu”, a nossa natureza, daí elas terem como primeiro degrau, nossa
humilhação e a cada degrau que descemos, mais evidenciados ficam os que ficaram
acima. Feito esse esclarecimento, vamos ao comentário da Bem-aventurança em
questão.
O conceito que temos de mansidão é completamente equivocado
do conceito da Bíblia. Encontramos no livro de Números capítulo 12 versículo 3,
a seguinte declaração a respeito de Moisés: “Era o varão Moisés mui manso, mais
do que todos os homens que havia sobre a terra.” Ora! É de nosso conhecimento
que Moisés matou um egípcio, quando viu este espancar um hebreu. Na travessia
do deserto, vemos, em vários momentos, Moisés repreendendo o povo com dureza e
até em alguns casos possuído de ira, como no caso em que bateu na rocha,
custando-lhe a não entrada na terra prometida. Entretanto, foi considerado
manso.
Diante do exposto, creio que cabe então uma pergunta: O que
vem a ser mansidão na Bíblia?
Para responder a questão precisamos voltar à idéia da escada.
Veja! Esse é o terceiro degrau, para se chegar a ele é mister descer os que o
antecedem ou seja, o da humildade e o do choro, para só assim chegarmos ao da
mansidão.
A mansidão é uma característica impregnada em nosso ser por
quem nos humilhou a ponto de nos fazer chorar devido a nossa constatação de que
somos miseravelmente corruptos e incapazes de nos transformar. Sim, essa
característica é impregnada em nós, uma vez que não a temos, basta ver nossas
atitudes quando deparamos com alguém falando mal de nós.
As duas características anteriores são evidenciadas à medida
que olhamos para nós mesmos, entretanto, a característica da mansidão se
evidencia quando os outros olham para nós. Somente quando os olhares se voltam
para nós e são expressos em palavras e atos de terceiros é que ela será ou não
evidenciada em nós segundo nosso procedimento.
Cabe aqui, uma consideração a ser feita: mansidão não é indolência,
que é uma indiferença àquilo que está acontecendo, pelo contrário, o manso
prontamente reage, contudo, sua reação é com o intuito de promover a paz, de apaziguar
os ânimos e de correção daquilo que provocou a discórdia, sobretudo se o erro
foi seu.
Mansidão, também não é fragilidade emocional e complacência.
Há pessoas que ao serem confrontadas com seus erros ficam como que anestesiadas,
não tem nenhuma atitude e por vezes até choram. Não, mansidão não é isso.
Mansidão é quando os olhares vêem em nós, nossas falhas apontando-as, diferentemente da indolência e da complacência, reconhecemos nosso
erro, reconhecemos que falhamos e tomamos a atitude de consertar aquilo que
fizemos de errado.
Somente aquele que tiver essa característica, impregnada, é
capaz de se humilhar, chorar e com mansidão reconhecer o seu erro e suplicar
perdão.
Caro leitor, você já experimentou, de fato, a mansidão?
Que Deus tenha misericórdia de nós e transforme nosso ser
rebelde em manso.
Continua...

Um comentário:
Mauricio!! Parabéns pela sua instrumentalização!! Muito bem explicado, não deixando dúvida sobre esse comportamento humano. Te digo, que nunca pensado sobre esse "ângulo". Tirou toda e qualquer dúvida que tinha a esse respeito! Deus continue te iluminando nesta empreitada abençoada... Seu amigo e irmão: Uriel
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